CIDADES MENORES FORMAM NOVO NICHO

A Tenco Shopping Centers corre contra o tempo para cumprir a meta de ter 30 centros de compras até 2017. Atualmente, tem dez estabelecimentos em operação, dois deles inaugurados neste mês, outros seis em construção e pretende lançar três novos empreendimentos em 2015. Quando resolveu dedicar-se exclusivamente à indústria de shoppings, a empresa mineira decidiu investir em espaços pouco explorados pela concorrência: cidades onde os malls ainda não existiam, preferencialmente no interior. O fundo de investimentos Pátria aderiu ao projeto em 2011, e captou R$ 1 bilhão para aplicar no negócio.

“Nosso alvo são as cidades com população entre 200 mil e 250 mil habitantes. Mas podemos entrar em localidades menores, de 150 mil a 170 mil moradores, que sejam polos de atração de determinadas regiões”, explica o presidente da Tenco, Eduardo Gribel. A decisão está condicionada ainda à renda da população e à adesão ao projeto de pelo menos duas lojas âncoras.

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O 4, o primeiro do agreste de Alagoas, faz parte da rede. Abriu as portas em setembro de 2013. Agora, recebe 65 mil veículos e 400 mil pessoas por mês. A cidade, com uma população estimada de 230 mil habitantes, tem em sua área de influência cerca de 600 mil pessoas. O empreendimento foi inaugurado com cerca de 30 das 204 lojas abertas, embora tivesse 120 contatadas. “Fora dos grandes centros, os lojistas têm dificuldades para cumprir o cronograma até porque existe uma grande carência de mão de obra. Mas no primeiro Natal, 70% delas estavam em funcionamento”, explica Gribel.

A Lojas Riachuelo, do Grupo Guararapes, não teve dificuldade em cumprir o prazo. “As vendas aumentam de 12% a 15% ao mês, e estão de acordo com o cronograma traçado pelo grupo, apesar do momento econômico difícil”, diz o gerente Diego Duremberg. A vacância do Arapiraca Garden Shopping está na casa dos 12%. O empreendimento deve receber, ainda neste final do ano, outro parceiro tradicional da Tenco: as Lojas Renner. A empresa mineira investiu cerca de R$ 700 milhões neste ano, entre recursos próprios e financiamentos bancários, e vai aplicar R$ 500 milhões em 2015.

A rápida expansão da indústria de shoppings oferece novas oportunidades aos lojistas. No entanto, a decisão de entrar em um centro de compras torna-se ainda mais criteriosa, quando envolve novos empreendimentos em cidades de menor porte, onde a maturação é sempre mais lenta. Cautela é a palavra de ordem do comércio, incluindo as redes de franquias, as grandes parceiras. Recente estudo da Associação Brasileira de Franchising (ABF) e da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) mostra que são franquias 34,5% das 55.743 lojas pesquisadas em 503 centros de compra de todo o Brasil. No setor de alimentação, o percentual sobe para 57%.

Algumas redes desenvolveram formatos mais adequados à nova realidade, com lojas mais compactas, que exigem investimentos menores. Foi o caso do Grupo Ornatus, dono das marcas Morana e Balonè, de acessórios femininos, Jin Jin Wok, Jin Jin Sushi e Little Tokyo, de comida oriental, e da Mr. Sandwich, de alimentação natural.

“Hoje, é um grande desafio gerar lucros para os franqueados. Nas cidades pequenas, eles são menores, mas podem ser compensados por alugueis e despesas de operação reduzidos”, comenta o diretor de desenvolvimento e negócios do Grupo Ornatus, Eduardo Morita. Há cerca de três anos, a empresa criou o “formato light” para a Morana, com um custo 29% menor do que o da franquia padrão. Entre 15% e 20% das 300 unidades de rede estão em shoppings fora das capitais.

Matéria publicada no jornal Valor Econômico em 27 de Novembro de 2014 por Jane Soares