Cadeira usa conceito de “desconforto-suportável”

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A proposta inovadora é de um “desconforto-suportável” para promover a mobilidade, o bem-estar e evitar, tanto quanto possível, as posturas fixas. É com esta premissa que os irmãos Achille Castiglioni e Pier Giacomo criaram a cadeira Sella, assim como conceberam um de seus ícones em 1957 – o banco Sella, que confirmou, na época, o talento dos designers em dar formas originais aos objetos do cotidiano com elegância, mas que, ao mesmo tempo, foi considerado um design radical para aqueles tempos.

Embora o conforto seja uma necessidade de todos os lares, nem sempre o conceito do que é confortável é claro. Distinções são necesárias entre os significados de conforto e ergonomia. “Nós tendemos a associar conforto e ergonomia, mas são duas coisas diferentes. Conforto faz parte da ergonomia, assim como o desconforto é parte dela. Se o conforto pode ser relacionado com a ergonomia estática, o desconforto também pode ser conectado com a ideia de uma ergonomia dinâmica”, explica Castiglioni. Para ele, o incômodo pode ser capaz de colocar o corpo em movimento e, portanto, fora de suas posturas fixas crônicas. “Decidi trabalhar com diferentes situações típicas vivenciadas em casa, nas quais seria interessante inserir a atividade física. O objetivo do projeto, além da ideia de promover a mobilidade, é aumentar a consciência das pessoas sobre seus corpos”, diz Castiglioni.

Instabilidade proposital (Foto: Divulgação)

E foi com o “desconforto” em mente que surgiu a cadeira Sella. Ela propõe uma outra maneira de se sentar. A sua estrutura construída em apenas dois pés permite estimular diferentes partes do corpo através de uma situação passiva. “Ela tenta modificar nossos hábitos e nosso modo de vida. Tento projetar objetos visualmente impactantes, e nos parece impossível conceber que a cadeira com apenas dois pés seja estável. Esta percepção é o objetivo do meu processo de design, que é modificar essa visão do arquétipo.”

A peça é feita de madeira, e a concepção do produto foi em parceria com ergonomistas e fisioterapeutas. Ela foi fabricada em colaboração com marceneiros artesãos da École Boulle, em Paris. E o fato de que o assento é instável não é um erro, mas uma concepção para torná-lo um móvel usado apenas temporariamente. “Com esse tipo de conceito a casa não é mais um lugar apenas para descansar, mas também um parque infantil. Hoje, o designer deve conceber produtos caseiros que possam estimular o corpo através da criação de novos usos e maneiras de viver com seus objetos”, completa o autor.

Instabilidade proposital (Foto: Divulgação)

Instabilidade proposital (Foto: Divulgação)
Instabilidade proposital (Foto: Divulgação)
Instabilidade proposital (Foto: Divulgação)

Instabilidade proposital (Foto: Divulgação)
Instabilidade proposital (Foto: Divulgação)
Matéria publicada no site Casa Vogue em 12 de Dezembro de 2014

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