MASISA É CONECTAR A CADEIA PRODUTIVA

Plano de ação da Masisa envolve vários públicos que se relacionam com a empresa e tem foco na capacitação de profissionais e no crescimento do setor moveleiro

EM MEADOS DE 2013, A SUBSIDIÁRIA BRASILEIRA da chilena Masisa, uma das líderes em produção e comercialização de painéis de madeira na América Latina, resolveu olhar para sua cadeia de relacionamentos e identificar os gargalos da empresa e do setor. A análise trouxe à tona problemas conhecidos do segmento moveleiro, mas revelou também algumas questões que nunca haviam sido trabalhadas em profundidade pelo setor. A avaliação deu origem a um projeto que culminou na criação de seis frentes de trabalho – uma para cada público, como funcionários, clientes e fornecedores – e recebeu o nome de Cadeia da Prosperidade. “O objetivo é conectar toda a cadeia e fazê-la andar na mesma direção e velocidade para que todos cresçam de forma sustentável” , afirma Marise Barroso, presidente da Masisa na Brasil.

Uma ação que ilustra bem esse conceito é a parceria que a empresa firmou com o Senai do Rio Grande do Sul, do Paraná e de São Paulo para a criação e a ampliação de cursos gratuitos para marceneiros. Cerca de 1 500 pessoas foram capacitadas em 2013 e outras 2 000 serão formadas neste ano. A meta é atingir um total de 6 000 novos profissionais até 2015. “A falta de mão de obra qualificada é um dos principais gargalos do setor. Muito tempo atrás, a indústria automobilística fez a mesma coisa  com os mecânicos e hoje não tem mais esse problema” , diz Marise. Os cursos também dão noções de finanças e gestão de negócios. Com isso, ajudam os formandos que queiram abrir a própria marcenaria. “Criamos uma rede que beneficia vários agentes da cadeia, especialmente os fabricantes de móveis e as pessoas que buscam novas perspectivas profissionais” , afirma Marise. Em 2014, a novidade foi a criação de um curso de marcenaria exclusivo para mulheres, com material didático específico e novas disciplinas, como cidadania e autoestima. O próximo passo é ambicioso. Executivos da matriz, no Chile, estão trabalhando na criação de uma metodologia para calcular os impactos socioambientais da empresa. “Queremos saber qual é o custo dos impactos de nossas ações” , diz Marise.

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Matéria publicada na revista Exame em Novembro de 2014

15 PRODUTOS PARA POUPAR ÁGUA

Diante da atual crise hídrica, soluções contra o desperdício são essencias. Nossa intenção é ajudar você a decidir quais itens de sua casa merecem revisão – ou troca

Louça vitrificada previne entupimentos: desenhado por Philippe Starck, o sanitário suspenso Starck 2, da Duravit, usa 3 litros na descarga parcial e só 4,5 litros na completa (em vez dos 6 litros exigidos pela norma técnica brasileira). O acabamento vitrificado alcança até as partes ocultas, por isso a limpeza é simplificada. Com o assento de fechamento suave, vale R$ 2933, na Mais Revestimentos.

Programação auxilia no fechamento automático: ao encostar em qualquer parte da Ecotok Duo, da Japi, libera-se a saída de água. A interrupção se dá com o segundo toque ou automaticamente, em intervalos programáveis de 4, 8, 30 ou 60 segundos. A empresa não recomenda o uso em bancadas metálicas para evitar acionamentos acidentais. Caso falte energia, a torneira eletrônica atua como um modelo comum. Por R$ 406.

Um ajuste no parafuso limita a vazão: acessório versátil, o dispositivo EcoCasa, da Lorenzetti, funciona como regulador de fluxo e se encaixa em todos os tipos de torneira e misturador de bancada. A instalação é simples: exige apenas fita do tipo veda-rosca e um flexível-padrão para conectar o produto, que custa R$ 43,50, na Telhanorte.

No modo econômico, ducha gasta apenas 6 litros por minuto: nos produtos da linha EcoSmart, da Hansgrohe, um mecanismo mistura ar às gotas, reduzindo a quantidade de água gasta. Parte da coleção, a ducha Croma 100 despeja, em média, 9 litros por minuto e ainda oferece quatro tipos de jato, escolhidos com um giro na saída da peça. O preço dela é R$ 700,07, na Interbagno.

Ducha quatro em um: no modelo Sunami Plus, da Roca, pequenas alterações na dispersão da água dão origem a três jatos (chuva, soft e massagem), que variam de suave a intenso. Um quarto tipo – o economizador – reduz em 50% o consumo sem a perda daquela sensação de banho generoso. Por R$ 472.

Bidê bem atendido: No interior do monocomando Araguaia (ref. 9329), um anel controlador de fluxo reduz o líquido despendido pela duchinha higiênica. Próprio para bidês, o produto da Gaya sai por R$ 223.

Desenho limpo casa louça e torneira: fabricada pela japonesa Toto, a cuba Neorest (50 x 75 cm) já conta com misturador eletrônico acoplado, cujo fluxo é de somente 6,5 litros por minuto. O acionamento se dá por sensor de presença, e, caso o usuário não encerre o consumo após 60 segundos, o fluxo interrompe automaticamente. Por R$ 17,9 mil, na Metalbagno.

Descarga atualizada: um pequeno ajuste rende economia significativa e sem quebra-quebra: o Kit Conversor Hydra Duo (R$ 265) transforma a válvula de descarga embutida num modelo de duplo acionamento, com 3 e 6 litros por dispersão. Da Deca.

Mictório residencial, por que não? Ainda incipiente, o uso doméstico deste item pode fazer a diferença na conta ao final do mês. Cada descarga consome 1,5 litro, metade do que uma bacia econômica precisa para a tarefa. Com entrada de água superior e sifão integrado, o Mictório Vip, da Celite, custa R$ 464,30.

Misturador oferece resistência para manter fluxo baixo: no início do acionamento, percebe-se uma resistência no volante do modelo da linha Colors – sinal de que a saída está na posição economizadora. Vencidas as quatro fases do sistema Click, libera-se maior quantidade de água. Um disco interno regula a temperatura. O detalhe decorativo pode ser personalizado em seis cores (amarelo, azul, branco, rosa, vermelho ou verde). Da Celite, a peça vale R$ 364.

Torneira tira energia do movimento da água: graças ao sensor eletrônico de presença, a Decalux 1187.C só funciona pelo tempo que alguém permanece com as mãos sob a bica. A tecnologia não acaba aí: ao escorrer, o líquido gera força para o sistema de acionamento. O preço sugerido pela fabricante, a Deca, é R$ 2325.

Duas versões de acionamento: aqui, são dois produtos em um. Quando o volante é girado, o volume escorre pelo tempo que o usuário necessitar. Mas, se esse mesmo volante for pressionado para baixo, em vez de rotacionado, conservará a vazão por apenas dez segundos. No interior da torneira da linha Lóggica Flex, da Docol, também há um parafuso que regula o fluxo. A versão de bancada sai por R$ 342,95, na Telhanorte.

Injeção de ar na torneira: o sistema interno de dispersão dos misturadores da linha Concetto, da alemã Grohe, introduz uma parcela de ar no f luxo, o que diminui o consumo do recurso natural pela metade sem que a redução seja percebida pelo tato. A tecnologia EcoJoy, como é batizada, está presente em todos os produtos da coleção, caso do modelo à esquerda, vendido por R$ 918, na Vallvé.

Bacia ganha adaptador: vasos sanitários com caixa acoplada agora contam com ajuda extra. O mecanismo Dual Flush, da Censi, é um conversor universal que transforma o acionamento simples em duplo e permite a regulagem do gasto. Indica-se a utilização de 3 litros para eliminar líquidos e 6 litros para a descarga completa. Preço médio: R$ 73.

Modelo gourmet garante contenção até na cozinha: está com as mãos ocupadas preparando a comida? Por causa da tecnologia Touch20, a torneira automática Trinsic 9159T, da Delta Faucet, libera água ao ser tocada em qualquer parte de sua estrutura. A bica móvel deixa escolher dois jatos – o mais forte elimina sujeiras difíceis gastando menos, pois tem mais pressão com a mesma vazão. Por R$ 3578,12.

Sempre é tempo de economizar

Depois de entender como funciona seu equipamento hidráulico, fica mais simples pensar em soluções de maior eficiência. Confira três dicas preciosas.

1. Vazão e pressão são conceitos diferentes. No brasil, a primeira é medida pela quantidade de litros despendidos por minuto (lpm). Já a segunda determina a força com que esse jato se distribui, medida em metros de coluna-d’água (mca). Em resumo: o equipamento perfeito tem baixa vazão e alta pressão.

2. A pegadinha dos produtos trazidos de fora. Aqui, a rede de distribuição tem baixa pressão (chega a 2 mca em casas térreas). As empresas importadoras costumam embutir pressurizadores em torneiras e chuveiros oferecidos no mercado nacional, o que não acontece com o modelo que vem na mala.

3. Arejador e 1/4 de volta: o básico eficiente. Pense numa trama de minipeneiras no bocal da torneira. Para passar ali, a água se espalha e enche de ar, reduzindo o fluxo em mais de 30%. É o princípio do arejador. Já a liberação da água com apenas 25% do giro permite um controle mais fino da vazão, outro truque que salva litros.

Trcoa certa: uma boa reforma significa investir no futuro

- CHUVEIRO. Se seu equipamento for elétrico, você precisa zelar também pela rede de eletricidade da casa – em mau estado, ela desperdiça a capacidade do chuveiro, jogando fora não só água como também energia. Atualize a fiação para que se adapte à potência do produto. Assim, o controle da temperatura fica bem mais fácil. Já se sua morada for aquecida a gás ou outro sistema de passagem, o processo se simplifica: substitua o modelo ultrapassado por um poupador.

- BACIA SANITÁRIA. Nem sempre atualizar a descarga para o sistema de duplo fluxo é suficiente. A capacidade das bacias antigas era muito diversa, e substituir as peças de grande consumo se prova decisivo na conquista de um conjunto eficiente. Resolvida a louça, trocar a válvula embutida por uma de caixa acoplada pode exigir algumas interferências na distância do ponto de esgoto e na redução do diâmetro da tubulação – questões que devem ser avaliadas por um especialista.

Encontre vazamentos: perdas não visíveis causam desperdício justamente por serem difíceis de detectar

Basta um microfuro para a água conseguir escapar, o vazamento pode estar no ramal direto da rede (o teste deve ser feito numa torneira externa, ligada a essa canalização), no reservatório interno do edifício (em caso de apartamentos), na instalação alimentada pela caixa (comum em casas)… Em todas as situações, peça auxílio a um bom profissional capaz de encontrar a origem do problema. Sozinho, teste apenas a descarga do banheiro: jogue borra de café no vaso e espere que ela fique assentada no fundo. Se isso não acontecer, algo está errado. A solução? Chame um encanador para resolver o caso.

Matéria publicada na revista Arquitetura & Construção em Novembro de 2014

CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL: TÉCNICAS INOVADORAS

O Brasil está se transformando em uma referência mundial da construção sustentável. Várias iniciativas voltadas para a solução de problemas crônicos nas grandes cidades apontam para a consolidação de um novo paradigma na área. As edificações verdes já representam 9% do Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil e crescem 30% ao ano, segundo estudo da consultoria EY. Esse mercado de R$ 13 bilhões tem levado ao cotidiano alguns temas da ordem do dia, como eficiência energética, uso racional da água, técnicas construtivas inovadoras e novos materiais que favorecem o conforto e o bem-estar.

Fabíola Zerbini, diretora executiva do FSC: "A madeira extraída pelo manejo responsável preserva a floresta por meio de sua valoração econômica"

Fabíola Zerbini, diretora executiva do FSC: “A madeira extraída pelo manejo responsável preserva a floresta por meio de sua valoração econômica”

É uma boa oportunidade para se informar sobre modelos de certificações reconhecidas internacionalmente, como a Aqua-HQE, adaptada para o Brasil a partir de uma norma da França; a BREEAM, do Reino Unido, a DGBN, da Alemanha, a japonesa CASBEE e a americana LEED. No fim de julho o Brasil ultrapassou os Emirados Árabes Unidos no ranking de empreendimentos que buscam a LEED e agora ocupa a terceira posição, atrás dos EUA e da China. Presente em 153 países, o selo é concedido pelo Green Building Council (GBC).

“Planejar antes de projetar e construir é uma das exigências do Aqua-HQE”, diz o diretor executivo da certificação de origem francesa, Manuel Carlos Reis Martins. Lançada em 2008 pela Fundação Vanzolini, ela já certificou 305 edificações no Brasil, especialmente em prédios corporativos. A Fundação está realizando uma experiência-piloto de treinamento com corretores de imóveis para que apresentem as características de sustentabilidade dos empreendimentos aos investidores.

“Eficiência e racionalidade são questões primordiais a atacar”, avalia o engenheiro civil Marcelo Takaoka, membro do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS). Ele ressalta a importância da adoção de soluções sustentáveis na esfera urbana, que consome dois terços da energia mundial e ocupa só 3% da superfície terrestre. “Temos uma boa oportunidade de enfrentar as mudanças do clima no planeta trabalhando nas cidades”, diz. “É possível reduzir o consumo de energia em 30% com tecnologias já existentes, o que representaria uma economia anual de US$ 1,6 trilhão no mundo”.

Takaoka faz outro cálculo considerando os R$ 100 bilhões financiados em 2013 para a construção civil: “Se poupássemos 5% com eficiência e racionalidade, poderíamos ter uma economia de R$ 5 bilhões para o país”.

Ele lembra que a visibilidade da medição do consumo energético por meio de tecnologias como a smart grid é fundamental para a educação: “Se as pessoas não conseguem ver o quanto estão consumindo, não fazem ação nenhuma para melhorar”.

Para Adriana Levisky, vice-presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA), a adesão progressiva aos processos de certificação sinaliza mais sensibilidade do mercado ao tema, mas ainda é acanhada. “Não se pode falar de sustentabilidade olhando só para as questões ambientais”, afirma. “É preciso haver uma ação abrangente sobre os aspectos sociais, econômicos e culturais, de forma integrada, com planejamento contínuo e ajustes ao longo do tempo.”

Ela menciona o déficit habitacional do país, que demanda ações urgentes de regularização fundiária, habitação social e recuperação de espaços degradados. Levisky acredita que o momento abre muitas oportunidades para a construção civil, em especial em grandes programas, como o Minha Casa Minha Vida. “Por exemplo, há espaço para atuação em rede quanto à normatização de materiais, que pode agregar valor não só do ponto de vista energético, como com requalificação do processo produtivo.”

“Tudo começa pela consciência da finitude dos recursos”, reflete Benedito Abbud, reconhecido em 2013 com o prêmio Greening, do GBC Brasil, pela maestria no uso sustentável da arquitetura paisagística. “A cidade não é feita só de edificações, por isso são importantes os espaços de fruição onde as pessoas se encontram, namoram e trabalham.” Para Abbud, o novo Plano Diretor de São Paulo é avançado em pontos como a previsão dos pocket parks (miniparques), que inclusive podem ser áreas privadas, e dos parklets, alargamentos de calçadas utilizando duas vagas de automóvel.

A sensibilização das construtoras para o uso de madeira certificada é uma das prioridades da FSC (Forest Stewarddship Council), organização que promove o manejo florestal responsável em mais de 70 países.

Matéria publicada no jornal Valor Econômico em 26 de Agosto de 2014

CASA DOS SONHOS TOTALMENTE SUSTENTÁVEL

Descubra uma casa diferente de todas as que você já viu: nela, responsabilidade ambiental não é uma obrigação, e sim um grande prazer

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“Quando decidi deixar a cidade grande e me mudar para uma ecovila [pequena comunidade focada na preocupação com o meio ambiente e em uma convivência social harmoniosa] no interior de São Paulo, me perguntei: que tipo de lar pode refletir os meus ideais de uma vida em sintonia com o planeta? Em vez de priorizar linhas arquitetônicas, optei pelo prazer de fazer a minha própria morada, tal como um joão-de-barro. O conceito do projeto, de 150 m², nasceu com a ajuda da arquiteta Lara Freitas, que orientou a montagem da estrutura de eucalipto de reflorestamento, além da construção da fundação e da cobertura. Com esse esqueleto em pé, abracei o desafio de levantar as paredes de vedação aos poucos, em mutirões com amigos e vizinhos. Usamos diversos materiais e técnicas de bioconstrução: toquinho, adobe, tijolo ecológico, pedra e outros. Também implementei sistemas de captação e tratamento de água, telhado verde… E lá se foram cinco anos de obra! Tempo demais? Penso que mais importante do que ver a casa pronta foi participar desse processo.” Giuliana Capello, jornalista

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Matéria publicada pela revista Casa Claudia em Junho de 2014.

GALPÃO VIRA ‘LOFT DE CAMPO’ NO INTERIOR DE SÃO PAULO

Um galpão de 200 m², em uma fazenda em Araraquara (interior de SP), foi transformado em um loft. O projeto é do escritório Teto Arquitetura Sustentável.

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O conceito sustentável se vê no uso da madeira de reflorestamento tratada, no aproveitamento da estrutura metálica preexistente e no aterramento com entulho da própria obra.

A característica estrutural do galpão teve sua identidade preservada. Mas mudanças como a pintura das paredes originais e a construção de novas de tijolos garantiram a transformação visual.

O nível do pé-direito variável e o uso de materiais em sua forma natural (sem coberturas ou acabamentos) transformaram o espaço em um “loft de campo”, segundo o arquiteto Paulo Trigo.

A construção tem três suítes, área de serviço e sala de estar integrada com a cozinha gourmet e fogão à lenha. Todos os cômodos reforçam o desenho rústico, seja por meio da decoração, predominantemente feita de madeira, ou pelas instalações elétricas de cobre a mostra.

A estrutura metálica foi mantida, e novas paredes de tijolos aparentes foram levantadas para criar novos cômodos.

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Matéria publicada pelo jornal Folha de São Paulo 13 de Julho de 2014.

FACHADA DE HOSPITAL NO MÉXICO PURIFICA O AR

Graças à camada de dióxido de titânio pulverizada em sua superfície, os módulos da fachada do hospital Manuel Gea González, na Cidade do México, purificam o ar.

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Entenda, em cinco passos, a ideia do produto patenteado pelo estúdio alemão Elegant Embellishments.

1. A FACHADA. Por ser protegida com dióxido de titânio (TiO2 ), a superfície do painel de 2 500 m² é capaz de reduzir 98% dos compostos orgânicos voláteis que entram em contato com a estrutura, segundo seus criadores. A quantidade equivale aos gases produzidos por mil carros por dia na região.

2. COMO FUNCIONA. Quando raios ultravioleta tocam as partículas de TiO2 , elas vibram e dão início à fotocatálise – reação química que quebra as partículas de óxidos de nitrogênio e de compostos orgânicos voláteis. A substância tem vida útil de cinco anos e pode ser, depois, reaplicada nos módulos.

3. FORMA PRECISA. As linhas irregulares das peças maximizam a superfície exposta à claridade, e o elemento vazado permite a entrada do ar renovado no hospital.

4. A INSTALAÇÂO. Encaixados uns nos outros, os módulos foram parafusados à estrutura de aço fixada no corpo do hospital.

5. TRUNFO EXTRA. Outra vantagem da tecnologia é sua capacidade autolimpante, que evita o desperdício de água e de produtos de limpeza. Isso ocorre porque a membrana de TiO2 possui propriedade hidrofílica, que reage bem com a água e repele substâncias oleosas.

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Matéria publicada pela revista Arquitetura e Construção em Julho de 2014.

TIJOLO DE BORRACHA?

Tijolo de borracha: empresários usam EVA para construção.

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Incomodado com a grande quantidade de resíduos de EVA acumulada em sua fábrica, eles desenvolveram blocos resistentes, seguros e capazes de barrar o som.

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Nos fundos da fábrica de estojos de instrumentos musicais, Paulo Peceniski e sua esposa, Andrea, donos da Solid Sound, tinham um grande problema – montanhas de etilvinil-acetato (EVA) recortado, sobras do revestimento dos cases. Chegaram a juntar 20 toneladas de lixo sem destino. Preocupados com o rumo desse descarte todo, os Peceniski saíram em busca de uma soluçã ode reciclagem. No fnal de 2010, veio a ideia de criar tijolos. Com os conselhos de um amigo do setor cimenteiro e o investimento em estudos conduzidos pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo(IPT), o casal elaborou a fórmula dos blocos, uma mistura de EVA triturado, cimento, água e areia. As análises de segurança e outras propriedades se mostraram satisfatórias, e o melhor: por causa da borracha na composição, as peças isolam ruídos (absorvem 37 dB, contra 20 dB do tijolo baiano comum) e apresentam qualidades térmicas. A produção, no entanto, foi aparte mais complicada. Num processo experimental e artesanal que consumiu cinco meses, montaram-se 9 mil unidades, fora um extra de 3 mil lajotas. “Utilizamos para construir nossa própria casa, há dois anos, mas paramos depois disso, pois ainda não temos condições de abrir uma indústria”, conta Paulo. A residência de 550 m² em Curitiba, assinada por Eliane Melnick, é toda feita do material. “Antes, havíamos aplicado apenas em estúdios de música para melhoria acústica.” Na morada, como complemento, portas e janelas ganharam vidro antirruído.E os moradores asseguram que o silêncio, ali, reina absoluto.

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Matéria publicada pela revista Arquitetura e Construção em Junho de 2014.

CASAS DE MADEIRA QUE UNEM TECNOLOGIA E SUSTENTABILIDADE

Sustentáveis, aconchegantes e rápidas de montar, elas têm conquistado cada vez mais terreno, especialmente na Europa.

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Tecnologia verde e ousadias estéticas são a cara das novas casas de madeira, que resgatam uma das mais ancestrais formas de morar. “As pessoas amam coisas à moda antiga porque estão nostálgicas desse passado rústico”, acredita o filósofo suíço Alain de Botton, autor de A Arquitetura da Felicidade(Rocco). Como moradias exprimem os valores de uma geração, a crescente popularidade desseschalés está ligada à consciência ambiental, já que esse é o único material de construção 100% renovável. Claro, isso pressupõe florestas manejadas e o equilíbrio de critérios econômicos, ambientais e sociais. “A possibilidade de pré-fabricação para minimizar o tempo da obra é um argumento decisivo. Uma casa pode ser montada em apenas sete dias”, enfatiza a arquiteta e pesquisadora francesa Dominique Gauzin-Müller. Na Europa, o renascimento dessa arquitetura começou nos anos 80, em países com vasto patrimônio florestal. Hoje, cerca de 20% das novas residências já levam esse recurso na Alemanha, na Suíça e na Áustria. “Elas podem durar tanto quanto as de alvenaria”, avalia o arquiteto Maurício Arruda, que estuda o tema. Por aqui, frente à falta de políticas públicas de reforestamento, a técnica e os bons carpinteiros rarearam a partir da década de 60. Ainda assim, gente como o engenheiro Hélio Olga, da Ita Construtora, desenvolve, desde 1982, sistemas construtivos de madeira maciça e, mais recentemente, madeira laminada colada. Inspire-se, a seguir, em outros seis projetos notáveis pelo mundo.

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Matéria publicada pela revista Arquitetura e Construção.

MAURICIO ARRUDA:CONHEÇA SUA NOVA COLEÇÃO DE PEÇAS CONCEITUAIS

Daquilo que é considerado lixo o arquiteto Maurício Arruda extrai sua linha mais recente de peças conceituais.

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Com a intenção de mostrar às pessoas que o design está muito mais perto do que imaginam, ele se apropria de objetos do cotidiano – seja caixas de feira, tacos antigos, seja vasilhames de produtos de limpeza– para criar itens divertidos e multifuncionais. Focado no processo e também no material (geralmente reutilizado), Maurício Arruda compõe luminárias, louças e móveis com “matérias-não-primas”, como costuma dizer. “Trabalho com reúso há mais de 20 anos e acredito que tornar a reciclagem um hábito começa pela educação do olhar”, reflete. Com grande respeito pelos aclamados nomes do design nacional, como Lina Bo Bardi (1914-1992) e Sergio Rodrigues, Maurício busca imprimir uma identidade brasileira em suas obras. As que compõem a Série Coletiva (uma espreguiçadeira-banco-mesa, um cabideiro divisóriae a poltrona com suporte para laptop), lançada no fim de 2013, mesclam passado e futuro de forma original. Na arquitetura, tais forças também se equilibram. Um exemplo é um de seus apartamentos, onde o concreto aparente da herança moderna serve de base para o uso da cor. “Gosto de imaginar as narrativas que cada cliente vai inventar para a própria casa”, resume ele.

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Matéria publicada pela revista Arquitetura e Construção em 2014.

DO LÁTEX À FIBRA DO AÇAÍ

Saiba mais sobre o trabalho do designer e empresário paulistano Pedro Paulo Franco, que levou sua marca para o Salão do Móvel de Milão.

Em 2013, Pedro Paulo Franco fez a aposta mais importante de sua vida: lançou a marca A Lot Of Brasil no Salão do Móvel de Milão, com 15 peças de 11 designers conhecidos internacionalmente. Neste ano, estimulado pela boa repercussão entre o público da feira e os jornalistas, ele volta à meca do design para apresentar a recente coleção, que ganhou lugar privilegiado: o pavilhão 10, local destinado àqueles considerados trendsetters. “Vamos expor 30 produtos cujo diferencial são os materiais sustentáveis”, diz ele, que responde também pela direção criativa. Entre as novidades, estão a fibra do açaí, a manta de sisal, o látex e o alumínio reciclado. “A brasilidade é o nosso fio condutor”, afirma o curador e consultor da empresa, o italiano Vanni Pasca. Do evento mais importante do design mundial, Pedro espera trazer um só resultado — vendas para todos os continentes. Esta, certamente, será uma das apostas mais promissoras de sua carreira.

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Matéria publicada pela revista Casa Claudia em Abril de 2014.