LIFESTYLE & DESIGN: MUDANÇAS DA CASA NA BIENNALE INTERIEUR

Sou suspeita para falar sobre “Biennales” (acabei de postar aqui para vocês a de Arquitetura de Koolhaas) mas esta certamente vai parecer mais interessante, justamente porque foi criada para atender o Design, especificamente o de interiores. Estou falando da desconhecida Biennale Interieurque novamente guiada por Lowie Vermeersch, conseguiu reunir, com um sofisticado equilíbrio, uma selecionado grupo de expositores, prêmios como o famoso Interieur Awards, mostras, espaços e eventos projetados sob medida.

Alias na Biennale Interieur 2014 com mostra de seus 35 anos.

Alias na Biennale Interieur 2014 com mostra de seus 35 anos.

Com o tema geral de “SQM: The home does not exist”, conduzido pelo grupo Space Caviar, fundado por Joseph Grima e Tamar Shafrir foi colocada em discussão a validade da noção do objeto “doméstico”, já que a casa, como conhecíamos, não existe mais. E é aqui que esta se cruza com a intuição genial de Koolhaas, como vimos neste post.

Abet Laminati coleçào de Laminados Print HPL collezione 2015-2018.

Abet Laminati coleção de Laminados Print HPL collezione 2015-2018.

Para ambos, a casa (e a arquitetura) não precisa mais ter ou ser um escudo para defender-nos das intempéries, como uma vez descreveu Le Corbusier, mas porquê a sua função de “palco” para os rituais sociais se transformou profundamente. Quem é que está pensando nisto hoje? 

Nascida em 1968, a Biennale Interieur sempre mostrou produtos de vanguarda, todos rigorosamente já em série – conceito aqui tem muito pouco, o que também é excitante depois de uma Biennale de Venezia cheia apenas de idéias, eu garanto – e mantém a promessa de 40 anos atrás, justamente no momento em que a grande e escura crise econômica continua a atravessar a Europa, diminuindo não apenas a confiança de muitos expositores mas sobretudo a venda de mobiliário.

O prèmio Belgian Designer of the Year para Marina Bautier.

O prêmio Belgian Designer of the Year para Marina Bautier.

E aqui reflito com meus botões: será que não devemos fazer um mea-culpa? Será que este fenômeno é culpa só da crise ou também dos designers + empresas que não estão acompanhando verdadeiramente os novos estilos de vida e continuam a projetar “mais do mesmo”? Os consumidores migram velozmente para o concorrente não porque ele custa menos mas sim porque ele oferece “aquilo” que eles realmente precisam. Não estamos mais na época do preço e sim, do valor, não esqueçam. Valor aqui, ao menos em uma economia emergente, è ter em casa um objeto que atenda meus desejos!

ps.: Você sabe realmente o que seu cliente “deseja” e não o que ele “precisa”?

TOG com os novos designs de Matteo Orlandi e Carlotta Modica Amore.

TOG com os novos designs de Matteo Orlandi e Carlotta Modica Amore.

O antídoto, acreditem ou não, é sair de trás da escrivaninha diária, dos problemas do dia-dia e dos projetos de “mesmice copy+paste” e visitar estas biennales. Tenho certeza de que alguma inspiração de bom resultado projetual e comercial irá surgir!

Matéria publicada no blog da Fah Maioli em 13 de Novembro de 2014