USAR PÍNUS É O MÁXIMO!

Os painéis da madeira clara – e sustentável – definiram a atmosfera aconchegante na decoração deste apartamento paulistano.

“Como assim cobrir as paredes de pínus?” Torcer o nariz foi a primeira reação do morador, um empresário, diante da inusitada proposta dos arquitetos Veridiana Tamburus e Fabio Storrer, autores da reforma do apartamento. Nem o proprietário nem sua noiva confiaram de imediato na ideia de forrar as superfícies, desde o hall, de ripas de uma madeira mais popular. A dupla de profissionais, contudo, tinha certeza do resultado. “Eles não conseguiam vislumbrar o revestimento aplicado, mas provamos que o visual ficaria aconchegante quando finalizamos o desenho no computador”, lembra Veridiana. Vencida a resistência do começo, o casal morreu de amores pelo material ao ver as paredes prontas. Do encantamento surgiu a vontade de oficializar o casamento no novo endereço. Abraçada pelo painel amadeirado, a mesa de tora maciça se transformou no altar da cerimônia testemunhada só pelos mais íntimos. Hoje, ambos riem da própria teimosia e não imaginam jeito mais caloroso de morar.

Apostar na madeira para trazer conforto é uma proposta alinhada com o espírito de nosso tempo, no qual todos desejam se aproximar da natureza. Em sintonia com essa ideia, presente tanto no discurso dos arquitetos do escritório Storrer Tamburus quanto no dos moradores, o pínus veio para vestir a sala de aconchego. Despojados, fãs de praia e hábitos saudáveis, os proprietários sonhavam em ter uma morada jovial, que acolhesse bem os amigos e de onde ninguém desejasse ir embora. Exagero? Nem um pouco. Os dois não gostam mais de passar longos períodos fora de casa, e, sempre que dá, os encontros da turma acontecem aqui. “O apartamento ganhou nossa identidade. Se pudesse defini-lo numa só palavra, diria que é autêntico”, afirma a empresária. “Sem firulas nem exageros mas gostoso.” O clima de deleite se acentua graças ao piso de madeira de demolição, às tonalidades orgânicas de móveis e objetos e à luminosidade gentil que esgueira calmamente aos espaços integrados.

Como combinar as paredes de pínus

›› É preciso acrescentar outros elementos de madeira natural à decoração, como a mesa de jantar usada neste projeto. Senão, o pínus parecerá descolado do restante.

›› Por ser um material claro, associa-se facilmente a outras cores. Aqui, os arquitetos adotaram uma paleta de verde, rosa e cinza – todos em versões bem suaves para não destoar da atmosfera de tranquilidade.

›› Os veios dourados da espécie chamam objetos nesse tom. Note que ele está salpicado em vasos e almofadas.

Foto de Beto Riginik (Gris Escritório de Arte) na parede. Destaque para a poltrona Charles Eames na sala.

Tábuas de pínus autoclavado (Filarte, 180 reais, o m² instalado) cobrem as paredes do hall do elevador, a porta de entrada e o banco da varanda, integrada à sala na reforma.

Pufes da By Kamy.

As almofadas do estar vieram das lojas Empório Beraldin, Celina Dias, Conceito Firma Casa e JRJ.

O lavabo ganhou papel de parede (Wallpaper) e espelho com moldura dourada (Juliana Benfatti).

Detalhe da poltrona Charles Eames e do tapete artesanal com estampa geométrica assinado por Lina Miranda (Square Foot).

Elas formam um trio de superamigas: a moradora (de costas), a arquiteta Veridiana Tamburus (ao centro) e a designer Roberta Faustini, autora da poltrona vermelha Iron Xis, que preencheu um canto vazio. “Antes, eu não sabia o que escolher para o espaço”, revela a empresária.

Tapete artesanal com estampa geométrica assinado por Lina Miranda (Square Foot) e cadeira de pínus (Poeira). A poltrona vermelha Iron Xis da designer Roberto Faustini preencheu um canto vazio. preencheu um canto vazio. “Antes, eu não sabia o que escolher para o espaço”, revela a empresária.

Fechadas, as portas compõem o amplo painel de pínus que camufla a cozinha. Abertas, integram o ambiente à sala. Prateleiras da mesma espécie apoiam utensílios e enfeites no espaço defnido pela bancada central de Corian (DuPont).

Mesa Tulipa traz as cadeiras de carvalho natural Nerd (Micasa), do designer David Geckeler.

Bufê de laca brilhante da Filarte.

Na suíte do casal, pufe de lona da Alba Barbosa Casa, roupa de cama de Ari Beraldin e criado-mudo de Juliana Benfatti.

“Diferentemente da pintura, a madeira é um elemento vivo, e seu poder estético reside na criação de uma identidade singular” Veridiana Tamburus, sócia de Fabio Storrer

Matéria publicada na revista Casa Claudia em Novembro de 2014 por Reportagem Visual Zizi Carderari | Texto Denise Gustavsen | Fotos Marco Antonio

CHALÉS DE MADEIRA FORAM CONSTRUÍDOS COM TÉCNICAS DE ARVORISMO

Erguidos artesanalmente com técnicas de arvorismo, os dois chalés de madeira quase não incomodaram o terreno, cujos limites se apagam em meio às araucárias e montanhas de Campos do Jordão, no interior de São Paulo

A construção suspensa, executada em cinco meses por quatro profissionais especializados na confecção de plataformas para atividades esportivas na natureza, aninha-se no terreno em declive. O custo total do par de módulos, finalizados em 2013, foi de R$ 120 mil.

A construção suspensa, executada em cinco meses por quatro profissionais especializados na confecção de plataformas para atividades esportivas na natureza, aninha-se no terreno em declive. O custo total do par de módulos, finalizados em 2013, foi de R$ 120 mil.

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Tirantes tensionados. Cabos de aço de 3/8”, reciclados de tirolesas antigas, travam a estrutura, seguram a varanda em balanço e minimizam o efeito dos ventos sobre os chalés. vigas aparentes De garapeira proveniente de manejo sustentável, elas sobram propositadamente nas laterais.

Pilares inclinados ligados às sapatas com peças metálicas (veja abaixo), eles traduzem a opção do arquiteto por um aspecto natural. Neles se fixam as porcas-anéis, que prendem os cabos de aço.

Pilares inclinados ligados às sapatas com peças metálicas (veja abaixo), eles traduzem a opção do arquiteto por um aspecto natural. Neles se fixam as porcas-anéis, que prendem os cabos de aço.

Conector metálico peças de aço galvanizado (desenhadas por andre e executadas pela carpinteria) unem os troncos de eucalipto (25 cm de diâmetro) aos pilaretes de concreto, base que separa a estrutura do solo

Conector metálico peças de aço galvanizado (desenhadas por andre e executadas pela carpinteria) unem os troncos de eucalipto (25 cm de diâmetro) aos pilaretes de concreto, base que separa a estrutura do solo

Por ser leve, o pínus compõe a estrutura oculta das paredes, com perfis delgados. antes do acabamento externo de taubilhas (Usina araucária), uma membrana hidrófuga (LP Brasil) atua como barreira isolante.

Por ser leve, o pínus compõe a estrutura oculta das paredes, com perfis delgados. antes do acabamento externo de taubilhas (Usina araucária), uma membrana hidrófuga (LP Brasil) atua como barreira isolante.

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Vista aérea. Somando 35 m2, os decks de muiracatiara emolduram as casinhas. A cobertura usa telhas de fibras vegetais recicladas (onduline). “O modelo é ideal para regiões frias. Por baixo dele, instalei uma manta térmica aluminizada”, detalha o arquiteto.

Internamente, as paredes foram fechadas com placas de OSB (LP Brasil). “Como a área é compacta e perde pouco calor, pude dispensar outra manta isolante deste lado”, conta Andre.

Internamente, as paredes foram fechadas com placas de OSB (LP Brasil). “Como a área é compacta e perde pouco calor, pude dispensar outra manta isolante deste lado”, conta Andre.

À frente da cama, o painel da TV emprega tábuas de cedrinho descartadas de madeireiras.

À frente da cama, o painel da TV emprega tábuas de cedrinho descartadas de madeireiras.

A madeira se repete até no banheiro: bancada de garapeira, parede de cedrinho e piso de ipê.

A madeira se repete até no banheiro: bancada de garapeira, parede de cedrinho e piso de ipê.

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As varandas são pequenos mirantes para o verde da fazenda onde está o terreno, no Rancho Santo Antônio. Nenhuma madeira recebeu tinta nem verniz.

Os oito pilares de sustentação se mostram levemente inclinados, tal qual as árvores ao redor. Na fachada, o revestimento de taubilhas (telhas artesanais de madeira) lembra a casca envelhecida dos troncos, como se a construção quisesse passar despercebida, camuflada na floresta.

O objetivo do arquiteto paulista Andre Eisenlohr foi causar o mínimo impacto na área de 250 m2, parte de uma fazenda dedicada ao arvorismo, em Campos do Jordão, SP. “A ideia era criar duas casas de hóspedes. O próprio terreno ditou a forma”, conta Andre, que considerou uma dupla de araucárias fincada bem no meio do declive ao estudar a posição do conjunto. “Para não derrubá-las, desenhei unidades de 23 m2 cada uma, interligadas por um deck.”

Não houve movimentação de terra – suspensos, os módulos ficam protegidos da umidade e não interferem nos fluxos de água e vento. A medida também preserva a madeira, onipresente no projeto: além dos pilares de eucalipto e da taubilha no exterior, ela aparece no esqueleto de pínus reflorestado das paredes, nas vigas de garapeira, no fechamento interno de placas de OSB e no piso de ipê, reaproveitado de um galpão demolido. “É importante empregar a espécie adequada a cada função, levando em conta a resistência, o peso e a dureza de cada uma.” Veja adiante outros detalhes da obra.

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 A favor da natureza

O primeiro trabalho de Andre Eisenlohr como profissional, em 2002, foi um chalé nesta mesma região serrana de São Paulo. Daí em diante, vieram outros. Seu escritório, o Cabana Arquitetos, persegue o ideal de sustentabilidade.

Por que o viés ecológico?

Na obra de estreia, entendi a importância de não movimentar a terra e conheci o eucalipto, comum nessas redondezas. Em 2006, fiz uma casa com sistema de construção seca, o wood frame, com paredes de OSB. Desde então, prefiro esse método rápido, sempre com espécies de reflorestamento ou manejo.

Como incorporou as técnicas de arvorismo e montanhismo?

Minha família é de Campos do Jordão, onde possui esta fazenda. Quando resolvemos transformá-la num ponto turístico voltado a esportes na natureza, pude participar da obra das estruturas para o arvorismo. Delas adaptei as plataformas, que abraçam as árvores em vez de perfurá-las com ganchos. Já para o contraventamento, normalmente feito de barras fixas, pensei: “Por que não tentar com os cabos de aço das tirolesas?” São bem eficientes para casas compactas. O curioso é que tive de montar minha própria equipe, com profissionais daquele universo. Em lugar de capacetes de obra, usamos os de alpinismo, e a cinta de carpinteiro foi substituída por cadeirinhas de escalada.

Matéria publicada na revista Arquitetura & Cosntrução em 19 de Setembro de 2014 por Deborah Apsan (visual) e Silvia Gomez (texto) | Projeto Andre Eisenlohr/Cabana Arquitetos | Fotos Victor Affaro

QUANDO O SIMPLES É BELO

A cor tem poderes transformadores. Ela é a salvação de um ambiente sem graça mesmo quando a gente não tem muito dinheiro para aquela reforma cara. Ela traz diferentes energias a qualquer casa: a milenar teoria do Feng Shui acredita, por exemplo, que o pink representa doçura, o verde traz harmonia e o amarelo, inspiração.

A designer francesa Caroline Gomez pode até não ter pensado nisso, mas que seu apartamento é uma graça, isto é. Ela vive com o marido e a filha em um edifício dos anos 30 na charmosa cidade de Bordeaux e usou as cores de forma precisa: destaca estrategicamente alguns cantos, cria pequenas surpresas e define áreas menores dentro de ambiente maiores. Tudo apenas com o uso inteligente dos tons. O décor contempla muito branco, tonalidades claras e escolhas cool de móveis e matéria-prima natural. Porque o simples é belo.

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Apartamento 2

Apartamento 3
Apartamento 4

Apartamento 5

Apartamento 6

Apartamento 7

Apartamento 8

Apartamento 9

Apartamento 10

Apartamento 11

Matéria publicada no Portal Living Design em 16 de Setembro de 2014

5 PROJETOS QUE UTILIZAM DRYWALL

5 projetos que utilizam drywall assinados por membros do CasaPRO

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No quarto: a cabeceira combina uma estrutura de 10 cm de espessura na porção superior a um painel coberto de laminado melamínico no padrão gris montano (Duratex) embaixo. Como complemento ao visual amadeirado, a parte de cima recebeu um papel com textura de trama de tecido (Detalhes e Decorações). “A solução com drywall, econômica e rápida, trouxe profundidade e aconchego ao quarto”, justifica a designer Ananda Bello, sócia da arquiteta Juliana Yamakawa no escritório paulistano by arq&Design.

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Entre sala e cozinha: há duas sugestões de emprego do drywall neste apartamento no interior de São Paulo, assinado pela arquiteta Érica Bragion, de Itatiba. A primeira tem efeito decorativo: na parede do passa-pratos, feita de alvenaria, instalaram-se placas simples, com três espessuras diferentes (2, 3,5 e 5 cm) e larguras variadas, para criar um jogo de volumes. A segunda aplicação está no forro, recortado para a instalação de spots e fitas de led.

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No banheiro: ao reorganizar o layout desta suíte, a arquiteta paulista Rose Ferraresi optou por divisórias de apenas 7 cm de espessura, revestidas de porcelanato. “Com isso, ganhei área tanto no quarto quanto no banheiro e aproveitei para trocar toda a hidráulica e elétrica, criando novos pontos para banheira e TV”, conta Rose. Utilizaram-se as chapas verdes, mais resistentes à umidade, com recheio de lã de rocha para abafar o som da água nos canos. Detalhe: a moradora permaneceu no imóvel durante toda a reforma.

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Na biblioteca: neste projeto da arquiteta paulista Patrícia Pasquini para a Casa Cor São Paulo 2013, o drywall forma um requadro escuro de 20 cm de largura em torno da estante com nichos laminados, cujo fundo mais claro, de papel de parede cinza (Bobinex), acabou realçado pelo contraste. “A moldura transforma a superfície num grande quadro”, diz Patrícia.

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No escritório: sem a opção de puxar pontos de luz da laje, a arquiteta Rafaela Lourenço, de Brasília, desenhou um painel em L no home office concebido para a mostra Morar Mais por Menos 2013, na mesma cidade. “Só a moldura emprega drywall”, explica a arquiteta. a estrutura de 10 cm embute lâmpadas fluorescentes, voltadas para o alto e para o chão. No centro, placas de OSB decoradas receberam spots direcionais, compostos de lâmpadas dicroicas de led.

Matéria publicada no Portal Casa.com em  Setembro de 2014 por  Carolina Diniz (visual) e Vera Kovacs (texto)

PAINÉIS DE MADEIRA DÃO MAIS ACONCHEGO À SALA

Na área social do apartamento, predominavam as paredes brancas, deixando os espaços sem atrativos. A instalação de painéis de madeira tornou o ambiente de jantar mais acolhedor.

Painel imprime aconchegoFaltava charme à sala de jantar, que já contava com mesa, cadeiras estofadas e bufê ebanizado. Foi quando entrou em cena o arquiteto Décio Navarro, que na ocasião decorava a varanda do apartamento. “Sugeri um painel de madeira para aquecer o ambiente e emoldurar o bufê, que ficava solto na parede”, recorda. A escolha recaiu sobre o cumaru, o mesmo material do piso. Para dar profundidade ao espaço, Décio incluiu espelhos no projeto, que acompanham a largura exata do móvel. Plantas, dispostas em coluna e cachepô de vidro, completaram o visual. Com a intenção de atender a todos os desejos dos moradores, o arquiteto dispôs o bar numa bandeja de medidas generosas. “Eles pensavam em comprar um móvel só para isso, mas acabaram aprovando a solução”, afirma.

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Réguas de tamanhos e lotes diferentes garantiram tons variados ao painel (Marcenaria Bretas), que recebeu apenas uma lixa leve e verniz PU. O espelho (Apiceart), dividido em duas partes (do teto ao bufê e do bufê ao rodapé), foi instalado numa segunda etapa

Matéria publicada no portal Casa Claudia  em 08 de Agosto de 2014

A ELEGÂNCIA DAS COISAS

A história do piso de caquinhos das casas paulistas

A casa da minha mãe tem o piso da varanda feito com esse mosaico como tantas outras casas paulistas dos anos 40/50 . Eu amo o piso de caquinhos de cerâmica vermelhos salpicado de cacos  pretos e amarelos. Descobri um texto que conta a história dessa moda. O autor é o Engenheiro Civil Manoel Henrique Campos Botelho que autorizou a sua publicação aqui.

O mistério do marketing das lajotas quebradas

Pode algo quebrado valer mais que a peça inteira? Aparentemente não. Mas no Brasil já aconteceu isto, talvez pela primeira vez na história da humanidade. Vamos contar esse mistério.

Foi na década de 40 / 50 do século passado. Voltemos a esse tempo. A cidade de São Paulo era servida por duas indústrias cerâmicas principais. Um dos produtos dessas cerâmicas era um tipo de lajota cerâmica quadrada (algo como 20x20cm) composta por quatro quadrados iguais. Essas lajotas eram produzidas nas cores vermelha (a mais comum e mais barata), amarela e preta. Era usada para piso de residências de classe média ou comércio.

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No processo industrial da época, sem maiores preocupações com qualidade, aconteciam muitas quebras e esse material quebrado sem interesse econômico era juntado e enterrado em grandes buracos.

Nessa época os chamados lotes operários na Grande São Paulo eram de 10x30m ou no mínimo 8 x 25m, ou seja, eram lotes com área para jardim e quintal, jardins e quintais revestidos até então com cimentado, com sua monótona cor cinza. Mas os operários não tinham dinheiro para comprar lajotas cerâmicas que eles mesmo produziam e com isso cimentar era a regra.

Certo dia, um dos empregados de uma das cerâmicas e que estava terminando sua casa não tinha dinheiro para comprar o cimento para cimentar todo o seu terreno e lembrou do refugo da fábrica, caminhões e caminhões por dia que levavam esse refugo para ser enterrado num terreno abandonado perto da fábrica. O empregado pediu que ele pudesse recolher parte do refugo e usar na pavimentação do terreno de sua nova casa. Claro que a cerâmica topou na hora e ainda deu o transporte de graça pois com o uso do refugo deixava de gastar dinheiro com a disposição.

Agora a história começa a mudar por uma coisa linda que se chama arte. A maior parte do refugo recebida pelo empregado era de cacos cerâmicos vermelhos mas havia cacos amarelos e pretos também. O operário ao assentar os cacos cerâmicos fez inserir aqui e ali cacos pretos e amarelos quebrando a monotonia do vermelho contínuo. É, a entrada da casa do simples operário ficou bonitinha e gerou comentários dos vizinhos também trabalhadores da fábrica. Ai o assunto pegou fogo e todos começaram a pedir caquinhos o que a cerâmica adorou pois parte, pequena é verdade, do seu refugo começou a ter uso e sua disposição ser menos onerosa.

Mas o belo é contagiante e a solução começou a virar moda em geral e até jornais noticiavam a nova mania paulistana. A classe média adotou a solução do caquinho cerâmico vermelho com inclusões pretas e amarelas. Como a procura começou a crescer a diretoria comercial de uma das cerâmicas descobriu ali uma fonte de renda e passou a vender, a preços módicos é claro pois refugo é refugo, os cacos cerâmicos. O preço do metro quadrado do caquinho cerâmico era da ordem de 30% do caco integro (caco de boa família).

Até aqui esta historieta é racional e lógica pois refugo é refugo e material principal é material principal. Mas não contaram isso para os paulistanos e a onda do caquinho cerâmico cresceu e cresceu e cresceu e , acreditem quem quiser, começou a faltar caquinho cerâmico que começou a ser tão valioso como a peça integra e impoluta. Ah o mercado com suas leis ilógicas mas implacáveis.

Aconteceu o inacreditável. Na falta de caco as peças inteiras começaram a ser quebradas pela própria cerâmica. E é claro que os caquinhos subiram de preço ou seja o metro quadrado do refugo era mais caro que o metro quadrado da peça inteira… A desculpa para o irracional (!) era o custo industrial da operação de quebra, embora ninguém tenha descontado desse custo a perda industrial que gerara o problema ou melhor que gerara a febre do caquinho cerâmico.

De um produto economicamente negativo passou a um produto sem valor comercial a um produto com algum valor comercial até ao refugo valer mais que o produto original de boa família…

A história termina nos anos sessenta com o surgimento dos prédios em condomínio e a classe média que usava esse caquinho foi para esses prédios e a classe mais simples ou passou a ter lotes menores (4 x15m) ou foram morar em favelas.

São histórias da vida que precisam ser contadas para no mínimo se dizer:
— A arte cria o belo, e o marketing tenta explicar o mistério da peça quebrada valer mais que a peça inteira…

Matéria publicada por Manoel Botelho é Engenheiro Civil e autor da coleção CONCRETO ARMADO EU TE AMO

CORES FORTES NESTE APARTAMENTO DESTACAM VOLUME DO CONCRETO

Cores intensas entraram neste apartamento paulistano só para realçar os volumes de concreto, como a escultural mesa curva, que desenha a fronteira entre sala e cozinha.

A mesa de concreto (1 x 3,40 m, com 7 cm de espessura) tem um dos lados apoiado no pilar e o outro engastado na parede amarela. Acima do tampo, pendente Zig (la lampe). A luz quente da arandela (rK.03061, da Reka) valoriza a textura da superfície ao fundo.

A mesa de concreto (1 x 3,40 m, com 7 cm de espessura) tem um dos lados apoiado no pilar e o outro engastado na parede amarela. Acima do tampo, pendente Zig (la lampe). A luz quente da arandela (rK.03061, da Reka) valoriza a textura da superfície ao fundo.

O ambiente da TV, por onde se acessa a suíte, ocupou o espaço antes dedicado ao segundo quarto. Embora conectado à cozinha e às salas, garante certo clima de recolhimento quando o morador deseja relaxar ou assistir a suas séries preferidas. Cabideiro da Clami, almofadas do Empório Beraldin e bandeja da Benedixt.

O ambiente da TV, por onde se acessa a suíte, ocupou o espaço antes dedicado ao segundo quarto. Embora conectado à cozinha e às salas, garante certo clima de recolhimento quando o morador deseja relaxar ou assistir a suas séries preferidas. Cabideiro da Clami, almofadas do Empório Beraldin e bandeja da Benedixt.

Pitada neutra. Com o objetivo de reduzir os contrastes ao essencial, adotou-se uma tonalidade discreta no paredão da sala. A tinta acrílica acetinada cinza (Sherwin-Williams, ref. proper gray, SW 6003) se estende ao banco-aparador de concreto. Sob a peça, uma fita de led produz luminosidade branda. Extrema ousadia. A ideia do chão berinjela surgiu depois que o arquiteto viu a cartela de 16 cores do Tecnocimento (NS Brazil). Rodrigo morreu de amores pelo visual inédito da opção. Apesar de colorido, o revestimento – aplicado no contrapiso – preserva as nuances características dos cimentícios. banquetas de cortiça da vitra e tela da mônica filgueiras galeria.

Pitada neutra. Com o objetivo de reduzir os contrastes ao essencial, adotou-se uma tonalidade discreta no paredão da sala. A tinta acrílica acetinada cinza (Sherwin-Williams, ref. proper gray, SW 6003) se estende ao banco-aparador de concreto. Sob a peça, uma fita de led produz luminosidade branda. Extrema ousadia. A ideia do chão berinjela surgiu depois que o arquiteto viu a cartela de 16 cores do Tecnocimento (NS Brazil). Rodrigo morreu de amores pelo visual inédito da opção. Apesar de colorido, o revestimento – aplicado no contrapiso – preserva as nuances características dos cimentícios. banquetas de cortiça da vitra e tela da mônica filgueiras galeria.

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Forte impacto. Neste canto da cozinha, o matiz fechado faz dobradinha com o piso: a parede ganhou tinta epóxi roxa (Sherwin-Williams, ref. concord grape, SW 6559). Jogo bicolor. Como arremate da bancada, o armário (Marcenaria Nova Geração) recebeu laminado vinho (Formica). Note que a faixa preta se prolonga até o final do móvel e segue pela mesa de concreto (cuja espessura foi pintada de tinta acrílica fosca) para criar a sensação de continuidade.

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O vão dentro das caixas de alvenaria acomoda prateleiras de madeira, que expõem livros e outros objetos de Saulo.

Tingir chão e paredes de tons atrevidos, numa verdadeira epifania colorida, foi uma escolha absolutamente natural do arquiteto Rodrigo Ohtake, que os usou para avivar as intervenções neste antigo apartamento. A reforma tinha nobre missão: recolocar o imóvel à altura de seu autor – o prédio paulistano leva a assinatura do arquiteto Abrahão Sanovicz (1933-1999), famoso pelo ideário racional. Coube a Rodrigo traçar novos planos, linhas e volumes para recriar a morada sem trair seu espírito modernista. Só bancada, prateleiras, banco-aparador e uma parede conservaram o visual cru do cimento (entre eles, sem dúvida, a mesa de jantar arredondada é a grande protagonista).

Se, logo no início da transformação, o jovem profissional estava inclinado a apostar suas fichas numa paleta animada, o morador ficou um tanto reticente. A ousada incursão pelas cores só aconteceu porque Rodrigo teve o cuidado de, na primeira conversa, esmiuçar o universo de seu cliente até compreender que o projeto deveria aliar movimento a aconchego. “Precisei deixá-lo namorar o roxo durante algum tempo. Aí ele se convenceu de que era a opção certa para o piso”, lembra o arquiteto. De fato, não passava pelo imaginário de Saulo Triani, bastante reservado e pouco afeito a exageros, viver num lugar tão vibrante. O mix energético, no entanto, contribuiu para o bancário esquecer o gosto por cores claras e neutras. E ele capitulou diante das evidências: sim, é possível somar tonalidades fortes e, ainda, manter o equilíbrio visual. Juntos, roxo, amarelo, verde, cinza, preto e vinho cumprem lindamente sua função. “Selecionei a cartela a fm de enfatizar a arquitetura”, explica Rodrigo. “Quando olhei pela primeira vez, vi que a combinação não poderia ter sido outra”, avalia o morador. “Adoro ficar descalço em casa, e o berinjela produz a sensação de calor, de maciez.”

Sem barreiras, o tom se estende por toda a área social com o encargo de alongar a superfície, enquanto o amarelo ressalta o volume do lavabo. Nada mau para quem, inicialmente, queria cinza nas paredes e azul-marinho no chão.

Matéria publicada na revista Casa Claudia em 14 de Agosto de 2014

UM TERRAÇO NO SOBRADO PARA SE EXERCITAR E CULTIVAR TEMPEROS

Neste quintal, é possível se exercitar, descansar ou plantar berinjela, cenoura, espinafre, rúcula ou agrião na horta.

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No sobrado paulistano, onde havia uma laje de piso cimentado, existe um terraço com direito a grama, pedriscos e vasos de plantas. Um presente para a carioca Fernanda, mãe de três filhas, que se mudou para a casa na Vila Madalena depois de viver por oito anos num apartamento no Morumbi. “Lá, precisava do carro para tudo. Agora, caminho pelo bairro e me delicio ao cuidar da horta que sempre quis ter. Colho berinjela, cenoura, espinafre, rúcula, agrião”, afirma. Adepta de alongamento, ela divide o espaço com o marido, praticante de ioga. As mudanças foram orquestradas por Denise Abdalla e Christiane Sacco, que posicionaram a mesa de mosaico no lugar ideal para que Fernanda pudesse ver o pôr do sol. “Eu me sento aqui com uma xícara de chá fumegante e me deixo levar pelos pensamentos”, diz ela, realizada com a nova casa.

O que traz bem-estar?

✓ Cultivar uma horta em casa e viver cercado da natureza.

✓ Sentir o Sol na pele sem precisar sair do espaço onde vive.

✓ Caminhar ou andar de bicicleta pelo bairro, deixando o carro na garagem.

✓ Exercitar-se regularmente, a fim de manter o corpo e a mente sãos.

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Matéria publicada pelo portal Arquitetura e Construção.

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Móveis planejados sem mistério

O mobiliário fixo da casa é um grande investimento, precisa durar muito tempo e ainda ficar bonito e prático. Por isso, vale a pena descobrir como as empresas dessa área funcionam e como tirar o melhor proveito de um projeto feito com elas.

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As empresas são inúmeras, e os produtos e serviços que elas oferecem também variam bastante. Portanto a sua escolha precisa começar com uma boa pesquisa. Veja revista, faça buscas na internet e nas redes sociais, informe-se com seu arquiteto ou decorador e visite os showrooms das marcas que você pré-selecionar (aproveite para constatar se o visual dos móveis agrada e se o atendimento é cordial). Atualmente, as grifes de planejados dispõem de soluções para todos os ambientes internos da casa, como cozinha, lavanderia, banheiro, closet, home theater e home office. “Indico a meus clientes que façam os armários de cozinha, área de serviço e closet com empresas desse tipo, pois elas conhecem as dimensões e acabamentos”, afirma a arquiteta Cristina Bozian.

É possível negociar

Além de se informar sobre a idoneidade da empresa, você precisa saber quanto os seus imóveis irão custar. As marcas de planejados, em geral, sofrem custos extras, como o ponto da loja, vendedores especializados reflete em produtos e serviços de qualidade, mas que dividido em muitas parcelas (até 12), o que permite diluir o custo do mobiliário ao longo dos meses. E bom desconto. Segundo as grifes consultadas , é muito comum o cliente fechar um pacote para decorar vários ambientes, o que aumenta seu poder de barganha.

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Como comparar

Para ir em busca de um orçamento, você precisa ter um desenho dos móveis em mãos. Ele pode ser traçado e detalhado por seu arquiteto ou por um profissional da própria marca de planejados. Se a ideia é comparar três orçamentos (o que é recomendável), a diversidade oferecida pelas grifes (dimensões, materiais, ferragens) pode levar a valores muito díspares. “O consumidor deve estar atento aos detalhes para analisar corretamente”, diz João Farina Neto, presidente da Todeschini. Portas de vidro, por exemplo, são bem mais caras que as de MDF e laminado. Segundo Cristiane Oliveira Borsato, da Adresse, o segredo é procurar orçar os mesmos itens. “Fica difícil analisar dois orçamentos se um tem gavetas com amortecimento, e o outro, não.”

É sob medida?

As marcas costumam usar módulos prontos, o que implica certa limitação. Um exemplo?  Se o espaço disponível para seu armário de banheiro tiver 70 cm de largura e a empresa dispuser de um módulo de 65 cm, a área não será 100% aproveitada. “Mas, nas melhores lojas, as medidas são mais flexíveis e, com a ajuda de um profissional, você chega a uma combinação de módulos que garantirá um bom aproveitamento”, explica a arquiteta Luzia Ralston, da Faz Arquitetura. A Kitchens está entre as grifes que produzem projetos sob medida. “Trabalhamos não só com variações de centímetros mas também de mílimetros”, afirma Alexandre Toffani, designer da marca.

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Ferragens Resistentes

“As ferragens usadas pela marcas de planejados costumam ser importadas e superiores às empregadas por pequenas marcenarias”, diz a arquiteta Cristina Bozian. Esse é o item que mais pesa no custo de um projeto, representado de 30% a 40% do valor total. Dentro de uma só empresa, é possível obter orçamentos diferentes para o mesmo armário apenas mudando o tipo de dobradiça e corrediça que ele terá. No entanto, se o vendedor recomendar uma ferragem reforçada para um gavetão, é bom seguir o conselho – você não vai querer que nada despenque. “Uma boa conversa com o projestista esclarece como você pretende utilizar o móvel e em quais ferragens ou acessórios vale a pena investir”, explica Edson Busin, diretor de marketing de Dell Anno.

Vantagem: manutenção

Outro ponto positivo das grifes de planejados, segundo arquitetos e decoradores, é o pós-venda, ou seja, a disposição da empresa em realizar reparos e resolver problemas quando o móvel já está instalado – mesmo depois de anos. Algumas oferecem assitência permanente, a exemplo de Adresse e Bontempo. “As marcas conceituadas têm um bom sistema de mautenção e continuam dando suporte ao consumidor”, indica a arquiteta Alice Martins, sócia de Flávio Butti. Desconfie se esse serviço não existe e se a garantia for inferior cinco anos. Antes de fechar a compra, atenção ainda ao prazo de entrega: em geral, são 30 dias úteis ou 55 dias corridos após a checagem das medidas.

Fonte: Casa Claudia: Agosto de 2013

Espaço Multiuso

Se por um lado o encarecimento de restaurantes e a insegurança aumentaram a vontade de receber em casa, por outro o trânsito e a dificuldade de locomoção trouxeram a necessidade de estruturar espaços de trabalho em casa. São motivos como esses, dizem decoradores e arquitetos, que acarretam as atuais tendências para as residências de São Paulo.

Para a arquiteta Fernanda Marques, morar e trabalhar em um mesmo local parece ser uma evolução natural da vida em todas as grandes cidades do mundo. “Ao mesmo tempo em que é cada vez mais difícil se deslocar, é cada vez menos necessário. Muitos serviços podem ser feitos on-line.”

Entender a necessidade de ambientes multifuncionais também é essencial para melhorar o uso do espaço. Como diz a designer de interiores Marília de Campos Veiga, a primeira coisa a fazer antes de habitar qualquer espaço é entender o seu uso real.

“Muitas pessoas fazem quarto para hóspedes, quando só recebem uma vez por ano. Melhor fazer um ‘home-office’ com sofá-cama.”

Superaproveitamento

Para quem tem espaços pequenos, confira dicas da designer Marina Linhares de alguns de seus projetos

1. Transforme o espaço embaixo da escada num cômodo para leitura todo de madeira e com uma estante modular e uma escrivaninha, ambos bem iluminados.

2. O hall pode virar um espaço para leitura e descanso de objetos, com sofá, um banco usado como revisteiro e cabideiro para chapéus e bolsas.

3. Para integrar a sala de estar a uma sala de jogos para as crianças, a solução foi criar um baú com rodinhas (perto da cortina, à dir.) onde são guardados os brinquedos. As cores da cortina e do sofá dão um ar divertido ao “living”.

ELETRO EM ORDEM
Para não ter problemas com eletroeletrônicos na casa nova, meça nichos, portas, janelas e elevadores antes de fazer a mudança e verifique se tudo vai passar ou caber. Geralmente, os sites das fabricantes dos aparelhos informam as especificações deles. Também se certifique de que todas as tomadas estão adequadas a cada produto. Alguns podem precisar de amperagem e fiação mais forte, como é o caso de geladeiras e máquinas de lavar.

MOBÍLIA SOB MEDIDA
Com a redução dos tamanhos dos imóveis e o encarecimento no valor dos mesmos, um mobiliário feito sob medida pode evitar a impressão de desorganização. Mas planejá-lo demanda alguns cuidados.
O primeiro é analisar os tamanhos das roupas e objetos, para que o móvel seja construído de forma adequada. Com o projeto em mãos, exija que as medidas sejam feitas pelo marceneiro pessoalmente. Sérgio Barbosa da Silva, da S.A. Marcenaria, diz ser comum clientes e até arquitetos passarem dados errados de altura, comprimento e largura.

MÓVEL LAQUEADO
Outra dica do marceneiro Sérgio Barbosa da Silva é pensar bem nos materiais que irão revestir os móveis. Laqueados são os campeões da preferência e ficam coloridos e com brilho. Mas o material não é bastante durável. Não pode ficar exposto a locais com sol direto porque a laca resseca e racha. Além disso, lasca fácil e risca. Então, o ideal é usar essa pintura em itens que não sejam de muita utilização e manuseio. Em uma cozinha, a opção é o gofrato -também chamado de fórmica líquida. O material cria uma pintura fosca, obtida com tinta de poliuretano, que reproduz um acabamento laqueado microtexturizado. Sua durabilidade é mais alta que a de pinturas normais, e a paleta de cores exibe mais de 500 variedades.

MICO
“Não deixe sua casa parecendo um safári, com todas as estampas cansando o ambiente. Escolha uma peça para ousar, como almofadas.”

Matéria originalmente publicada em: Folha de São Paulo 31 de Março a 6 de Abril de 2013