CORES NA DECORAÇÃO: CASA DECORADA NOS TONS DE ROSA E BERINJELA

Rosa e berinjela conferem leveza e feminilidade à casa da atriz Lúcia Romano, que, com este projeto, concretizou o antigo sonho de viver e ensaiar suas produções no mesmo local.

Se não fosse uma coincidência, talvez a atriz Lúcia Romano tivesse decidido viver em outro lugar. “Vim conhecer o terreno à venda, onde havia duas construções antigas, já vazias. Numa delas, encontrei um cartaz da peça Pobre Super-Homem, encenada pelo meu amigo Marco Antônio Pâmio em 2000. Liguei para ele, curiosa, e descobri que ali moraram seu avô e uma tia”, lembra. Para Lúcia, cujo maior desejo era ter em casa um espaço de estudos e exercícios de palco, ignorar essa casualidade seria quase impossível. Ainda mais considerando outros atrativos em jogo, como o sossego da rua, na Zona Oeste de São Paulo, e o tamanho do lote, onde o anexo dos ensaios caberia direitinho nos fundos da moradia que ela pretendia erguer. E, embora não tenha sido viável deixar de pé as casas originais, o DNA artístico delas se mantém por ali: uma das paredes da sala exibe tijolos que sobraram da demolição. As demais são território do rosa, do berinjela e do azul, usados para demarcar diferentes volumes em meio aos ambientes integrados, cenário que Lúcia e a filha, Manuela, compartilham no dia a dia.

A combinação de tons, da mais pura delicadeza, enriquece o percurso pelos ambientes. “O terreno estreito e comprido, tipicamente paulistano, orientou o projeto. Usamos cores e ousamos nas formas para evitar transformá-lo numa caixa monótona”, diz o arquiteto Caio Marin, sócio de Ararê Sennes no escritório Vista Urbana. Como se fosse possível sentir tédio nestes espaços banhados de luz, de onde se avistam pitangueiras, lavandas, camélias e pés de jasmim. “O gostoso de morar numa casa está em abrir a porta e ver grama, fores, o sol entrando…”, fala Caio. Nada disso falta aqui. É tamanha a claridade que, com o passar do tempo, viu-se a necessidade de recorrer a brises para amenizar o calor da manhã. Além de frescor, eles trouxeram charme à ambientação com sua leve sombra pousada sobre o mezanino, a parede de tijolos à vista e os móveis – estes escolhidos por Lúcia, que, a cada momento desfrutado na morada, encontra mais e mais motivos para celebrar as coincidências.

O dueto de rosa e berinjela evidencia a atmosfera feminina que domina esta morada. A paleta pra lá de delicada suavizou as linhas retas da arquitetura e norteou as escolhas da decoração. Louças da Camicado.

O dueto de rosa e berinjela evidencia a atmosfera feminina que domina esta morada. A paleta pra lá de delicada suavizou as linhas retas da arquitetura e norteou as escolhas da decoração. Louças da Camicado.

A visão do living, integrado ao jardim – ao fundo, aparece o galpão dos ensaios de Lúcia que dedica-se ao grupo de teatro Cia. Livre.

A visão do living, integrado ao jardim – ao fundo, aparece o galpão dos ensaios de Lúcia que dedica-se ao grupo de teatro Cia. Livre.

Os tijolos deixados à vista vieram das construções que existiam no terreno. Mesa de centro da Marché Art de Vie e almofadas da Codex Home (lisas) e da Conceito Firma Casa (estampadas).

Os tijolos deixados à vista vieram das construções que existiam no terreno. Mesa de centro da Marché Art de Vie e almofadas da Codex Home (lisas) e da Conceito Firma Casa (estampadas).

A divisória entre cozinha e área de jantar (acima, adornada com tela da Arterix) não faz um ângulo reto – brincar com as formas foi um jeito de conferir movimento ao projeto. O piso de cimento queimado e a bancada da pia de ardósia denotam o gosto pela simplicidade. Janelas de peroba-rosa antiga da Demolidora Jabaquara.

A divisória entre cozinha e área de jantar (acima, adornada com tela da Arterix) não faz um ângulo reto – brincar com as formas foi um jeito de conferir movimento ao projeto. O piso de cimento queimado e a bancada da pia de ardósia denotam o gosto pela simplicidade. Janelas de peroba-rosa antiga da Demolidora Jabaquara.

Brises (no alto) feitos da mesma peroba-rosa de demolição das esquadrias protegem o interior do sol excessivo e compõem lindos desenhos, que se somam ao décor. Sobre o deque, fica a poltrona Butterfly em versão de couro verde (Kare), bem-vinda nos períodos de leitura no quintal.

Brises (no alto) feitos da mesma peroba-rosa de demolição das esquadrias protegem o interior do sol excessivo e compõem lindos desenhos, que se somam ao décor. Sobre o deque, fica a poltrona Butterfly em versão de couro verde (Kare), bem-vinda nos períodos de leitura no quintal.

Lúcia percorre o caminho entre o portão de entrada e a casa, que tem 187 m² (o galpão possui 110 m²). Paisagismo de Susana Bandeira.

Lúcia percorre o caminho entre o portão de entrada e a casa, que tem 187 m² (o galpão possui 110 m²). Paisagismo de Susana Bandeira.

Matéria publicada na revista Casa Claudia em Novembro de 2014

DOIS PROJETOS DE COZINHAS MOSTRAM DIFERENTES JEITOS DE APROVEITAR O ESPAÇO

RECEITA DE AMOR E CONVÍVIO

A argentina Paola Carosella gosta tanto de cozinhar que fez disso seu ofício – é dona de dois restaurantes em São Paulo e jurada de um programa culinário na TV. E não desgruda das panelas nem nos momentos de folga, quando se diverte com a filha preparando bolos e outras delícias neste cenário repleto de coleções e boas lembranças.

Aos 3 anos, Francesca já demonstra talento para a gastronomia e curte ajudar a mãe na execução das receitas. O local preferido para os momentos em dupla é este: a cozinha do sobrado em que moram.

Aos 3 anos, Francesca já demonstra talento para a gastronomia e curte ajudar a mãe na execução das receitas. O local preferido para os momentos em dupla é este: a cozinha do sobrado em que moram.

Cada ingrediente merece atenção especial no restaurante Arturito, aberto desde 2008 em São Paulo: embutidos, pães, massas, sorvetes e até o doce de leite oferecidos no cardápio são feitos lá mesmo, sob a supervisão de Paola Carosella. “Conheço a procedência de tudo o que servimos”, afirma a dona. Esse tom pessoal rege também a ambientação do sobrado no qual ela vive há quase uma década. “Eu mesma escolhi os móveis e objetos”, diz. A cozinha, obviamente, concentrou os interesses da moradora. Embora não tão ampla – mede cerca de 10 m² –, reúne os variados utensílios de que Paola precisa em suas manobras culinárias. Nem tudo aqui, porém, mira a funcionalidade. “Ocupei as prateleiras com minhas coleções de xícaras e bules antigos e vou acrescentando peças aos poucos. Adoro ver os ambientes mudarem com o passar do tempo em vez de ter a sensação de que ficaram prontos em cinco minutos”, fala a chef, que trata a casa com o mesmo carinho dispensado à comida.

A prateleira de madeira antiga (O Velhão), sustentada por mãos-francesas, exibe as porcelanas que a chef coleciona.

A prateleira de madeira antiga (O Velhão), sustentada por mãos-francesas, exibe as porcelanas que a chef coleciona.

Paola mantém os utensílios à vista. A bancada da pia leva concreto protegido por resina.

Paola mantém os utensílios à vista. A bancada da pia leva concreto protegido por resina.

As melhores recordações da infância guardadas na memória de Paola são de quando passava horas na cozinha ajudando as avós, ambas italianas, a fazer nhoque. “Elas me deixavam amassar as batatas, cortar a massa e mexer o molho. Era pura diversão!”, lembra. Daí, para transformar a brincadeira em algo sério, foi um pulo: aos 18 anos, já trabalhava com gastronomia em sua Buenos Aires natal. Hoje, também insere a filha no universo dos sabores. “No dia a dia, sobra pouco tempo para cozinhar por lazer”, diz a chef, que mora em São Paulo desde 2001 e está à frente do restaurante Arturito e da casa de empanadas (salgado tipicamente argentino) La Guapa, além de participar como jurada da versão brasileira do reality show MasterChef, exibido pela Band. “Mas, nos momentos de folga, geralmente aos domingos, a Francesca e eu preparamos bolos e biscoitos juntas. Ela pica frutas, quebra ovos, mistura farinha a manteiga com as mãos… Já se mostra súper à vontade entre ingredientes, panelas e outros utensílios”, garante Paola sem disfarçar o orgulho. A pequena não a deixa mentir. “Cozinheira!”, responde de imediato quando a mãe pergunta o que ela pretende ser quando crescer.

“Cozinha é lugar de criança, sim. Aqui, minha filha aprende a gostar de comida e provar um pouco de tudo”. Paola Carosella

“Cozinha é lugar de criança, sim. Aqui, minha filha aprende a gostar de comida e provar um pouco de tudo”. Paola Carosella

DÉCOR COM ALMA BRASILEIRA

Na cozinha de Maria Benigna, os encantos não são apenas de forno e fogão: ela reservou lugar de destaque nas prateleiras para peças de arte popular, que reverenciam a memória materna e o amor pelo Nordeste.

A moradora adquiriu os primeiros exemplares de sua coleção de arte popular ainda na adolescência. Hoje, elas preenchem prateleiras e dão o tom da decoração desta cozinha com alma brasileira.

A moradora adquiriu os primeiros exemplares de sua coleção de arte popular ainda na adolescência. Hoje, elas preenchem prateleiras e dão o tom da decoração desta cozinha com alma brasileira.

Foi o empenho da mãe na valorização da arte popular brasileira que levou a consultora da área cultural Maria Benigna Arraes de Alencar Gervaiseau a iniciar a bela coleção de peças que decoram esta cozinha. “Ela tinha orgulho de sua origem nordestina e dedicou a vida inteira a divulgar o trabalho de artistas da região”, conta a moradora, filha da socióloga Violeta Arraes Gervaiseau (1926-2008), que teve intensa atuação como ativista política e comandou, nos anos 1980, a Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult), estado em que nasceu. Influenciada pela paixão materna, a proprietária começou a reunir, ainda na juventude, esculturas talhadas por mestres como Manoel Graciano e Noza. “O acervo segue crescendo. Sempre percorro centros e lojas de arte popular, tanto aqui em São Paulo quanto no Nordeste”, diz. De tão vasto, o conjunto ocupa até o trecho ao redor do fogão no apartamento em que ela vive. “Gosto de ver os itens pela casa toda.” Coube ao arquiteto Gustavo Calazans abrir espaço a eles sobre armários e bancadas na reforma. O pedido não o surpreendeu. “Cozinhas se tornaram locais de convívio. Busco equilibrar esse aspecto com praticidade, já que não deixa de ser o ambiente de preparo dos alimentos”, frisa ele. Alimentos esses para o corpo ou para a alma, como no caso de Maria Benigna.

Os pássaros de madeira, de artistas anônimos, vieram de Juazeiro do Norte, CE. Banco Girafa, da Marcenaria Baraúna, caminho de mesa e bowl da Tok & Stok.

Os pássaros de madeira, de artistas anônimos, vieram de Juazeiro do Norte, CE. Banco Girafa, da Marcenaria Baraúna, caminho de mesa e bowl da Tok & Stok.

Os armários sob a bancada de granito branco itaúnas (Marmoraria Amâncio) são de aço (Securit).

Os armários sob a bancada de granito branco itaúnas (Marmoraria Amâncio) são de aço (Securit).

Matéria publicada na revista Casa Claudia em Novembro de 2014

CONFORTO DE HOTEL

Perfil do mês da série Arquitetos do Brasil revela talento do Centro-Oeste

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Quem nunca sonhou em ter um quarto tão acolhedor e bem equipado como o de uma suíte presidencial? O projeto de Andre Lenza para o Castros Park Hotel, em Goiânia, é o destaque deste mês da série Arquitetos do Braisl, que reúne entrevistas com profissionais do país todo. Abaixo, confira um trecho da conversa com Andre (a versão completa está em abr.ai/arquitetosdobrasil).

Quais são suas inspirações? O estilo modernista contemporâneo brasileiro me agrada bastante. Como referência, penso sempre no trio de arquitetos Isay Weinfeld, Arthur Casas e Marcio Kogan.

Que fator interfere decisivamente na arquitetura de sua região? O Sol é determinante aqui. Deve-se tirar proveito de tudo o que ele pode oferecer, mas sempre respeitando limites. Sua radiação ajuda, por exemplo, na hora de detalhar a fachada, pois a sombra cria volumetria e parece “soltar” o projeto.

O que não pode faltar na casa de um goiano? Uma boa área de convivência para bater papo. Gostamos de receber amigos.

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Matéria publicada na revista Arquitetura & Construção em Setembro de 2014

ESPELHOS BRINCAM COM A PERCEPÇÃO DE REALIDADE EM MÓVEIS E AMBIENTES

Espelhos desafiam a percepção (e a lógica) ao inverter imagens da realidade

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Camuflagem. Na pequena Vila almere, a fachada frontal desta residência foi revestida de placas de vidro reflexivo. O material a faz sumir entre construções e árvores, ao mesmo tempo que protege seu interior de olhares intrusos.

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Cadê a cadeira? Leva a assinatura do japonês Takeshi Miyakawa a coleção de móveis Visible/Invisible. Com estruturas levemente inclinadas, as peças desaparecem no ambiente.

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Torce e retorce. A escultura Miroir Froissé foi concebida por Mathias Kiss, artista húngaro radicado em Paris. Idealizada em 3D, a obra (22 x 65 x 90 cm) joga com a ideia do material totalmente amarrotado.

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Hideto Hyoudou. Ilusão sólida. Como se fosse água escorrendo, o Water Mirror incita o olhar. Resultado da parceria do diretor de arte Rikako Nagashima com o designer Hideto Hyoudou, ambos japoneses, o produto de acrílico (22,7 x 59,3 cm)

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Espaço sideral. Espetados num pequeno globo central, discos de vidro e metal cromado multiplicam o efeito da luz no pendente husk (43 cm de diâmetro). À venda por € 199 em muyhouse.com.

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Bom humor. O criativo estúdio Espanhol La Mamba bolou a série Mirrors, de espelhos apoiados em longos tubos de aço e com pés de cortiça, para a loja Omelette-ed.

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Ambivalência. Só para confundir fantasia com realidade, fragmentos espelhados em diferentes formatos preenchem paredes neste apartamento em Berlim. Projeto do escritório Oskar Fabian Studio.

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Pontos sutis. Indicado para pisos, o Luxor Mirror Thassos (linha rivestire, Mosarte) vem em placas (30 x 30 cm) de mármore e vidro espelhado com acabamento polido. Por R$ 188,58 a peça.

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Rastro Pop. Criado pela designer brasileira Andreia Chaves, o multifacetado invisible shoe é feito à mão na Itália.

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Desenho mutante. Com estrutura de MDF coberta de espelhos, a mesa de centro Modul Mirror (42 x 75 x 92 cm) brinca com a mobilidade das caixas que a formam. Na Kare, por R$ 3 478.

Desempenhando importante papel em obras de Machado de Assis e Guimarães Rosa, as superfícies espelhadas, nas quais os personagens enxergam a própria invisibilidade, fascinam o homem desde antes de sua invenção no vidro, no século 14. Com o poder de materializar um mundo paralelo e suscitar discussões psicanalíticas, provaram-se um recurso e tanto na arquitetura e no design para camufar volumes e gerar a sensação de amplitude. Exemplo disso é a casa acima, projetada pelos arquitetos Johan Selbing e Anouk Vogel na Holanda. Ela simplesmente se liquefaz em meio à paisagem. Essa capacidade, tanto de refletir quanto de fazer desaparecer, cria efeitos inesperados até em itens menores, como mostra nossa seleção.

Matéria publicada na revista Setembro de 2014 por Denise Gustaven

CASA COM ARES DE GALPÃO VIRA COWORKING DE ARQUITETOS

A Cersaie, a mais importante feira de revestimentos, louças e metais, acontece todo ano em Bolonha, na Itália. O que é mostrado lá dita tendências mundo afora

Vibrante, a passarela de metal tingido (Serralheria Moreno) marca a conexão entre as áreas de trabalho e a sala de reuniões. As estações podem ser alugadas por semana, dia ou mês. Vazada, a estante delimita visualmente a área e mantém certa privacidade.Nada foi detalhado ao acaso: as cores que remetem à criatividade, como o amarelo, e os espaços abertos visam estimular a troca entre os profissionais.

Vibrante, a passarela de metal tingido (Serralheria Moreno) marca a conexão entre as áreas de trabalho e a sala de reuniões. As estações podem ser alugadas por semana, dia ou mês. Vazada, a estante delimita visualmente a área e mantém certa privacidade.Nada foi detalhado ao acaso: as cores que remetem à criatividade, como o amarelo, e os espaços abertos visam estimular a troca entre os profissionais.

Sucesso lá fora há tempos, o coworking (tipo de escritório compartilhado) tem se mostrado por aqui como alternativa vantajosa para profssionais independentes ou em início de carreira. Recém-formada, a arquiteta Mara Liz Ferrentini encontrou nessa prática um ótimo caminho ao fundar o Composto de Arquitetos. “Somos abertos exclusivamente aos profssionais da área”, explica. Para recebê-los, a antiga construção paulistana, de 500 m², modernizou-se, e quase todas as paredes internas vieram abaixo. O projeto, que leva a assinatura conjunta de Mara Liz, Milena Cintra e Patrícia Gomes, inclui mesa de reuniões, estações de computador, armários, biblioteca e cozinha. Nessa última, há sempre café e bolo – também para partilhar, claro. Sobre a mesa de centro, objetos da conceito: Firma Casa. Tapete da Phenicia Concept.

A rede elétrica corre à mostra. Luminárias (Lustres Yamamura) em diversas alturas valorizam o pé-direito. Mara Liz Ferrentini, Milena Cintra e Patrícia Gomes assinam juntas a obra. “Queríamos uma casa de fácil manutenção e com jeito de fábrica. Por isso, o piso de cimento queimado e a fiação aparente”, conta Mara Liz.

A rede elétrica corre à mostra. Luminárias (Lustres Yamamura) em diversas alturas valorizam o pé-direito. Mara Liz Ferrentini, Milena Cintra e Patrícia Gomes assinam juntas a obra. “Queríamos uma casa de fácil manutenção e com jeito de fábrica. Por isso, o piso de cimento queimado e a fiação aparente”, conta Mara Liz.

Matéria publicada na revista Arquitetura & Contrução em Setembro de 2014 por Silvia Gomez

CINCO PROPOSTAS CHARMOSAS DE CABECEIRAS PARA O QUARTO

Nossa equipe foi atrás de boas ideias para dar o arremate à cama e resolver a parede mais importante do quarto. Buscou referências e montou cinco propostas charmosas. Veja como reproduzi-las.

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Nuances claras e peças únicas compõem a decoração.

Um estofador confecciona esta ideia em dois tempos: forrar de espuma e tecido rosa uma placa de compensado (trabalho da Picinini Decorações) e usá-la para emoldurar a cama. A parede está revestida de um papel que pode ser repintado e recebeu tinta cinza. A ideia foi criar um clima romântico moderno com criado-mudo garimpado (Loja Teo), roupa de cama foral (Zara Home) e cartões-postais usados como quadros (molduras da Struttura).

Atmosfera Escandinava

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Nesta sugestão, a delicada pintura substitui a cabeceira.

É possível dispensar os serviços de marcenaria e tapeçaria e simplesmente demarcar a área da cama com tinta. Aqui, foi necessário dividir a parede em três, no sentido horizontal – os dois terços inferiores receberam pinceladas em amarelo, e a parte superior, cinza (trabalho da Parafuzo). A fotografa de uma nuvem (Ana Casatti) segue o mesmo clima etéreo. Enxoval da Auping, cadeira da Danish Design, luminária da La Lampe e pufe da By Kamy.

Composição sóbria

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O acabamento em alto-relevo garante aconchego e sofisticação.

Atualizar um clássico – a boiserie, revestimento típico do século 18 – foi a opção neste quarto. As molduras de madeira, compradas prontas, uniram-se a uma chapa de compensado e, em seguida, ganharam a pintura. Enquanto a combinação de preto, branco e cinza traz sobriedade ao espaço masculino, as peças de terracota aquecem e confortam. Pendente e cabideiro da Tok Stok, roupa de cama da Trousseau e tapete da By Kamy.

Volumes assimétricos

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O desenho nada convencional da marcenaria rouba a cena.

Numa conversa com as arquitetas Ana Cristina Tavares e Claudia Krakowiak Bitran, da KTA, nossas repórteres visuais descobriram esta cabeceira projetada pela dupla. Acharam ótima a ideia das placas laqueadas com alturas diferentes, que imprimem movimento na parede, e do criado-mudo suspenso (Notale Móveis). Na hora da foto, deram seu toque com a escolha de um enxoval bem contemporâneo (Casa Almeida) e da mesinha (Conceito Firma Casa).

Industrial chique

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Visual envelhecido e peças descombinadas em look moderno.

O jeitão dos lofts é a proposta deste quarto. A cabeceira de ferro foi comprada pronta na Dom Mascate. Dispostos como se fossem obras de arte, espelhos, um molho de chaves e a miniatura de corneta dão o toque inusitado ao conjunto. Também não houve regra ao fazer do banco metálico (Star Home) e da banqueta apoios superúteis. Tapete (Lu Home), luminária (Conceito Firma Casa) e roupa de cama (Mundo do Enxoval) fecham as escolhas.

Matéria publicada na revista Casa Claudia em Novembro de 2015 por Reportagem Visual Juliana Hamacek e Olivia Canato | Texto Dan Brunini | Fotos Marco Antonio

CASA UTILIZA ESTRUTURA DE EUCALIPTO E PAINÉIS DE COBRE OXIDADO

A potência deste projeto paulista, vencedor da categoria Casa de Campo do sétimo prêmio O Melhor da Arquitetura, vem da interação entre esses dois elementos naturais

A disposição perpendicular dos pavilhões consegue a melhor insolação para a ala dos quartos, voltados para o norte (na foto, as venezianas de madeira deles estão completamente fechadas), e a vista mais bonita para a área social. Projeto de Thiago Bernardes.

De 1,48 x 4,10 m, os brises pivotantes de cobre oxidado (N. Didini) são tão gigantes como delgados e leves: têm apenas 1,5 cm de espessura e pesam 90 kg cada um. Se o sol da tarde incomodar quem estiver na varanda, basta girá-los. Projeto de Thiago Bernardes.

Os painéis possuem estrutura de alumínio e recheio de oSb (LP brasil). Lambris de cobre, em chapas de 4 mm, dão acabamento às duas faces. “Usamos a versão sólida, e não a laminada, para evitar que a superfície ondulasse devido às grandes dimensões da peça”, diz Rafael Coelho, diretor comercial da N. Didini. Projeto de Thiago Bernardes.

O diálogo entre duas estruturas – a de concreto, na área íntima, e a de madeira, na social – surge como outro importante personagem desta história. Projeto de Thiago Bernardes.

No bloco social, a estrutura (Ita Construtora) emprega madeira laminada colada (MLC), e o piso, granito serrado (Di Mármore). “Esta é uma pedra comum, mas prefiro usar seu verso em vez da superfície polida. Ela reveste até a piscina”, diz o arquiteto Thiago Bernardes.

Na fronteira com a varanda e atrás dos brises, portas corrediças envidraçadas (com esquadrias de freijó da Oficina de Marcenaria) podem isolar o estar nos dias de frio ou muito vento. À esq., na foto, vê-se a grande caixa que concentra a churrasqueira e os equipamentos da cozinha gourmet – solução que integra o projeto de interiores de Denise Abdalla e Christiane Sacco, do escritório CSDA. Projeto de Thiago Bernardes.

Atrás da pérgula junto à piscina fica o acesso ao subsolo, que oferece área de apoio aos banhistas e abriga toda a parte de serviço. Não se trata de um pavimento enterrado: ele acompanha o declive do terreno. Projeto de Thiago Bernardes.

Os lambris de cobre oxidado foram fornecidos pela N. Didini, empresa que adquiriu no Chile a fórmula dos produtos químicos necessários para acelerar a transformação do metal por meio de um complexo processo realizado em estufa. Com isso, o prazo do envelhecimento natural de 25 anos se reduz a 15 dias. Projeto de Thiago Bernardes.

Embora estejam próximos da área social, os quartos mantêm sua privacidade graças à ligeira elevação (40 cm) quanto ao jardim. “Isso desestimula a circulação por ali”, explica o arquiteto. Projeto de Thiago Bernardes.

Ao lado da rua, esta parte da residência não tem janelas – apenas o rasgo de quase 20 m que percorre estar, sala de jantar e cozinha. Aqui, o paisagismo ajuda a resguardar os ambientes. Projeto de Thiago Bernardes.

Adiante, só o jardim. Embora o proprietário tenha comprado dois lotes, a morada se concentra em apenas um deles. O outro, à frente da piscina, foi dedicado ao paisagismo. Projeto de Thiago Bernardes.

Na literatura, o cobre azinhavrado costuma aparecer em contextos que sugerem modéstia. O castiçal torto de cobre azinhavrado de Cora Coralina, o vintém azinhavrado de Álvares de Azevedo, a pérola engastada em cobre azinhavrado e vulgar de Machado de Assis. Objetos tão gastos que seu tom avermelhado original foi tomado pelo verde, sinal inequívoco da idade e do uso. Presente em construções desde a Idade Média, esse metal muda mesmo de tonalidade com o tempo. O marrom dá lugar ao preto, e a cor entre o esmeralda e o turquesa demora, pelo menos, 25 anos para aparecer. É a oxidação natural, que em nada prejudica a durabilidade e a resistência do material. Num condomínio no interior de São Paulo, o projeto assinado pelo arquiteto carioca Thiago Bernardes faz uma leitura mais nobre do cobre envelhecido. Aqui, essa aparência foi desejada, intencional, pelo contraste que ofereceria em relação à madeira e por se adequar aos enormes quebra-sóis da sala-varanda – local abençoado pela melhor vista do terreno, mas castigado pela pior insolação. Leves, fortes e bonitas, as chapas se provaram a alternativa perfeita para compor os brises. “Elas também revestem parte do concreto que desenha o bloco dos quartos”, explica Thiago. “Acabou virando um elemento marcante da casa. Não é só estética, porém. O cobre cumpre uma função muito séria”, afirma. Sim, o metal viabilizou a solução para a fachada que integra a residência ao jardim, à paisagem. O diálogo entre duas estruturas – a de concreto, na área íntima, e a de madeira, na social – surge como outro importante personagem desta história. A segunda, trabalho do engenheiro Hélio Olga, apoia-se na primeira por meio de apenas uma viga. Aberta e vazada, ela origina uma grande varanda. Já a outra se mostra mais fechada, contida. “Isso marca a distinção de usos, e você sente isso, percebe as temperaturas, a diferença de pé-direito. Você vive”, fala Thiago. Ele conta ter aprendido com Hélio, parceiro em muitos trabalhos, que a substituição de um ou outro elemento estrutural é esperada: “Sempre haverá uma peça mais exposta para proteger as demais. Os pescadores sabem disso. Eles constroem com pau do mato sabendo que a madeira envelhecerá e trocam conforme a necessidade. É algo vivo”. Vida, longevidade, beleza. Temas tão humanos e presentes neste projeto. Ainda bem.

O desafio da curva

O formato do terreno, perto de uma espécie de rotatória, e a insolação exigiram uma implantação engenhosa para aproveitar bem a área, resguardar a casa da rua e obter a luz certa para os quartos

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Área: 910 m²; Construção: All’e Engenharia; Luminotécnica: Lightworks; Paisagismo: Maria João d’Orey

Matéria publicada na revista Arquitetura && Construção de Novembro de 2014

DECORAÇÃO INDUSTRIAL ESTÁ COM TUDO!

Tendência otimiza espaços pequenos com estilo

Os novos apartamentos, cada vez menores, pedem por alternativas funcionais e elegantes na hora de serem decorados. A inspiração, ao contrário do que se imagina, pode vir de um passado não muito distante ocorrido na capital do mundo: Nova York.

Foi entre os anos 1950 e 1970 que o estilo industrial chegou à decoração graças à transformação de galpões e estúdios em lares. Esses espaços amplos, repletos de tijolos e tubulações aparentes, madeira, metal e muito concreto, servem de referência para a criação da casa contemporânea, que dispensa paredes em prol de ambientes integrados.

Na edição 2014 da Casa Cor Rio, o conceito foi recebido de braços abertos para dar origem a espaços supercontemporâneos e cosmopolitas que não abrem mão do conforto e da brasilidade. Veja abaixo alguns ambientes e inspire-se!

Casa Cor Rio 2014
Data: de 29 de outubro a 7 de dezembro de 2014
Local: CasaShopping
Endereço: Avenida Ayrton Senna, 2150 blocos O/P. Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ
Horário: de terça a sábado, das 12h às 22h; domingo, das 12h às 20h
Ingresso: terça a sexta-feira: R$ 40; sábado e domingo: R$ 50; passaporte para todos os dias: R$ 80

Casa Cor Rio 2014 (Foto: Andre Nazareth / Divulgação)

Estúdio A - Roberta Moura, Paula Faria e Luciana Mambrini
Com pouco espaço, os móveis ganham funções duplas. A mesa de jantar serve também para trabalhar enquanto a cama vira um assento. Para dar charme a esse mix, peças bem escolhidas mobíliam o ambiente com tacos espinha de peixe e teto aparente de sotaque industrial, de onde dependuram-se múltiplas luminárias. Peças vintage e variadas se unem a outras atuais, como a estante de metal e espelho feita pro Jader Almeida especialmente para a Casa Cor Rio.
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Casa Cor Rio 2014 (Foto: Andre Nazareth / Divulgação)

Cozinha Gourmet - Alexandre Lobo e Fábio Cardoso
Materiais rústicos como os revestimentos de tijolinhos brancos e de madeira dão o tom do ambiente integrado, apto para cozinhar e também para servir. Com pé-direito alto, estantes metálicas dividem o ambiente com móveis planejados como a ilha de silestone e criam, aqui e ali, espaços para jardins verticais. Prevalece o clima de acolhimento e conforto.
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Casa Cor Rio 2014 (Foto: Andre Nazareth / Divulgação)

Loft no Rio - Ana Lila Denton e Juarez Farias
Com quarto, sala, cozinha e banheiro integrados, o loft de tijolos aparentes e piso de madeira de demolição foi pensado para dar conforto e estilo a um executivo que não mora no Rio, mas passa temporadas na cidade a trabalho e também a lazer. Uma estante em aço corten, pendente do teto, funciona como suporte para TV e divisória entre as partes íntima e social.
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Casa Cor Rio 2014 (Foto: Andre Nazareth / Divulgação)

Have a Coffee - Camila Bortolini e Priscilla Campos
A cozinha construída para o serviço de assinatura de cafés especiais Have a Coffee une o tradicional e o contemporâneo para criar uma decoração aconchegante e conectada com as novidades. O destaque fica por conta do contraste entre os móveis planejados nas cores azul colonial e branco e o louceiro antigo de fazenda.
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Casa Cor Rio 2014 (Foto: Andre Nazareth / Divulgação)

Loft Férias em Lisboa - Andrea Chicharo
Inspirado na capital portuguesa, o loft mescla o mood cosmopolita à tradição dos imóveis antigos. Em meio ao cinza predominante, tons de pistache pincelam cor no espaço. A cama é separada do restante do ambiente por uma divisória de vidro, um belo contraste de materiais com as malas artesanais que fazem as vezes de mesa lateral.
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Casa Cor Rio 2014 (Foto: Andre Nazareth / Divulgação)

Estar com Cinema - Bruno Carvalho e Camila Avelar
Os 68 m² abrigam uma área de estar com um sofá de 4 metros e muitos móveis de designers brasileiros, como Zanini de Zanine, Sérgio Rodrigues e Marcus Ferreira. As cores neutras e os revestimentos de madeira predominam, combinando harmoniosamente com as paredes de textura emvelhecida do artista plástico Stephane Javelle.
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Casa Cor Rio 2014 (Foto: Andre Nazareth / Divulgação)

Sala de Jogos Flash Back - Andrea Duarte e Anna Malta
Com televisão, mesas de jogos, copa para lanches, adega e um espaço de descanso, o cômodo abusa do cinza, da madeira e de móveis espertos, como o sofá de lona de caminhão que serve para dois ambientes. Nas paredes, gravuras de Enrico Bianco e Alfredo Volpi e quadros de Herbert Sobral injetam cor enquanto o atualíssimo projeto de iluminação feito de LED cria interessantes jogos de luz e sombra.
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Casa Cor Rio 2014 (Foto: Andre Nazareth / Divulgação)

Estúdio do Jovem Executivo - Alexandre Magno
Seguindo a tendência de open space, os espaços íntimo e social foram integrados. Destaque para a parede curva com aplicação de listras e para os móveis assinados que, em conjunto, criam uma paleta de cinzas e azuis pontuados por muita madeira.
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Casa Cor Rio 2014 (Foto: Denílson Machado / MCA Estúdio)

Loft Joá - Patrícia Fiúza
O ambiente que poderia estar em qualquer grande cidade do mundo é integrado e mixa, nos 84 m², marcenaria sob medida e utilização de pedra cimentícia nas paredes. As cores são claras, com diferentes texturas e pontuadas aqui e ali por laranjas e azuis presentes em acessórios, como almofadas e mantas.
_______________________________________________________________Casa Cor Rio 2014 (Foto: Denílson Machado / MCA Estúdio)

Hall de Saída - Carmen Mouro
Em um mix de projetos de decoração, paisagismo e arquitetura, foram priorizadas as áreas de circulação como num pequeno boulevard. O jardim foi transferido para as áreas livres das paredes, que ganharam painéis de plantas vivas. “Criamos um ambiente natural ao mesmo tempo sofisticado e bucólico”, descreve Carmen Mouro.
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Casa Cor Rio 2014 (Foto: Andre Nazareth / Divulgação)

Espaço Fitness - Leila Dionizios
Com 54 m², o ambiente que homenageia o tenista Gustavo Kuerten transforma um local típico de academia residencial em um ambiente casual e com toques sofisticados. A paleta de cores é masculina: bege, preto e cinza.  O piso de mármore possui diferentes níveis que ajudam a setorizar os diferentes espaços. Paredes e jacuzzi foram revestidas com mármore travertino  bruto e pedra hitam, de lava vulcânica. Bromélias presas em cabos de aço, paisagismo de Carmem Mouro, dão um colorido a mais ao espaço.
_______________________________________________________________Casa Cor Rio 2014 (Foto: Andre Nazareth / Divulgação)

Loft do Casal Cosmopolita - Izabela Lessa
A inspiração veio da Planta Livre de Le Corbusier, da década de 1920, revisitada nos anos 1970 pelos arquitetos de Nova Iorque, que revitalizaram antigos galpões industriais, transformando-os em lofts descolados para artistas famosos da época. Foi com essa pegada industrial novaiorquina que a arquiteta criou o seu loft, conjugando tons e texturas clássicos e atemporais com móveis de design e pinceladas de brasilidade. As cores predominantes são o mel, na madeira que reveste todas as paredes e o teto, e o marrom escuro do piso que remete ao aço corten.
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Casa Cor Rio 2014 (Foto: Andre Nazareth / Divulgação)

Estúdio do Designer - Emmilia Cardoso
Uma homenagem ao designer Zanini de Zanine, o estúdio com estilo industrial tem uma área gourmet e um lugar para receber os amigos e ouvir música. As cores predominantes são cinza, prata, preto, branco e tons terrosos. Na parede, revestimento francês artesanal produzido com aplicação de tinta sobre ráfia natural. Ferros de tubulação de água prendem as estantes. Peças de Zanine Caldas e Zanini de Zanine decoram o ambiente. Em destaque, a premiada cadeira Moeda (de Zanini), produzida com chapas descartadas da Casa da Moeda.
_______________________________________________________________Casa Cor Rio 2014 (Foto: Andre Nazareth / Divulgação)

Studio Off - Gabriela Eloy e Carolina Freitas
Um ambiente de 45 m², com quarto, sala de jantar, home theater, muitas obras de arte e móveis com “nome e sobrenome”. São poltronas de Domingos Tótora, cadeiras de Joaquim Tenreiro, balanço de Alander Especie, mesa de canto de Alê Jordão, bancos de Rodrigo Calixto, mesa de jantar e revisteiro de Jader Almeida e muito mais. O piso de porcelanato cinza e as paredes pretas dão espaço a ousadas divisórias de metal que separam, sem separar, o espaço destinado ao quarto.
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Casa Cor Rio 2014 (Foto: Andre Nazareth / Divulgação)

Loft do Artwork Hunter - Mário Santos
Com pé-direito alto, metal, tijolos aparentes e muita madeira, o loft mescla o aspecto industrial a uma paleta acolhedora de cores. Tons naturais, como o trigo e o verde-folha, foram valorizados. O projeto luminotécnico, do arquiteto em parceria com Fernanda Vasconcelos, ganhou duas grandes luminárias inspiradas nas mesquitas da Turquia, feitas especialmente para o espaço. Destaque para os lustres-anéis, que caem do teto e iluminam o ambiente de forma suave. “Toda a iluminação é indireta, com lâmpadas incandescentes dimerizáveis e LEDs de baixo consumo de energia elétrica”, explica Mário Santos.
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Casa Cor Rio 2014 (Foto: Andre Nazareth / Divulgação)

Wine Bar - Paula Costa
Com inspiração nos bares europeus, os 68 m² têm pequenos lounges integrados que dão um ar bem acolhedor ao ambiente. Predominantemente negro, o ambiente ganha pinceladas de bege, de marrom e de dourado.
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Casa Cor Rio 2014 (Foto: Andre Nazareth / Divulgação)

Sala de Banho - Márcia Muller e Manu Muller
O cômodo traz de volta o bom e velho “banho com conforto”. São três ambientes em que predominam o azul, o terracota dos revestimentos em tijolinhos e o cinza em alguns tecidos. A iluminação é ideal para relaxar: arandelas, luminárias balizadoras, spots embutidos e luminária pendente.
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Casa Cor Rio 2014 (Foto: Andre Nazareth / Divulgação)

O Loft - Paola Ribeiro
São 100 m² com pé-direito altíssimo e lajes aparentes divididos em salas de estar e jantar, cozinha e suíte. Existem apenas duas divisórias: painéis pivotantes separam o hall do resto da casa e uma estante em madeira repleta de livros, criada pela arquiteta, divide o living do quarto de casal. “Minha ideia foi mostrar uma forma cosmopolita de morar, um ambiente integrado, bonito, confortável e funcional”, diz Paola Ribeiro.
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Casa Cor Rio 2014 (Foto: Andre Nazareth / Divulgação)

Loft 212 - Paloma Yamagata
Com laje e tubulações aparentes, o loft de 80 m² tem até uma garagem que abriga um Smart car e um container, onde fica o quarto e o banheiro. “Trouxe o conceito high-low da moda para a decoração, misturando produtos e materiais mais sofisticados com outros mais simples e pouco comuns na decoração”, explica a arquiteta. Tons de madeira clara, cinza concreto e verde militar colorem o ambiente.
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Casa Cor Rio 2014 (Foto: Andre Nazareth / Divulgação)

Estúdio PN para Lina Bo Bardi - Paula Neder
O projeto tirou partido da linda vista por trás de um grande pano de vidro e do pé-direito alto com laje nervurada aparente. “Quando entrei no espaço vazio o que logo me veio à mente foi a Casa de Vidro da Lina Bo Bardi, que é uma referência modernista muito importante e que adoro”, descreve a arquiteta. As paredes ganharam tons cimentícios, pontuadas pelos tons fortes dos móveis, dos tecidos, dos tapetes e dos objetos de decoração, dispostos de forma livre e despojada.

Matéria publicada no site Casa Vogue em 28 de Outubro de 2014

CORES E ENERGIA NO LAR DO JOVEM CASAL

Medidas criativas trazem alegria ao espaço

Recém-casada, a arquiteta Adriana Pierantoni tinha um delicioso desafio: projetar a morada onde ela e o marido passariam os primeiros anos de vida juntos. O loft de 70 m² com apenas uma parede e lajes à mostra oferecia liberdade suficiente para a profissional conferir ao lar o estilo da dupla.

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Adriana criou um ambiente personalíssimo investindo em cores alegres, texturas e objetos que lembram momentos especiais para o casal. Mas não perdeu a medida: afinal, o escritório doméstico onde ela recebe clientes funciona bem ao lado da sala de estar, local de reunir amigos.

“Para cada ambiente eu escolhi um tom de referência”, conta, revelando como equilibrar matizes na decoração. “Na sala, selecionei o cereja – outra cor, mais brilhante, competiria com a TV”, explica. Ali, as parede formam uma base neutra e ganham movimento com as texturas – elas receberam papel com relevos imitando tijolinhos pintados.

Apartamento colorido (Foto: Gustavo Awad/Divulgação)

O ar jovial do living é obtido com peças como as almofadas da R. Valentim, mesa de centro e banquinhos desenhados pela arquiteta e tapetes da Oppa. Ao lado da TV, um painel transparente enche-se aos poucos com as rolhas das garrafas de vinho que o casal desfruta junto. Na parede atrás do escritório, um quadro do artista Lobo retrata momentos marcantes da dupla.

Evitar divisórias multiplicou o espaço. As áreas sociais – sala, home-office e jantar – formam ambiente único de 40 m² . Junto à mesa de refeições, uma parede de espelhos manda pra longe a sensação de aperto. Ali, Adriana instalou um painel com fotos do casamento, lua de mel e viagens com o marido. “Se fosse um espelho inteiro, as pessoas tocariam com a mão e sujariam”, explica. A cozinha ganhou papel de parede estampado com o mapa do metrô de Londres.

Apartamento colorido (Foto: Gustavo Awad/Divulgação)

Fugir do gesso implicou em evitar luminárias embutidas. Por isso, a arquiteta aproveitou as saídas de energia para instalar trilhos com spots luminosos. Assim, é possível direcionar a iluminação de acordo com o momento.

Adriana pôde escurecer os tons no quarto, uma área onde as visitas raramente vão, e banheiro, local de permanência transitória, onde se costuma ousar mais. Cores primárias brilham nesses ambientes.

No dormitório, o closet original, formado por dois armários paralelos de 1,5 m, era muito pequeno para o casal. A arquiteta decidiu acrescentar 1 m em cada peça, trazendo-o para perto da cama. A medida consumiu um pouco do espaço de circulação. Adriana compensou criando molduras onde ficam fotografias cheias de boas lembranças.

Apartamento colorido (Foto: Gustavo Awad/Divulgação)

Apartamento colorido (Foto: Gustavo Awad/Divulgação)

Apartamento colorido (Foto: Gustavo Awad/Divulgação)
Apartamento colorido (Foto: Gustavo Awad/Divulgação)

Apartamento colorido (Foto: Gustavo Awad/Divulgação)

Apartamento colorido (Foto: Gustavo Awad/Divulgação)

Apartamento colorido (Foto: Gustavo Awad/Divulgação)

Apartamento colorido (Foto: Gustavo Awad/Divulgação)

Apartamento colorido (Foto: Gustavo Awad/Divulgação)

Apartamento colorido (Foto: Gustavo Awad/Divulgação)

Apartamento colorido (Foto: Gustavo Awad/Divulgação)

Apartamento colorido (Foto: Gustavo Awad/Divulgação)

Apartamento colorido (Foto: Gustavo Awad/Divulgação)

Apartamento colorido (Foto: Gustavo Awad/Divulgação)

Apartamento colorido (Foto: Gustavo Awad/Divulgação)

Apartamento colorido (Foto: Gustavo Awad/Divulgação)
Matéria publicada no site Casa Vogue em 22 de Outubro de 2014  por Nilbberth Silva; Fotos Gustavo Awad

‘DECORAÇÃO RÁPIDA’ QUER FISGAR CLIENTES COM PREÇO E RAPIDEZ

Serviço procura tornar trabalho de arquitetura e decoração mais acessível.

Se projeto inclui algum tipo de alteração na edificação, custo já sobe com a contratação de profissional habilitado.

Quem procura a “decoração express” está atrás de serviços mais simples, rápidos e baratos e que, de fato, mudem a cara dos ambientes.

Em geral, o trabalho começa com uma consultoria de duas horas na casa do cliente, em que designers ou arquitetos conversam com o dono do imóvel e apontam as mudanças a serem feitas.

Nesse primeiro contato, o profissional já relaciona produtos e serviços que podem ser comprados ou executados.

Um memorial descritivo completo, com as ideias, os produtos, os fornecedores e os preços, é entregue alguns dias depois. Há empresas que cobram à parte esse detalhamento.

A partir daí, o cliente pode decidir se contrata o profissional para executar a decoração ou se faz tudo por conta própria.

“Alguns clientes querem redecorar aos poucos. Então, entregamos o memorial e, num mês eles compram o mobiliário, no outro pagam a instalação do papel de parede e assim sucessivamente”, explica Flávia Grilo, da Dom Arquitetura e Interiores, escritório que abriu uma linha específica para o serviço “express”, o Arq-Fast.

Para quem escolhe a opção de seguir o manual descritivo sozinho, o serviço acaba custando só o valor da consulta de duas horas, que varia de R$ 400 a R$ 1.000.

Adriana Rigatto, do Divã da Decoração, que também trabalha nesta modalidade, conta que há um público, em geral de clientes “mais antenados e modernos”, que prefere fazer tudo por conta própria para buscar alternativas e agregá-las ao projeto.

“Mas quando o cliente não tem ideia de como organizar o projeto, executamos a decoração também”, diz ela.

Ainda assim, os designers trabalham com prazos de três a 15 dias para entregar os ambientes prontos.

A psicanalista Mariana Laham e o ator Marcelo Laham na sala repaginada no 'modo express' pelo escritório Divã da Decoração

A psicanalista Mariana Laham e o ator Marcelo Laham na sala repaginada no ‘modo express’ pelo escritório Divã da Decoração

Entre os trunfos de agilidade de quem atua neste segmento, a arquiteta e membro do CAU

A copa de Mariana Laham e Marcelo Laham antes do 'tapa'

A copa de Mariana Laham e Marcelo Laham antes do ‘tapa’

(Conselho de Arquitetura e Urbanismo), Aparecida Borges, aponta os produtos como a argamassa de secagem rápida, os papéis de parede, as tintas sem cheiro e os pisos flutuantes (vinílicos e laminados de madeira).

Borges não vê “contraindicações” na modalidade, desde que o serviço inclua apenas mudanças de peças e objetos. “Aí, o que faz diferença é a criatividade do profissional”, diz.

No entanto, se a transformação incluir, por exemplo, pintura de paredes, instalação de papel de parede ou piso e iluminação, é preciso se certificar que as condições estão apropriadas. “Se houver uma infiltração na parede, o papel de parede vai estufar”, adverte.

A Ah!Sim é uma das poucas empresas nesse mercado que executa obras, como a troca de piso, substituição de paredes e interferências na estrutura. Ainda assim, o prazo é fator crucial, segundo a designer Mariane Carneiro.

“Ninguém quer ficar com uma obra em casa por muito tempo, então temos um prazo de 90 a 120 dias para terminar o projeto”, diz.

O perfil de quem busca o serviço, segundo ela, é de jovens, entre 20 e 35 anos, solteiros ou recém-casados, que precisam decorar um imóvel novo ou querem repaginar cômodos. Investidores que alugam apartamentos já mobiliados também são clientes.

O perfil dos imóveis é outro fator característico do ramo. Os imóveis, boa parte estúdios ou compactos, costumam ter os espaços melhor aproveitados em um projeto assinado por um profissional.

EXPRESS OU TRADICIONAL?
Confira as diferenças entre a decoração express e o trabalho tradicional de um arquiteto

DECORAÇÃO EXPRESS

Quem atende?
Pessoas que querem renovar um ambiente ou a casa toda com rapidez e pagando menos

O que faz?
Em uma consultoria de poucas horas, o designer faz um projeto de decoração e (em poucos casos) reforma, com o detalhamento e preços de todos os serviços e produtos a serem contratados

O que não faz?
Poucos profissionais do setor se dispõem a executar obras (troca de pisos, novos pontos de iluminação, mudanças estruturais etc)

Perfil do ambiente que atende
Desde cômodos pequenos, como um banheiro, até o imóvel todo

Quanto cobra?
A consulta inicial costuma custar entre R$ 400 e R$ 1.000 e só inclui a mão de obra do arquiteto ou designer contratado. Mobiliário e serviços são cobrados à parte

Vantagens
É um serviço barato para quem quer a ajuda de um profissional para mudar o visual do ambiente em pouco tempo

Desvantagens
Quem quer fazer reformas na casa pode ter que contratar, além do designer que fez o projeto, outro profissional para acompanhar a obra

ARQUITETURA TRADICIONAL

Quem atende?
Pessoas que querem planejar em detalhes reformas e repaginações significativas no imóvel

O que faz?
Em um contrato e planejamento a longo prazo, o arquiteto conversa diversas vezes com o cliente para desenhar o projeto, contata os fornecedores, acompanha a obra e entrega tudo pronto

O que não faz?
Podem não topar fazer mudanças pontuais, como a decoração de um único cômodo

Perfil do ambiente que atende
Em geral, planejam toda a planta da casa

Quanto cobra?
Entre R$ 2.000 e R$ 3.000 o metro quadrado de reforma ou acabamento

Vantagens
O planejamento completo da casa permite pensar a funcionalidade do imóvel como um todo e não em partes

Desvantagens
O preço ainda assusta muita gente. Mesmo que o arquiteto tope fazer a repaginação de um cômodo pequeno, a relação de preço por metro quadrado pode deixar o projeto muito caro

Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo em 19 de Outubro de 2014