NESTA NOITE DE NATAL, ‘VISTA’ O SEU COMPUTADOR

Relógios e pulseiras inteligentes podem não fazer muito volume embaixo da árvore de Natal, mas qualquer fã de tecnologia ficará muito satisfeito em ganhá-los neste fim de ano. Os produtos são os mais comuns até agora entre os chamados “wearables”, que prometem mudar a forma como as pessoas interagem com a tecnologia ao levar funções do computador a itens como peças de roupa e acessórios.

Tome-se o caso do Moto 360. O relógio inteligente da americana Motorola permite checar a previsão do tempo, ver notificações de mensagens recebidas no celular e traçar rotas, entre outras funções. O dispositivo parece um relógio tradicional, com formato redondo e botão, o que mostra o esforço da indústria para tornar seus produtos mais atraentes ao consumidor. A ideia é conquistar não só os fãs de tecnologia, mas qualquer usuário que acompanhe as tendências da moda.

É curioso que os relógios, que foram abandonados por muita gente com a popularização do celular, sejam agora tão explorados pelos grandes fabricantes. Em parte, isso decorre do fato de que os novos dispositivos vão muito além de mostrar as horas. A finlandesa Polar, tradicional fabricante de medidores de frequência cardíaca, levou essa funcionalidade a relógios como o M400. Com isso, eliminou o uso da faixa que os esportistas eram obrigados a usar ao redor do peito – e que sempre foi motivo de incômodo e reclamação. O aparelho também funciona como GPS para registrar percurso, tempo do exercício etc.

A Microsoft Band vai na mesma linha e ajuda a monitorar a saúde, mas sob o formato de uma pulseira. Com ela, dá para saber como anda a qualidade do sono, contar o número de passos dados, seguir planos de exercícios etc.

Parte desses dispositivos vêm com assistentes pessoais digitais – sistemas que interagem com o usuário e aos quais é possível dar comandos de voz. A Microsoft Band vem com o Cortana, por enquanto disponível só em inglês. O Moto 360 usa o Google Now, que já fala português.

Rapidez é uma exigência na indústria de alta tecnologia. Os “wearables”, que eram uma promessa pouco tempo atrás, já se transformaram numa categoria de consumo. O mesmo pode acontecer com as impressoras 3D. Em tese, essas máquinas podem fazer qualquer coisa ao usar diversos tipos de material para “imprimir” um projeto criado no computador. Primeiro, a impressão 3D chegou ao mundo industrial. Depois, começou a ser adotada por fanáticos por tecnologia. Agora, já tem produtos para o consumidor como a Ekocycle Cube, da 3D Systems. O produto é resultado de uma parceria entre a companhia da Carolina do Sul e a Ekocycle, criada pela Coca-Cola e o músico wil.i.am, do Black Eyed Peas. A aliança tem o objetivo de estimular a manufatura de produtos com base em material reciclável. A Ekocycle Cube usa como matéria-prima um tipo de plástico feito a partir de garrafas PET.

As telas, em seus diversos formatos, continuam sendo uma atração especial. Parece não haver limite para o tamanho das televisões. No ano passado, os maiores modelos chegavam a 80 polegadas. Agora, superam os 100. Tanto a LG como a Samsung – ambas coreanas – lançaram recentemente modelos de 105 polegadas. O aparelho da Samsung tem tela curva, que dá sensação de imersão ao espectador, e qualidade de imagem 4K (ou quatro mil pixels), oito vezes melhor que o Full HD. A LG trouxe um modelo 5K, cuja tela também é curva mas tem um formato esticado, mais parecido com uma tela de cinema. Mas Papai Noel tem de ser muito generoso. O aparelho da LG custa R$ 300 mil. O da Samsung sai por R$ 500 mil.

No universo dos smartphones, telas grandes também estão ficando populares. O Mate 7, da chinesa Huawei, tem tela de 6 polegadas, uma das maiores do mercado. O aparelho usa uma versão do sistema operacional Android, do Google, muito bonita e rápida. Adota o padrão 4G; tem sensor biométrico, o que aumenta a segurança das informações; e vem com câmera de 13 megapixels.

No campo dos tablets, a Samsung lançou dois modelos da linha Galaxy Tab S, com telas de 8,4 e 10,5 polegadas. São finos e têm acabamento com bordas douradas, um apelo adicional para quem procura estilo.

Boa parte dessas novidades não está disponível no Brasil ainda. Para obtê-las é preciso comprar no exterior ou em sites internacionais que fazem entregas no país. Em quaisquer dos casos, é preciso ficar atento aos custos. Os preços indicados não incluem o imposto sobre valor adicionado, cobrado nos Estados Unidos, nem a tributação brasileira.

Uma boa notícia para não depender dos importados é que a Go Pro começou a fabricar seus produtos no Brasil. As câmeras compactas da companhia americana tornaram-se uma febre porque podem ser acopladas a capacetes e peças de roupa, o que ajuda a captar imagens em movimento com alta resolução. No recente show do cantor inglês Paul McCartney em São Paulo, havia instruções expressas para os fãs não usarem os bastões que costumam acompanhar a Go Pro. A versão 4, a mais recente, ainda não é produzida no Brasil.

Para os esquecidos, uma sugestão é comprar o The Tile. Trata-se de um bloquinho de plástico que se liga ao celular por conexão Bluetooth, criando uma espécie de cerca digital. O usuário pode atar o dispositivo à sua bolsa ou à chave de casa, por exemplo. Ao se afastar muito, o celular avisa.

É cedo para dizer quais serão os presentes do Natal de 2015, mas a expectativa é que os “wearables” fiquem ainda mais fortes. A Apple planeja lançar seu relógio inteligente, o iWatch, até meados do ano que vem. Também se espera para os próximos meses a chegada dos óculos Google Glass. É bom guardar dinheiro desde já.

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Matéria publicada no jornal Valor Econômico em 09 de dezembro de 2014.

CASA INTELIGENTE CHEGA AO MERCADO EM 2020

Em menos de dez anos, móveis e eletrodomésticos terão capacidade de reconhecer pessoas e falar com elas para ajudar nas tarefas de casa. Se essa realidade ainda parece estar distante dos lares brasileiros, no Japão a tecnologia já foi desenvolvida. Chega ao mercado em 2020.

A companhia de eletroeletrônicos Panasonic começou neste ano a expor para consumidores em Tóquio os protótipos de uma série de produtos criados para a automatização do lar, uma linha que lembra os episódios dos Jetsons, desenho animado “futurista” dos anos 1960.

Logo na entrada da casa do futuro exposta pela multinacional japonesa, uma câmera de segurança que reconhece a face dos donos agiliza a abertura da porta.

Dispositivo digital reconhece ingredientes e fornece dicas de receitas a seus usuários

Dispositivo digital reconhece ingredientes e fornece dicas de receitas a seus usuários

A entrada de encomendas também será facilitada. Alimentos quentes ou gelados poderão ser colocados pelo entregador em compartimentos que se adaptam às condições de temperatura: o recipiente se resfria para receber a carne ou se aquece quando entra o pão quente.

As encomendas vêm do mercado com um código que carrega, além das condições de temperatura, outros dados como tamanho e tipo de produto, informações que poderão ser consultadas pelo consumidor por comando de voz.

CÔMODOS INTERATIVOS

O cozinheiro que perguntar para o dispositivo digital interativo instalado em sua cozinha quais pratos pode preparar com a carne que acaba de receber ouvirá da máquina uma lição sobre o modo de preparo.

Se rejeitar a dica, recebe receitas alternativas.

No banheiro, o espelho com sensores no chão será capaz de identificar informações como pulsação e peso de quem estiver a sua frente.

Além da avaliação médica, vai oferecer opções de maquiagem. Mesmo se estiver com o rosto limpo, a dona do espelho poderá se ver refletida usando batom vermelho e olhos pintados. A tecnologia também permite combinações de roupas. Na cama, há sensores que ajustam automaticamente a temperatura e a luminosidade do quarto.

Nos próximos anos, a empresa precisa estudar as condições de mercado. Atualmente, está em fase de fechamento de parcerias com prestadores dos serviços.

Algumas das invenções recentes da japonesa já estão no varejo, como as máquinas de lavar que identificam a quantidade de sujeira nas roupas para evitar desperdício de água e as geladeiras que registram os horários de maior consumo do dono, funcionando em modo de economia de energia nos outros.

Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo em 30 de Novembro de 2014

O QUE É ARQUITETURA OPEN-SOURCE?

Conheça a arquitetura open-source, movimento que se articula mundialmente para democratizar o acesso a bons projetos.

Imagine entrar num site, baixar as plantas de certa moradia desenhada por um profissional de ponta e poder construí-la? Essa é a ideia do ainda embrionário conceito de arquitetura open-source, movimento que se articula mundialmente para democratizar o acesso a bons projetos – tema quente para nossa discussão sobre o que é O Melhor da Arquitetura.

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Foi preciso que Joana Pacheco, nascida em Lisboa, trabalhasse por sete anos em escritórios tradicionais de Portugal e também dos Estados Unidos para se fazer a pergunta um tanto incômoda: como a arquitetura pode ser mais democrática e economicamente viável? “Eu me dei conta das barreiras financeiras de acesso ao design. A oferta com qualidade é pobre. As pessoas não gostam dos tipos de projeto que podem comprar, mas não têm escolha”, a irma Joana, arquiteta que resolveu, então, criar uma empresa para suprir esse nicho, o site Paperhouses, com sede em Nova York. Sua percepção despertou com a crise de 2008, catalisada pela bolha imobiliária americana.

 

“A depressão consolidou meu ponto de vista: as condições da habitação para a classe média não estavam adequadas aos meios atuais.” Mas nem é preciso ir muito longe. Basta olhar ao redor para entender aonde Joana quer chegar. Independentemente do nível dos projetos, o valor das moradias não para de subir nas maiores cidades brasileiras. Entidade ligada à Universidade de São Paulo (USP), a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) elabora um índice mensal, o FipeZap, que acompanha o preço médio do m2 de apartamentos prontos de 16 municípios. Esse indicador cresceu 12,9% se compararmos março deste ano ao mesmo mês de 2013. Segundo a pesquisa, em São Paulo, o m2 chega a R$ 13 863, no bairro da Vila Nova Conceição. No Rio de Janeiro, atinge R$ 22 116, no Leblon. É nesse quadro que começamos a ouvi r a expressão “arquitetura open-source”. “Emprestado do universo digital, o termo está relacionado ao conhecimento aberto, ao creative commons, de licenças livres”, explica Ana Isabel de Sá, arquiteta e pesquisadora de espaço urbano e cultura digital

 

Na prática, a principal ideia por trás do conceito é a democratização. “Todo mundo deveria ter direito aos benefícios do bom design. O open-source permite oferecer os recursos para muitos”, afirma Michael Steiner, arquiteto do Architecture for Humanity, organização de ação global. Focada em soluções para áreas carentes, a entidade conta com a rede Open Architecture Network, em que profissionais e empreendedores compartilham, comunicam e administram métodos construtivos.

 

Não é de se estranhar, portanto, que os primeiros sinais do movimento tenham aparecido no âmbito das cidades, questionando as práticas tradicionais de planejamento urbano por meio de aplicativos e sistemas participativos em rede, nos quais a comunidade aponta problemas e se organiza para encontrar soluções. Ana Isabel cita como exemplo o Hybrid Space Lab, escritório alemão interdisciplinar: “Seus integrantes acreditam que esses tipos de plataforma substituirão gradualmente a lógica de design da era industrial, desde quando os criativos projetam para as massas”. Com tal premissa, bolaram o City Kit, espécie de jogo online em que os moradores de Hong Kong simulam virtualmente mudanças para seus bairros. “Apesar de funcionar como celeiro de ideias, algumas propostas sugeridas ali já foram reproduzidas na prática.”

 

Seguindo rastros como esse, Joana vislumbrou o Paperhouses, cujos passos iniciais ocorreram em 2012 (o lançamento oficial do site é neste mês). “Queríamos associar qualidade, com talentos do mundo todo, a uma consciência de custo, descentralizando a construção. Por outro lado, pareceu a nós que essa seria uma oportunidade de dar um real sentido ao ideal de arquitetura participativa. Assim, surgiu a noção do open-source – os projetos oferecidos não têm as restrições típicas de direito autoral e, por isso, podem ser utilizados como base para variações pelos usuários, partilhadas no link da comunidade de cada casa”, explica Joana.

 

Mas, afnal, como funciona? Escritórios top como o chileno Panorama, o húngaro sporaarchitects e o da mexicana Tatiana Bilbao foram convidados a elaborar casas de 50 a 200 m2. Exclusivas, são disponibilizadas gratuitamente no endereço online: você acessa o programa, as plantas kesquemáticas e as imagens exteriores, interiores e em 3D. No Brasil, o arquiteto escolhido foi Angelo Bucci, cuja proposta ainda está em etapa preliminar. “A iniciativa merece atenção pelo desafo. Vejo como uma janela para expandir nossos campos de diálogo”, analisa. Parece simples. No entanto, uma questão crucial se coloca, relacionada à adequação do desenho genérico às circunstâncias locais, desde o perfl do lote até os hábitos culturais. “Essa é a grande provação de qualquer proposta sem terreno. Trata-se apenas de uma matriz, que tem de ser adaptada do ponto de vista da estrutura, das instalações e, inclusive, das regras de edifcação do lugar. Para tal, o usuário deve assumir a responsabilidade da obra, contratando um arquiteto ou engenheiro, ou delegá- -la a uma das construtoras sugeridas”, detalha Joana. Ela se refere a uma série de empresas de cada país recrutadas pelo site (por aqui, essa é uma fase ainda em andamento).

 

O acordo prevê valores fixos. “Esses preços são sindicalizados, ou seja, tiram partido do número de registros por área. Dessa maneira, o interesse comum de certo grupo de pessoas na cidade de São Paulo, por exemplo, assegura um desconto coletivo por causa da produção em maior escala. Calculamos uma economia total de cerca de 30% em relação a uma obra tradicional.” Talvez aí more seu grande trunfo, uma vez que o valor do projeto em si não pode assumir a culpa pelo alto custo de uma moradia hoje, sobretudo nas metrópoles cujo metro quadrado e mão de obra são de custos exorbitantes. “Sua participação é mínima em relação a todos os itens”, defende Angelo Bucci. E, já que estamos falando de preços, por quanto sairia uma casa do Paperhouses? “No Brasil, até o processo estar concluído, estimo que entre R$ 125 mil e R$ 500 mil, de acordo com o tamanho”, prevê Joana

 

Para o arquiteto participante, além da divulgação midiática, envolver-se nesse modo de trabalho significa responder aos dilemas impostos pela complexa vida nas cidades. No Paperhouses, ele assume o risco de só receber caso seja firmado um contrato de consultoria para a construção. “No entanto, muitos veem aí uma nova forma de fazer arquitetura, que tem não somente virtudes sociais como também representa intelectualmente um desafio”, garante Joana.

 

Angelo reforça o viés cultural: “Só faço arquitetura nesse sentido, pois não acho que, individualmente, do ponto de vista comercial, essa proposta vá mudar minha atuação. Por isso, achei importante que o site não disponibilizasse os desenhos executivos, bastante caros para serem produzidos e claramente endereçados a profissionais e fornecedores específicos. Eles seriam um alto investimento nosso que, ao final, teriam pouca capacidade de universalização”.

 

O compromisso social é o principal foco de outro sistema open-source, o pioneiro WikiHouse. Idealizado em 2011 pelos designers ingleses Alastair Parvin e Nick Ierodiaconou, tinha um intento radical: viabilizar um método construtivo barato e compacto, passível de ser executado por qualquer pessoa. Para isso, os dois inventaram um modelo de casa cujo esquema você baixa no site, imprime as peças de madeira numa máquina 3D e monta. Fácil? Nem tanto, mas, desde que o conteúdo entrou no ar, cinco protótipos já apareceram pelo mundo, em países como Nova Zelândia e Estados Unidos. “Se formos sérios aoenfrentar as consequências da rápida urbanização e das mudanças climáticas, precisaremos desenvolver estruturas autônomas sustentáveis e colocá- las para uso comum”, diz Alastair. O site conta com um sócio no Brasil, o pesquisador Jimmy Greer, também inglês. “Achei que seria muito bom utilizar o WikiHouse no Rio de Janeiro como um laboratório dentro das favelas, agregando o conhecimento da comunidade às condições locais”, explica Jimmy, que se juntou ao empreendedor social carioca Anderson França, o Dinho. “Somos voluntários e, apesar de não termos um espaço oficial definido para instalar o escritório ou uma região fechada para atuar, já conseguimos o equipamento. A previsão é de que tudo esteja funcionando dentro de um mês”, promete Jimmy. Se der certo, o modelo “made in Rio” vai virar exemplo e ser partilhado no site. Como manda o open-source.

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Matéria publicada pela revista Arquitetura e Construção em Maio de 2014.

EMPRESA JAPONESA DÁ ADEUS À LINHA DE MONTAGEM

Na fábrica da empresa japonesa Roland DG Corp., produzir impressoras com milhares de peças é tão fácil quanto um brinquedo de montar.

Isto porque a Roland DG, uma pequena empresa com 966 empregados e vendas anuais de cerca de US$ 300 milhões, fabrica todos os seus produtos, desde impressoras de cartazes até máquinas para modelar coroas dentárias, usando um sistema avançado de produção conhecido como “D-shop”.

Por este método, os funcionários da fábrica, trabalhando em baias individuais, montam produtos do início ao fim, guiados pelas imagens em 3-D exibidas num computador e utilizando as peças fornecidas por prateleiras giratórias automáticas. Todo funcionário é capaz de montar qualquer variação dos cerca de 50 produtos da empresa.

A evolução da Roland DG, de quem a fabricante de pianos digitais Roland Corp. tem uma fatia de 40%, começou em 1998, quando ela se tornou uma das primeiras empresas do Japão a abandonar a linha de montagem em favor das baias individuais de trabalho, inspiradas nos quiosques japoneses que vendem macarrão. Com os pedidos chegando em lotes cada vez menores, a Roland DG decidiu que precisava de um sistema de produção em que apenas um funcionário pudesse construir qualquer um de seus diversos produtos.

Desde então, a empresa vem fazendo experimentos com a ajuda crescente da tecnologia e de manuais de instrução para atingir seu objetivo.

Recentemente, na fábrica da Roland DG na cidade de Hamamatsu, no centro do Japão, uma funcionária estava montando do zero uma impressora industrial que, no fim, ia ter mais que o dobro de seu tamanho e pesar mais de 400 quilos. Outro funcionário que acabou de entrar na empresa estava fazendo um protótipo de uma fresadora. E um terceiro fazia a máquina para coroas dentárias.

O monitor de um computador exibe instruções passo a passo da montagem em imagens 3-D: “Aperte o Parafuso A nestes oito lugares” ou “Fixe a Peça B utilizando o Suporte C”. Ao mesmo tempo, a prateleira rotatória gira para mostrar qual das dezenas de peças será empregada. Enquanto isso, uma chave de fenda digital verifica o número de voltas dadas nos parafusos e se eles estão bem apertados. Até que os parafusos tenham sido instalados de forma correta, as instruções na tela do computador não avançam para o próximo passo.

Os funcionários raramente ficam confusos, mas, quando isso acontece, eles apertam um botão e o gerente vem ajudar.

O sistema é tão simples que praticamente qualquer um pode montar produtos em qualquer lugar, dizem os gerentes. Quando os pedidos aumentam, a Roland DG procura trabalhadores de meio período. Depois de dois dias de treinamento, em que os operários praticam como conectar fios e apertar parafusos, as equipes começam a montar peças de impressoras, ou impressoras pequenas inteiras. “Podemos deslocar pessoas rapidamente para fazer produtos com maior demanda. É uma estrutura muito flexível”, diz Masaki Hanajima, gerente geral de produção.

Funcionários experientes são capazes de montar duas máquinas simultaneamente, ou realizar testes num produto acabado enquanto montam outro. “Nossa meta é dobrar a produtividade”, diz Hanajima. Ele afirma que a produtividade cresceu 60% desde o fim de 2010 nas fábricas japonesas da empresa.

A Roland DG afirma que os instrumentos digitais reduzem defeitos e ajudam a motivar os trabalhadores num mercado competitivo. O processo também contribuiu para manter a qualidade na fábrica da Roland DG na Tailândia, a primeira no exterior.

Como se não bastasse, o computador até incentiva os empregados no fim do dia, com a mensagem “Otsukaresama deshita”.

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Matéria publicada pelo Jornal valor Econômico em 04 de Junho de 2014 por Mayumi Negishi.