4 DICAS INFALÍVEIS PARA VOCÊ PLANEJAR MELHOR O SEU DIA

Executivos como Bill Gates, Mark Zuckerberg, Warren Buffett e tantos outros têm uma coisa em comum com qualquer empreendedor: todos têm um dia com 24 horas de duração. No entanto, nenhum deles usa a falta de tempo como desculpa para não concluir suas tarefas. Tais bilionários, em um determinado momento de suas carreiras, tiveram as mesmas condições que você. A agenda cheia e a falta de pessoal para resolver os problemas de uma empresa acometem todo mundo.

No entanto, Gates, Zuckerberg e Buffett deram conta do recado e hoje têm um saldo bancário cheio de zeros. Qual será o motivo do sucesso dos três? Para Mark Hunter, colunista do site da revista Entrepreneur, os porquês são vários, mas com certeza uma boa gestão do tempo está entre eles.

O especialista afirma que, ao organizar as tarefas do dia a dia e não abrir espaço para distrações, o empreendedor ganha aumentos sensíveis na produtividade. Ou seja, vende mais, gerencia melhor sua equipe e ainda encontra espaço para ficar com a família.

Abaixo, seguem algumas dicas de Hunter para quem quer planejar melhor o dia. E, se tudo der certo, tornar-se um bilionário. Confira:

1. O amanhã começa hoje
Profissionais realmente produtivos nunca terminam o expediente sem planejar o que farão no dia seguinte. Segundo Hunter, ao usar alguns minutos para organizar a agenda das próximas 24 horas, o empreendedor acaba tomando melhores decisões. Além disso, ao deixar o planejamento para depois, é possível que você não planeje nada e acabe usando a manhã para resolver problemas que eventualmente surjam.

2. Reserve um tempo para ficar com quem é produtivo
Ao se juntar a alguém que executa suas tarefas rapidamente, é possível entender o que essas pessoas fazem para trabalhar. Preste atenção no tempo reservado por eles para as redes sociais, e-mails e conversas supérfluas, por exemplo.

3. Deixe uma tarefa fácil para o começo
Ao planejar o cronograma do dia seguinte, reserve o começo do expediente para a resolução de uma tarefa mais simples. Assim, você começa o trabalho com algo a menos para se preocupar e fica motivado para a resolução dos problemas mais difíceis.

4. Use o que aprendeu
Seja pela ajuda de um colega ou ao descobrir “truques de produtividade” enquanto trabalha, faça o possível para usar o que aprendeu. Lembre-se: ninguém se torna um profissional de alta eficiência de uma hora para outra – aperfeiçoe-se dia após dia e você verá os resultados pouco tempo depois.

 4

Matéria publicada no Portal Grandes Empresas & Pequenos Negócios em 16 de Setembro de 2014

EXECUTIVAS PRECISAM VALORIZAR SUAS CARACTERÍSTICAS FEMININAS

Empresas são, em sua grande maioria, entidades masculinas. Afinal, foram historicamente comandadas por homens e os valores e comportamentos desejados para suas lideranças foram construídos com base nas suas características. As mulheres, que somente nas últimas décadas passaram a se destacar nas organizações, tiveram como herança e referência, obviamente, tais lideranças.

O problema é que, ao adaptar seus comportamentos aos modelos existentes para se estabelecerem no meio, as mulheres abriram mão de características importantes da sua natureza. A intuição e a sensibilidade foram substituídas por posturas mais duras e pragmáticas. Tiveram de escolher entre mostrar competência ou carisma, e foram orientadas a ser “menos femininas” no ambiente de trabalho.

Um artigo publicado no ano passado pela revista Harvard Business Review, escrito pelos professores de liderança Herminia Ibarra, Robin Ely e Deborah Kolb, traz essa referência de maneira muito consistente. Replico aqui um trecho desse artigo (“Mulheres em ascensão: barreiras invisíveis”) que me chamou a atenção: “A maneira como as mulheres são percebidas – como se vestem, como falam, sua presença de executiva e seu estilo de liderança – tem sido o foco de muitos esforços para alçá-las aos altos cargos. Fonoaudiólogos, consultores de imagem e especialistas em ‘branding’ veem crescer a demanda por seus serviços.

A premissa é que as mulheres não foram socializadas para competir com sucesso no mundo dos homens. Então, devem aprender as habilidades e estilos que suas contrapartes masculinas adquirem naturalmente”.

Acontece, porém, que o cenário para as empresas está se transformando e tais características femininas, antes pouco valorizadas, começam a se fazer fundamentais. Ser intuitivo já foi definido por especialistas como um dos principais eixos de comportamento e atitude do futuro. A visão periférica, tão presente nas mulheres, torna-se essencial para assimilar as tantas referências globais que hoje influenciam os negócios.

Ou seja, a nova sociedade clama para que as pessoas, em especial as mulheres, sigam sua natureza e desenvolvam seus próprios padrões de comportamento e de liderança, sem se preocupar em responder aos modelos arcaicos existentes.

Estamos diante de uma nova “sociedade da transparência”, regada pela comunicação aberta, dominada pela internet e reinventada pelos smartphones. Quanto mais verdadeiro o indivíduo for consigo mesmo, maior a possibilidade de ser bem-sucedido. Vale lembrar que nossos interlocutores estão cada vez mais preparados para encontrar erros e inconsistências. Por isso, ser você mesmo é fundamental para quem está na vitrine 24 horas por dia, sete dias por semana.

Mas, como voltar a essa natureza depois de décadas de um comportamento que a escondia? Não é uma tarefa fácil, em especial porque é preciso que os outros reconheçam e incentivem os esforços femininos. Como definiram os professores Ibarra, Ely e Kolb, “integrar a liderança à identidade é particularmente difícil para as mulheres, que devem estabelecer a credibilidade em uma cultura profundamente conflitante sobre se, quando e como devem exercer a autoridade.”

Acredito que um bom começo é o olhar para dentro, a interiorização e o autoconhecimento. Fazer coisas que te tragam novamente para o mundo da intuição. Olhar nos olhos dos outros, exercer atividades criativas e meditar. Vale também observar se as suas características relacionais, competências essas tão demandadas na atualidade, permanecem fortes nas suas atitudes.

Se você percebe um interesse genuíno pelo outro, mas sente que poderia estar se relacionando melhor com ele, pode ter encontrado um bom ponto de partida para buscar suas origens. Que tal perguntar à sua mãe ou à sua avó como você era lá atrás?

Elas podem ajudá-la a perceber se você está atuando em um papel que não é o seu.

Acredito que, se conseguirem resgatar suas características femininas no ambiente de trabalho, muito em breve as mulheres em posições de liderança não precisarão mais optar entre serem respeitadas ou serem queridas.

Vicky Bloch é professora da FGV, do MBA de recursos humanos da FIA e fundadora da Vicky Bloch Associados

Vicky-Block

Matéria publicada no jornal Valor Econômico em 11 de Setembro de 2014 por Vicky Bloch

EXECUTIVOS BRASILEIROS ADMITEM QUE EQUIPES ESTÃO DESMOTIVADAS

Quase 80% dos principais dirigentes de grandes empresas do país admitem que têm em suas companhias pessoas que não trabalham com todo seu potencial. Segundo eles, esse comportamento é um dos principais motivos que leva suas empresas também a não operar com sua capacidade máxima de desempenho.

Esses dados fazem parte de um levantamento feito com 531 representantes do alto escalão das maiores companhias em atividade no país. “As nossas empresas estão em um momento de ‘subdesempenho satisfatório’. Elas não estão quebrando, dão resultado, mas estão longe de seu esplendor”, diz a pesquisadora Betania Tanure, PhD, professora da PUC Minas e consultora da BTA.

Para ela, aceitar pessoas acomodadas, que não estão atuando com a motivação necessária, prejudica a saúde da organização no longo prazo. “A pior doença é aquela que é crônica, que não afeta o curto prazo, mas corrói aos poucos a competitividade.”

Para Aguinaldo Diniz Filho, presidente do conselho da companhia Cedro Cachoeira, o problema está além dos muros da organização. “É preciso lutar contra uma carga tributária asfixiante, a falta de infraestrutura e um ambiente externo bastante complicado”, diz.

Ele acredita que entre os antídotos que podem ser usados contra a falta de energia e engajamento dos funcionários estão a transparência, a cobrança clara de objetivos e a pouca complacência quando resultados não são atingidos. “Pelo menos na indústria de transformação, onde atuamos, é difícil lutar para ter uma empresa competitiva em um país que não é competitivo.”

O presidente da Cenibra, Paulo Brant, acredita que para reduzir as deficiências de produtividade nas companhias do país é preciso envolver mais os funcionários com os valores e com a missão da empresa. Embora a gestão de pessoas faça parte do discurso de boa parte dos dirigentes brasileiros como uma questão prioritária, atualmente ela parece estar distante da prática. O estudo mostra que apenas 16% do tempo dos executivos é gasto com isso.

© 2000 – 2014. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico.

Leia mais em:

http://www.valor.com.br/carreira/3686048/executivos-brasileiros-admitem-que-equipes-estao-desmotivadas#ixzz3CpVcCltM

arte08carr-102-stela-d3

O executivo admite, contudo, que o principal gatilho da motivação é mesmo o desafio. “Muitas vezes as metas são pouco ousadas, e as coisas não funcionam”, afirma. O levantamento revela também que o peso dos resultados econômico-financeiros é maior que o dos valores organizacionais para 38% dos entrevistados. Brant afirma que a dificuldade que as companhias têm para lidar com a meritocracia é uma questão que preocupa especialmente em relação aos funcionários mais jovens. “Eles querem ser testados, exercer mais a criatividade e não apenas uma função.”

Em sua opinião, muitas companhias estão preocupadas com dificuldades estruturais e conjunturais. Desse modo, estão focadas em reduzir custos e em aumentar a produtividade. “Existe um esforço nesse sentido, que passa por envolver os funcionários para que eles se sintam mais comprometidos”, afirma. Para Brant, é necessário dividir responsabilidades, mas também oferecer uma remuneração condizente. O executivo afirma que engajar funcionários é uma tarefa difícil no cenário atual e que isso exige mais atenção dos gestores.

Cristopher Alexander Vlavianos, presidente da Comerc Energia, ressalta que o fato de todos estarem atuando para apagar incêndios faz com que o sentido das ações no longo prazo se perca, o que acaba desmotivando as equipes. “É preciso entender esse momento pelo qual passamos”, diz.

Uma conjuntura de mercado recessivo, segundo Betania Tanure, não é necessariamente ruim para os gestores, pois pode ser usado para “arrumar a casa”. De acordo com a pesquisadora, quando as empresas estavam registrando forte crescimento não havia tempo para exercer uma gestão de qualidade. “Muita gente foi contratada para acelerar a produção e outros foram promovidos por necessidade, mesmo sem estarem devidamente preparados para isso. Este é um bom momento para identificar quem forma seu quadro e quais são os melhores”, diz. Aguinaldo Diniz Filho, da Cedro Cachoeira, concorda: “É preciso expurgar os que não estão funcionando. A vida é assim.”

Matéria publicada no jornal Valor Econômico em 08 de Setembro de 2014 por Stela Campos

CICLO FAVORECE “UPGRADE” DE ESCRITÓRIOS

O algo número de salas comerciais e escritórios corporativos entregues nos últimos anos deu às empresas e aos profissionais liberais que buscam um imóvel um maior poder de barganha para negociar com proprietários.

Um motivo é que a vacância -percentual de escritórios e salas vagas em relação ao total- aumentou.

No segmento de escritórios corporativos (amplos espaços voltados a grandes empresas), os valores pedidos pelos proprietários caíram 14,6% em 2013, para R$ 125 por metro quadrado, segundo pesquisa da consultoria Cushman & Wakefield. Foi o primeiro recuo desde 2006.

“Antes o mercado corporativo era pró-proprietário e agora começa um momento pró-locatário”, diz Walter Cardoso, presidente da empresa de consultoria CB Richard Ellis e um dos vice-presidentes do Secovi-SP (sindicato do mercado imobiliário).

Além de economia no bolso, as empresas vivem um bom momento para mudar para escritórios novos ou mais bem localizados.

“Com a flexibilização das negociações, este é um excelente momento para as empresas que buscam uma ocupação de maior qualidade”, afirma Raquel Miralles, gerente da consultoria Cushman & Wakefield.

Cardoso aposta que o mercado corporativo deve bater recorde de absorção (quantidade de metros quadrados ocupados) neste ano, conforme ocorreu já em 2013.

A vacância, porém, deve continuar em alta, porque a expansão no número de empreendimentos entregues avança em ritmo mais acelerado que o de novas locações.

SALAS COMERCIAIS

No segmento das salas comerciais, voltadas a pequenas empresas ou profissionais como dentistas e advogados, a oferta avançou também em ritmo elevado.

Os compradores, na maior parte, são investidores que viram nas salas uma oportunidade de garantir renda com aluguel. Só que hoje sobram salas e faltam inquilinos.

Em São Paulo, o número de lançamentos de salas comerciais disparou. Segundo o Secovi-SP, a média anual dos últimos cinco anos é de 5.026 unidades. De 2004 a 2008, era de apenas 1.782.

Como resultado, o estoque passou dos 300 mil metros quadrados de área útil, o que havia acontecido pela última vez no ano 2000, segundo a consultoria CBRE.

2 ok okokokok
Matéria publicada pelo Jornal Folha de São Paulo.

O NOVO ESCRITÓRIO

Conectado à internet, posso transformar praticamente qualquer espaço em um escritório provisório.

Na próxima semana vou palestrar no Worktech São Paulo, uma conferência internacional que discuti o futuro do trabalho e dos escritórios.
Há alguns anos desenho espaços corporativos e pesquiso suas transformações. Não apenas uma nova estética emerge, como também novos programas e necessidades, desdobramentos dos comportamentos e modos de vida atuais. Destaco aqui algumas características que conectam os projetos mais interessantes que tenho visto pelo mundo.
OFFICE-HOME – Cada vez mais escritórios buscam levar para o ambiente de trabalho o aconchego d lar, criando espaços com referências à casa, utilizando materiais menos corporativos, com decoração mais informal, muitas plantas e iluminação mais confortável e quente. Cachorros são mais bem-vindos.
ALÉM DO DESKTOP – Empresas de tecnologia de informação e comunicação, como Google e Facebook, impulsionaram o desenvolvimento de espaços de convívio como estúdio de música, sala de jogos e video game, cinema e áreas de esporte.
Nesses ambientes, profissionais de departamentos diferentes se encontram, estimulando a troca de novas ideias e o surgimento de projetos inesperados.
MAIS HUMOR, POR FAVOR- Uso de padrões gráficos e cores como elementos de identidade, fotografias, grafite, escorregador, pista interna de Skate e objetos que sugerem humor e ironia quebram a rigidez e trazem uma atmosfera mais lúcida, sem infantilizar a empresa.
ESCRITÓRIO VERDE- Edificações racionalizam o uso de recursos naturais, buscando eficiência e eficácia energética e priorizando materiais e sistemas locais e com menor impacto ambiental.
TRABALHO MÓVEL- Neste momento em que as tecnologias digitais permeiam todas as instâncias de nossas vidas, o tempo e o espaço se tornaram mais elástico. Nossos horários de trabalho são cada vez mais flexíveis. Com um tablet ou laptop conectado à internet, posso transformar praticamente qualquer espaço em um escritório provisório, como o terraço ou o refeitório.
Mesas com alturas reguláveis e rodizio permitem deslocar o desktop pela mepresa e configurar formatos diversos de equipes.

2 materia ok

Matéria publicada pelo Jornal Folha de São Paulo em 04 de Maio de 2014.

MAIOR OFERTA AFETA MERCADO DE ESCRITÓRIOS

lajeOs preços de locação de grandes lajes corporativas, em São Paulo, tendem a cair no próximo ano, na comparação com 2013, ou pelo menos ficar estáveis, na expectativa do mercado. O cronograma de entrega de parte dos empreendimentos previstos para 2014 já começou a ser postergado para evitar um cenário de reduções mais acentuadas.

O aumento da vacância resulta não da redução da demanda, mas da “oferta que está entrando no mercado de forma não equilibrada”, de acordo com o presidente da Colliers International Brasil, Ricardo Betancourt. “Os preços vão cair em 2014″, afirma o executivo da Colliers.

A avaliação é compartilhada pela presidente da Cushman and Wakefield para a América do Sul, Celina Antunes. “Alguns clientes estão querendo devolver andares. Ninguém está otimista com o crescimento da economia no ano que vem”, diz a executiva.

Para o presidente da Cyrela Commercial Properties (CCP), José Florêncio Rodrigues, os preços de locação de escritórios comerciais novos terão redução em 2014 e, nas revisionais de contratos, que ocorrem a cada três anos, poderá haver descontos para a manter os inquilinos.

Na maioria das negociações de revisão de aluguéis de escritórios da CCP, porém, os preços têm se mantido e, em alguns casos, até sido reajustados para cima, segundo Rodrigues. As altas são possíveis quando a empresa ocupante avalia que não valeria à pena trocar de endereço, devido à localização nobre, ou que não compensaria abrir mão dos investimentos feitos em infraestrutura na área ocupada.

Mas, diante de preços mais atrativos e do padrão dos edifícios de grandes lajes corporativas que têm chegado ao mercado, ocupantes podem aproveitar para migrar para escritórios de melhor qualidade e para se instalar em áreas contíguas àquelas em que já estavam. Além disso, os estoques disponíveis no mercado e a concorrência maior têm levado proprietários a ser mais flexíveis, por exemplo, nos prazos de carência para início do pagamento do aluguel ou na cobertura de custos de mudança.

Matéria publicada no jornal Valor Econômico em 27, 28, 29 de dezembro de 2013

Arquitetura ajuda a promover interação

betty birger - pme

A arquiteta Betty Birger: “A divisória não vai ser abolida, mas ela pode ganhar novos usos, como, por exemplo, se tornar um ambiente para troca de ideias”

Uma mesa de snooker em plena sala de reuniões, um piano ou um violão ao lado do café, equipamentos esportivos estratégicamente colocados em algum canto: houve um tempo em que as organizações faziam de tudo para segurar seus colaboradores o máximo possível no local de trabalho. A tênue linha que dividia o expediente diário e os horários de lazer era estendida por almofadas no chão, redes de descanso e home theaters. Resultado: 12, 14 horas seguidas no mesmo lugar, com as mesmas pessoas. E uma rotina estressante que comprometia a produtividade e em nada impulsionava a criatividade.

“Esse foi um momento em que a tendência era desfrutar das horas livres dentro da própria empresa. Mas o feedback que temos das pessoas que transitaram por esse tipo de ambiente corporativo é que elas desenvolveram até problemas psiquiátricos”, avalia a arquiteta Patrícia Anastassiadis, referindo-se a “um mundo quase irreal, uma bolha onde não existia sequer tempo para pausas”.

A tendência atual, explica, é achar um meio termo: “A virtude está no meio. De nada adianta reter o empregado na corporação por mais tempo se de tanto permanecer nesse ambiente quase artificial ele não consegue mais render. A produtividade só cai. É importante promover a integração, mas uma integração saudável”, explica, fazendo alusão à formação de times de futebol ou de grupos de estudo dentro da própria empresa, como forma de aproximar as pessoas.

Mas se motivar relacionamentos e incentivar a sinergia em ambiente de trabalho é necessário, não menos importante é “observar a hierarquia corporativa e a necessidade de pertencimento”. “Não falamos mais de feudos, mas de ambientes onde ainda se possa colocar uma foto da família, um objeto pessoal”, diz Patrícia.

Em se tratando de ambientes fechados, como as salas de reunião, tudo leva a crer que eles estão longe de ser abolidos: “No Brasil”, constata a arquiteta Betty Birger, “sala de reunião é cultural, é preciso preservar as salas fechadas onde se tratam assuntos privativos”, explica, lembrando que “o grande problema é como resolver na planta a maneira como esse tipo de ambiente vai interagir com os demais”.

Além disso, justifica Betty, há outro problema a considerar: “As organizações têm uma grande preocupação com o metro quadrado de locação, que é muito caro. Por isso, a ordem é adensar o espaço. Explica-se que o mesão se tenha transformado numa forma de alocar os trabalhadores. E como não há espaço para interação, daí a necessidade das salas de reunião.”

Premidos entre a necessidade de estimular a interação entre os quadros, de um lado, e observar algum rigor hierárquico nas organizações, de outro, os arquitetos têm apostado em dois conceitos-chave: a sinergia visual e o conforto acústico. Para tanto, eles têm garimpado materiais que deem uma sensação de proximidade e acesso apesar da pré-delimitação de nichos e, ao mesmo tempo, garantam alguma privacidade a despeito do ambiente compartilhado.

Existe um material, segundo Patrícia Anastassiadis, que se presta a estas diretrizes. Trata-se do vidro. “Ele permite ao mesmo tempo transparência e privacidade”, explica. “Fechando os vidros simplesmente, uma sala de espera pode se transformar em uma sala de reunião”, exemplifica Betty Birger.

Outro conceito importante, segundo Betty, é democratizar a paisagem e a luz do dia, sem abrir mão dos espaços multiuso: “A divisória não vai ser abolida, mas ela pode ganhar novos usos, como, por exemplo, se tornar um ambiente para troca de ideias”, define, lembrando que “o grande desafio é encontrar formas de se reunir informalmente”.

Para conseguir esse objetivo, Betty Birger propôs um ambiente de café delimitado por divisórias de vidro, ao lado da sala da presidência do Grupo Ultra, “onde todos podem se encontrar”. Na sede da Odebrecht, a arquiteta também idealizou “pequenos bistrôs no meio do caminho, onde as pessoas podem conversar a sério”.

Outro problema que se coloca em decorrência do adensamento do espaço é o conforto acústico. Para Patrícia Anastassiadis, “o problema se resolve com a utilização de placas acústicas, que garantem a qualidade do som, apesar dos ambientes abertos”.

Essa é a proposta que apresentou à incorporadora BKO, empresa com cerca de 80 funcionários que resolveu mudar de endereço, no início do ano, transferindo suas operações da Vila Olímpia para a avenida Faria Lima, em São Paulo.

“A empresa nos procurou em busca de trabalhar de maneira mais integrada, uma vez que sua política é promover o relacionamento entre os colaboradores”, explica Patrícia, contando que os funcionários da BKO ocupavam dois andares num prédio do nobre bairro localizado na zona oeste – na parte de cima, ficavam a diretoria, vendas e marketing, enquanto o pessoal técnico e do financeiro estava alocado no andar de baixo.

Para atender a empresa, o escritório de Patrícia Anastassiadis decidiu quebrar alguns paradigmas: idealizou uma recepção que não era recepção, mas “uma espécie de lounge com café e estantes de livros delimitado por vidro”, e apostou todas as fichas nos ambientes abertos e transparentes.

Resultado: “Em poucos meses, notamos uma nítida mudança”, avalia Daniela Khzouz, analista de marketing da BKO. “O clima melhorou, há mais transparência porque é tudo aqui é vidro, e as conversas deixaram de ser por e-mail.”

 

Matéria publicada no jornal Valor Econômico em 18 de dezembro de 2013 por Marleine Cohen

 

Procura Maior por Escritórios de Alto Luxo

Empresas buscam instalações modernas com área útil por andar acima de 500 metros quadrados em lajes corridas

O Rio de Janeiro passa por um momento favorável para atrair investidores com a instalação dos polos petrolíferos de Itaguaí e Itaboraí e com a exploração do pré-sal. Além disso, a revitalização do centro, em especial o projeto do Porto Maravilha, uma das maiores intervenções urbanas do mundo, coloca a cidade na mira de construtoras voltadas para projetos comerciais, sejam elas nacionais, como a Odebrecht e João Fortes, ou internacionais, como as Organizações Trump, marca reconhecida por Empreendimentos de alto padrão.

O potencial de São Paulo para o desenvolvimento de torres comerciais também chama a atenção e multiplicam-se os condomínios comerciais de alto luxo nas áreas mais nobres da capital: Paulista, Faria Lima, Itaim, Vila Olímpia e Berrini.

1

“São Paulo e Rio de Janeiro são, de longe, os principais mercados para edifícios corporativos”, diz Marcelo da Costa Santos, vice-presidente da Cushman & Wakefield para a América do Sul. A importância das duas cidades se comprova por números. O estoque na capital paulista está em 11,61 milhões de metros quadrados em todos os segmentos, enquanto no Rio, fica na casa de 6,18 milhões de metros quadrados. A soma dos estoques da Bahia, Espirito Santo, Goiás, Pernambuco, Paraná e Rio Grande do Sul é de 1,36 milhão de metros quadrados.

O mais importante: está havendo uma mudança de paradigma. Quando uma empresa ocupa um escritório moderno, não quer voltar atrás. Há potencial para o desenvolvimento de edifícios de alto padrão em São Paulo e no Rio”, diz Santos. Em São Paulo, o estoque de prédios classe A e A+ é de 3,48 milhões de metros quadrados, pouco mais de um terço do total. No Rio, é de 1,84 milhão de metros quadrados. Entre outras características, os empreendimentos classe A têm preços de aluguel acima da média do mercado, alta qualidade de acabamentos e especificações técnicas e área útil por andar superior de 500 metros quadrados em lajes corridas. Os de padrão A+ agregam certificação Green Building e heliporto, entre outros.

Se a mobilidade urbana é um dos grandes problemas de São Paulo, no Rio é a falta de espaço para a cidade crescer. Não é à toa que o Porto Maravilha atrai os olhares dos investidores. O porto faz parte de um projeto amplo de recuperação do centro histórico, e se propõe a resgatar, até 2015, cerca de 5 milhões de metros quadrados de área portuária. A Parceria Público-Privada (PPP) está sendo tocada pelo Consórcio Porto Novo, ganhador de licitação, formado pelas construtoras OAS, Noberto Odebrecht e Carioca. Os investimentos são de cerca de R$ 8 bilhões, dos quais R$ 3 bilhões para obras de infraestrutura e urbanização.

2

A João Fortes iniciou o ano com o lançamento do Alfa Rio Prime Business, uma torre com 16 andares, com salas entre 94 metros quadrados e 278 metros quadrados, com possibilidade de junção. Instalado na rua da Alfândega, um dos locais mais movimentados vai oferecer serviços como posto de coleta de correspondência na recepção, central de manutenção e reparos e reserva de espaço para realização de eventos. Nada menos que 96% das unidades foram vendidas.

Os especialistas garantem: tanto no Rio quanto em São Paulo, o mercado de escritórios com até 50 metros quadrados está próximo da saturação em função da grande oferta de unidades ocorrida a partir de 2007. “Este segmento está perto do equilíbrio”, diz Rimes. “A partir de agora, os prédios com salas a partir de agora, os prédios com salas a partir de 200 metros quadrados serão os mais procurados”, afirma. Flávio Slaviero, diretor-geral da Brasilincorp, endossa a tese. “Hoje, a maior demanda é por lajes corporativas em edifícios de melhor padrão.”

Pesquisa da Cushman & Wakefield confirma a existência de grandes estoques para os imóveis de padrão classe C, instalados em prédios mais antigos e fora das principais vias, embora os aluguéis estejam abaixo da média do mercado. Em São Paulo, sobe a 3,6 milhões de metros quadrados e no Rio a 2,1 milhões e metros quadrados.

A oferta de imóveis corporativos de alto padrão só aumenta nas duas capitais. Levantamento da Jones Lang LaSalle mostra que foram entregues 57 mil metros quadrados de espaços corporativos em São Paulo no segundo trimestre de 2013 – 73% em edifícios classificados como AA – e o restante, com classificação A. Para Jones, os edifícios AA têm mais de 800 metros quadrados de área útil. no primeiro semestre foram entregues 156 mil metros quadrados e estão previstos mais 240 mil metros quadrados até o fim do ano. São Paulo deve fechar 2013 com um estoque de 3,7 milhões de metros quadrados. No Rio, foram entregues 14,3 mil metros quadrados de escritórios de alto padrão no segundo trimestre. Para este trimestre, estão previstos 136,3 mil metros quadrados e mais 103 mil metros quadrados nos últimos três meses do ano.

Já a demanda se comportou de forma diferente nas duas cidades. Em São Paulo, a absorção líquida do segundo trimestre foi de 54 mil metros quadrados – no anterior, foi de 23 mil metros quadrados. A taxa de vacância ficou praticamente estável, em 17,6%. Os preços de locação caíram em média 2,2% ficando em R$ 113 o metro quadrado por mês.

No Rio, a procura por imóveis de alto padrão somou apenas 8,7 mil metros quadrados no segundo trimestre – no anterior, foi de 24,8 mil metros quadrados. A taxa de vacância ficou em 15,1%, uma queda de 0,6%. Os aluguéis caíram 2,9%, ficando em R$ 131 o metro quadrado por mês.

A Brookfield, que atua, que atua em São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Goiânia, vai iniciar em breve a construção de um empreendimento na Marginal Pinheiros, na zona Sul da capital paulista, lançado em 2011. Apesar de localizado fora das áreas preferidas pelos empresários, o complexo terá a vantagem de oferecer preços de locação mais atraentes. “São duas torres de altíssimo padrão”, diz Alessandro Vedrossi, diretor de incorporações e negócios. A empresa tem 20 mil metros quadrados em desenvolvimento na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e 10 mil metros quadrados em Brasília.

Para conquistar novas fatias de mercado, a Brookfield investe em projetos que oferecem novas opções para os clientes. É o caso da Praça Pamplona, uma torre de 28 pavimentos. Serão 364 unidades comerciais, com salas de 32 metros quadrados a 167 metros quadrados e lajes corporativas de até 994 metros quadrados. O empreendimento vai reunir, no mesmo local, a torre comercial, um teatro digital que irá funcionar em um casarão reformado, um centro de pesquisas, um centro cultural e social e um bosque de 2 mil metros quadrados. Tudo a apenas dois quarteirões da avenida Paulista. “É um conceito inovador”, afirma Vedrossi. O Praça Pamplona vai oferecer serviços opcionais pay-per-use – a nova mania empresarial – que poderão ser contratados de acordo com as necessidades de cada condômino.

Matéria Publicada em Valor Econômico Setorial setembro de 2013

Um Riviera Moderno, Mas de Olho no Mito

“Vocês vão ser responsáveis por nos manter vivos. Estamos prometendo preço acessível. Precisamos controlar desperdício. Se tiver chorinho, drinque errado, já era. O Riviera é renomado por ser um lugar barato. Não quero que falem por aí que a gente reabriu um bar histórico como um pico de burguês. Não podemos trair a memória deste lugar. Vamos demorar no mínimo seis meses pra sair do vermelho. Tragam ideias bizarras. O dry martini e o bloody mary têm que ser perfeitos. Quero ver a clientela ‘instagramando’ os drinques. É o espírito do tempo, todos querem compartilhar o que consome, desde que seja original. Precisamos ser originais em tudo. Beleza?”

Este foi Facundo Guerra, “paulistano” nascido na Argentina há 39 anos, dando instruções a meia dúzia de barmen do Riviera, que reabre na quinta-feira da semana que vem. O bar, inaugurado em 1949 na esquina da avenida Paulista com a rua da Consolação no térreo do edifício Anchieta, em São Paulo, se tornou clássico por vários motivos. Dois estão homenageados em um aquário: Juvenal e Zé, garçons que reinaram décadas naquela esquina, rebatizam dois peixinhos dourados.

Juvenal imortalizou-se como o coadjuvante predileto da Rê Bordosa, famoso personagem de Angeli – um dos notórios frequentadores. Outros clientes famosos eram Chico Buarque, Claudio Tozzi, os irmãos Caruso, Laerte, Toquinho, Elis Regina (1945 – 1982), Washington Olivetto, além, evidentemente, de todo intelectual de esquerda que se prezasse na cidade – o delegado Sérgio Paranhos Fleury (1933-1979) costumava dar batida ali. Contribuíam para a frequência tanto o carisma dos barmen como os preços baixos praticados no bar. Daí a declaração de Guerra fazer mais sentido: afinal, seu sócio, Alex Atala, dirige um dos melhores restaurantes do mundo – e mais caros da cidade.

É uma curiosa engenharia entre a tradição de esquerda da esquina e de duas das marcas mais valorizadas da indústria do entretenimento do país. De um lado, uma tradição de boteco pé-sujo, que servia feijoada até as cinco da manhã e cujos garçons se notabilizavam por ouvir as lamúrias de uma clientela que pegava pesado no tríptico sexo, drogas e rock’n’roll.

De outro, uma joint venture entre marcas como D.O.M. (sexto melhor restaurante do mundo) e Dalva & Dito (de cardápio popular e preços estelares) e o grupo Vegas, em cujo guarda-chuva se aninham casas noturnas premiadas: Cine Joia, Clube Lions, Yacht, Z Carniceria e Volt. A joint venture faz uma esquina entre o ex-punk que virou o principal chef dos Jardins e o ex-engenheiro que virou empresário da noite do centro paulistano. Poucos sabem que este ex-engenheiro tem também um passado de esquerda.

Formado em engenharia de alimentos, Guerra também cursou jornalismo e ciência política, trabalhou na extinta America Online, criou a grife Theodora com a estilista Rita Wainer – e montou o Vegas, clube que transformou a região da rua Augusta.

Guerra prega respeito a seus funcionários. “O bar ficou famoso por causa dos garçons e dos frequentadores. Passo para os barmen [a orientação de] não abaixarem a cabeça para cliente mal-educado. O barman está no mesmo nível que o cliente. Aqui no Brasil existe essa relação de subserviência, leva-se o ‘Cliente tem sempre razão’ ao nível mais babaca. Não pode ser assim”, afirma. Outro item que chama atenção é uma faixa de LED sobre o palco – cujo letreiro eletrônico pedirá aos frequentadores para desligarem celulares durante os shows, no segundo andar da casa. “Tirar foto até entendo, mas detesto gente que fica falando durante o show.”

Fruto de um “devaneio”, o novo Riviera custou caro. Só na cozinha foram gastos R$ 500 mil. Mas Guerra jura desconhecer o investimento total. “Só não gastamos na decoração – os objetos de decoração e os livros de política eu trouxe da minha casa. Mas a brigada veio toda do D.O.M. e do Dalva & Ditto, portanto ganham bem. O aluguel é de R$ 25 mil. O projeto arquitetônico é de Marcio Kogan: o bar-balcão é curvo, foi feito à mão. O segundo andar é todo isolado acusticamente. Bati várias vezes em banco para pedir empréstimo. Estamos endividados até o nariz”, diz Guerra. “Mas Ok: Atala tem o D.O.M. e meu lucro eu tiro das outras casas. A grana não precisa ser a primeira razão de tudo na vida”, afirma.

O andar superior, para 130 pessoas, vai abrigar programação musical de quarta a sábado (com couverts entre R$ 20 e R$ 30) que inclui discotecagem de MPB, jazz e música experimental, além de shows da Riviera Jazz Band, especializada em John Coltrane e Dave Brubeck.

Riviera Bar – av. Paulista, 2.584, São Paulo, tel (11) 3231-3705

Matéria Publicada em Valor em 18/09/2013

Varejo: Cenários para surpreender o comprador

beth-200x300A escassez de grandes áreas, o custo alto dos pontos comerciais nas capitais, a migração das redes e marcas para cidades de pequeno e médio porte, além da multiplicação dos canais de venda têm levado o varejo físico a ganhar um novo perfil, mais do que isso, novos formatos. Primeiro vieram os quiosques, depois as chamadas store in store, as pop up stores e, mais recentemente, as container stores e os showrooms repaginados, ou seja, lojas que não têm por função a venda. Pelo contrário, apenas a exposição e a divulgação do conceito das marcas.

Todos, contudo, têm de exibir a mesma atratividade e levar ao consumidor toda a experiência da marca. Para desvendar esse desafio, Beth Furtado, fundadora da Alia Consulting, afirma que o varejo precisa aprender a trabalhar o seu lado sedutor. O que isso significa? Que é preciso lançar mão de vários recursos para apimentar sua relação com o mercado. “As marcas são como pessoas, o caminho é descobrir o que torna uma pessoa sexy e aplicar os mesmos princípios às marcas”, diz Beth. “Entre os atributos estão mistério, inteligência, poder, sensibilidade, inquietação e sedução.”

Na prática, o mistério não significa se esconder, pelo contrário, significa criar áreas de surpresas, que apresentam naturalmente formatos que não são óbvios, que levam as pessoas ao processo de envolvimento. A condução pode ser feita por meio da iluminação cênica, do layout, do trabalho do espaço físico, passando por diversos materiais e propostas. “É possível diversificar e até surpreender com uma presença inesperada”, afirma Beth. “É o caso da Pantoni, que oferece palheta de cores a profissionais, não vende para o consumidor final, mas criou o Hotel Pantoni, um retrato de todo o conceito da marca”.

Mostrar a força do poder da marca em todos os elementos, a começar pela fachada, é um grande diferencial. Quem tem adotado o conceito com maestria é o empresário Leandro Domenico, sócio da El Cabriton, empresa especializada em camisetas criativas que aposta em novos designers brasileiros. “Queremos oferecer um pacote completo permeado sempre por uma surpresa, que começa pela fachada”, declara Domenico. A cada mês, um artista é convidado a pintar a fachada externa da loja. O resultado fica exposto por cerca de 25 dias. “A novidade acabou construindo uma forte imagem junto aos clientes e os habituês da região”, reforça Leandro.

Investir na interatividade, a exemplo do setor de cosméticos, atrai e seduz o consumidor. “O que poderia ser apenas uma venda tradicional, torna-se uma experiência lúdica, cheia de novos conhecimentos e envolta em uma atmosfera de encanto”, ressalta Beth. Um bom exemplo é a nova loja de O Boticário, modelo que deverá contemplar todas as mais de 3.500 franquias espalhadas pelo Brasil. Com um investimento de R$ 1 bilhão, a nova proposta une tecnologia e conteúdo, incentivando a experimentação combinada à oferta de informações. “Tablets distribuídos por diversos pontos da loja permitem que o consumidor se aprofunde nos conceitos das marcas”, diz Julio Takano, autor do projeto. Vídeos, tutoriais e músicas transportam o cliente para o universo de cada produto. Outro destaque fica por conta do Bar do Perfume, onde as fragrâncias são divididas por estado de espírito e estilos associados a cada marca.

Beth destaca, ainda, a sensibilidade e a conexão. A sensibilidade é feita de detalhes, de atenção, assim como o varejo. O cuidado deve passar pela arquitetura da loja, atmosfera do ambiente, elementos de comunicação, embalagens, apresentações e o próprio produto. “A Brigaderia é uma boa tradução deste conceito, tanto nas lojas como nos quiosques”, comenta Beth Furtado, da Alia Consulting.

Matéria publicada no jornal Valor Econômico em 31 de julho de 2013 por Katia Simões