NESTA NOITE DE NATAL, ‘VISTA’ O SEU COMPUTADOR

Relógios e pulseiras inteligentes podem não fazer muito volume embaixo da árvore de Natal, mas qualquer fã de tecnologia ficará muito satisfeito em ganhá-los neste fim de ano. Os produtos são os mais comuns até agora entre os chamados “wearables”, que prometem mudar a forma como as pessoas interagem com a tecnologia ao levar funções do computador a itens como peças de roupa e acessórios.

Tome-se o caso do Moto 360. O relógio inteligente da americana Motorola permite checar a previsão do tempo, ver notificações de mensagens recebidas no celular e traçar rotas, entre outras funções. O dispositivo parece um relógio tradicional, com formato redondo e botão, o que mostra o esforço da indústria para tornar seus produtos mais atraentes ao consumidor. A ideia é conquistar não só os fãs de tecnologia, mas qualquer usuário que acompanhe as tendências da moda.

É curioso que os relógios, que foram abandonados por muita gente com a popularização do celular, sejam agora tão explorados pelos grandes fabricantes. Em parte, isso decorre do fato de que os novos dispositivos vão muito além de mostrar as horas. A finlandesa Polar, tradicional fabricante de medidores de frequência cardíaca, levou essa funcionalidade a relógios como o M400. Com isso, eliminou o uso da faixa que os esportistas eram obrigados a usar ao redor do peito – e que sempre foi motivo de incômodo e reclamação. O aparelho também funciona como GPS para registrar percurso, tempo do exercício etc.

A Microsoft Band vai na mesma linha e ajuda a monitorar a saúde, mas sob o formato de uma pulseira. Com ela, dá para saber como anda a qualidade do sono, contar o número de passos dados, seguir planos de exercícios etc.

Parte desses dispositivos vêm com assistentes pessoais digitais – sistemas que interagem com o usuário e aos quais é possível dar comandos de voz. A Microsoft Band vem com o Cortana, por enquanto disponível só em inglês. O Moto 360 usa o Google Now, que já fala português.

Rapidez é uma exigência na indústria de alta tecnologia. Os “wearables”, que eram uma promessa pouco tempo atrás, já se transformaram numa categoria de consumo. O mesmo pode acontecer com as impressoras 3D. Em tese, essas máquinas podem fazer qualquer coisa ao usar diversos tipos de material para “imprimir” um projeto criado no computador. Primeiro, a impressão 3D chegou ao mundo industrial. Depois, começou a ser adotada por fanáticos por tecnologia. Agora, já tem produtos para o consumidor como a Ekocycle Cube, da 3D Systems. O produto é resultado de uma parceria entre a companhia da Carolina do Sul e a Ekocycle, criada pela Coca-Cola e o músico wil.i.am, do Black Eyed Peas. A aliança tem o objetivo de estimular a manufatura de produtos com base em material reciclável. A Ekocycle Cube usa como matéria-prima um tipo de plástico feito a partir de garrafas PET.

As telas, em seus diversos formatos, continuam sendo uma atração especial. Parece não haver limite para o tamanho das televisões. No ano passado, os maiores modelos chegavam a 80 polegadas. Agora, superam os 100. Tanto a LG como a Samsung – ambas coreanas – lançaram recentemente modelos de 105 polegadas. O aparelho da Samsung tem tela curva, que dá sensação de imersão ao espectador, e qualidade de imagem 4K (ou quatro mil pixels), oito vezes melhor que o Full HD. A LG trouxe um modelo 5K, cuja tela também é curva mas tem um formato esticado, mais parecido com uma tela de cinema. Mas Papai Noel tem de ser muito generoso. O aparelho da LG custa R$ 300 mil. O da Samsung sai por R$ 500 mil.

No universo dos smartphones, telas grandes também estão ficando populares. O Mate 7, da chinesa Huawei, tem tela de 6 polegadas, uma das maiores do mercado. O aparelho usa uma versão do sistema operacional Android, do Google, muito bonita e rápida. Adota o padrão 4G; tem sensor biométrico, o que aumenta a segurança das informações; e vem com câmera de 13 megapixels.

No campo dos tablets, a Samsung lançou dois modelos da linha Galaxy Tab S, com telas de 8,4 e 10,5 polegadas. São finos e têm acabamento com bordas douradas, um apelo adicional para quem procura estilo.

Boa parte dessas novidades não está disponível no Brasil ainda. Para obtê-las é preciso comprar no exterior ou em sites internacionais que fazem entregas no país. Em quaisquer dos casos, é preciso ficar atento aos custos. Os preços indicados não incluem o imposto sobre valor adicionado, cobrado nos Estados Unidos, nem a tributação brasileira.

Uma boa notícia para não depender dos importados é que a Go Pro começou a fabricar seus produtos no Brasil. As câmeras compactas da companhia americana tornaram-se uma febre porque podem ser acopladas a capacetes e peças de roupa, o que ajuda a captar imagens em movimento com alta resolução. No recente show do cantor inglês Paul McCartney em São Paulo, havia instruções expressas para os fãs não usarem os bastões que costumam acompanhar a Go Pro. A versão 4, a mais recente, ainda não é produzida no Brasil.

Para os esquecidos, uma sugestão é comprar o The Tile. Trata-se de um bloquinho de plástico que se liga ao celular por conexão Bluetooth, criando uma espécie de cerca digital. O usuário pode atar o dispositivo à sua bolsa ou à chave de casa, por exemplo. Ao se afastar muito, o celular avisa.

É cedo para dizer quais serão os presentes do Natal de 2015, mas a expectativa é que os “wearables” fiquem ainda mais fortes. A Apple planeja lançar seu relógio inteligente, o iWatch, até meados do ano que vem. Também se espera para os próximos meses a chegada dos óculos Google Glass. É bom guardar dinheiro desde já.

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Matéria publicada no jornal Valor Econômico em 09 de dezembro de 2014.

CASA INTELIGENTE CHEGA AO MERCADO EM 2020

Em menos de dez anos, móveis e eletrodomésticos terão capacidade de reconhecer pessoas e falar com elas para ajudar nas tarefas de casa. Se essa realidade ainda parece estar distante dos lares brasileiros, no Japão a tecnologia já foi desenvolvida. Chega ao mercado em 2020.

A companhia de eletroeletrônicos Panasonic começou neste ano a expor para consumidores em Tóquio os protótipos de uma série de produtos criados para a automatização do lar, uma linha que lembra os episódios dos Jetsons, desenho animado “futurista” dos anos 1960.

Logo na entrada da casa do futuro exposta pela multinacional japonesa, uma câmera de segurança que reconhece a face dos donos agiliza a abertura da porta.

Dispositivo digital reconhece ingredientes e fornece dicas de receitas a seus usuários

Dispositivo digital reconhece ingredientes e fornece dicas de receitas a seus usuários

A entrada de encomendas também será facilitada. Alimentos quentes ou gelados poderão ser colocados pelo entregador em compartimentos que se adaptam às condições de temperatura: o recipiente se resfria para receber a carne ou se aquece quando entra o pão quente.

As encomendas vêm do mercado com um código que carrega, além das condições de temperatura, outros dados como tamanho e tipo de produto, informações que poderão ser consultadas pelo consumidor por comando de voz.

CÔMODOS INTERATIVOS

O cozinheiro que perguntar para o dispositivo digital interativo instalado em sua cozinha quais pratos pode preparar com a carne que acaba de receber ouvirá da máquina uma lição sobre o modo de preparo.

Se rejeitar a dica, recebe receitas alternativas.

No banheiro, o espelho com sensores no chão será capaz de identificar informações como pulsação e peso de quem estiver a sua frente.

Além da avaliação médica, vai oferecer opções de maquiagem. Mesmo se estiver com o rosto limpo, a dona do espelho poderá se ver refletida usando batom vermelho e olhos pintados. A tecnologia também permite combinações de roupas. Na cama, há sensores que ajustam automaticamente a temperatura e a luminosidade do quarto.

Nos próximos anos, a empresa precisa estudar as condições de mercado. Atualmente, está em fase de fechamento de parcerias com prestadores dos serviços.

Algumas das invenções recentes da japonesa já estão no varejo, como as máquinas de lavar que identificam a quantidade de sujeira nas roupas para evitar desperdício de água e as geladeiras que registram os horários de maior consumo do dono, funcionando em modo de economia de energia nos outros.

Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo em 30 de Novembro de 2014

CORREDOR QUE DÁ PARA O JARDIM SE TRANSFORMA EM BIBLIOTECA

Quadros, livros e uma lousa para as crianças transformaram esta passagem numa parada irresistível a caminho do jardim

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 Aquele trecho de 6 m de comprimento e 1,80 m de largura parecia muito amplo para ser desperdiçado. As paredes brancas e a luz natural abundante só aumentavam a sensação de vazio no local, transição entre os quartos e a entrada lateral da área externa da casa, parte de uma fazenda situada no Vale de Matjiesvlei, próximo da cidade de Calitzdorp, na África do Sul. Além do quadro-negro, reaproveitado de uma antiga escola pelos proprietários – Colin Lumb e sua esposa, Bronwyn –, o corredor ganhou prateleiras. “Esses elementos deram vida e um sentido ao espaço”, comenta Bronwyn, formada em design. No piso, as tábuas de pínus foram protegidas por um impregnante em tom escuro.

Matéria publicada no site Arquitetura & Construção em 23 de Outubro por Sven Alberding Bureaux / Foto Greg Cox/BureAux

NA CONTRAMÃO DO MERCADO, BAIRROS DA ZONA SUL E OESTE LIDERAM LANÇAMENTOS

Bairros com boa infraestrutura nas zonas oeste e sul guiaram os lançamentos residenciais no primeiro semestre de 2014.

Plano Diretor deve encarecer lançamentos

Em um período de pé no freio das construtoras (o número de lançamentos recuou 21,5% no primeiro semestre), os bairros Campo Belo, Itaim Bibi, Barra Funda, Pinheiros e Vila Andrade foram responsáveis por dois em cada dez imóveis lançados no primeiro semestre deste ano.

Das 12.333 futuras unidades, 3.262 (26,5%) estão sendo construídas nesses bairros.

“São lugares com fácil acesso e velocidade de venda excelente”, diz Emilio Kallas, vice-presidente de incorporação do Secovi (sindicado do mercado imobiliário).

Vizinhos de bairros com preços altos ou baixa oferta de terrenos, alguns dos “queridinhos” do setor têm melhores condições de compra.

A relações-públicas Karina Brandford, 29, e o analista de receitas Felipe Campos, 28, compraram no mês passado um apartamento de 114 metros quadrados na Vila Andrade (zona sul).

“Escolhemos um imóvel longe da zona oeste, onde moramos agora, mas com mais espaço, opções de lazer e um preço mais em conta”, diz ela.

Felipe e Karina compraram um apartamento na Vila Andrade e planejam se mudar em abril de 2015
Felipe Campos e Karina Brandford compraram um apartamento na Vila Andrade e planejam se mudar em abril de 2015

As regiões listadas, com alta concentração de centros empresariais e opções de lazer, são a aposta das construtoras para um público que quer morar em lugares acessíveis e com qualidade de vida.

Os empreendimentos têm perfis muito diversos, embora sigam o padrão de imóveis em zonas valorizadas da cidade.

“Esses bairros ainda são muito rentáveis. Sempre há alguém interessado em comprar”, diz Roseli Hernandes, diretora da imobiliária Lello.

Cabe destaque aos imóveis de um só dormitório, que predominam em três dos cinco bairros da lista.

Mais de 70% dos lançamentos de Pinheiros (zona oeste) e Campo Belo (zona sul) têm esse perfil.

O líder da lista, Campo Belo, também é o maior responsável pelos empreendimentos maiores, de 4 dormitórios, com 150 unidades lançadas.

A administradora Juliana Silva comprou, em 2013, um apartamento de 180 metros quadrados e três dormitórios no bairro. Ela já morava na região, no Brooklin, em um imóvel alugado.

“Decidi me mudar por causa do crescimento do bairro, pela ótima estrutura do prédio e também pensando no espaço que precisaria quando eu tivesse filhos”, conta.

Juliana Silva em seu apartamento novo em Campo Belo; expansão do bairro e estrutura do prédio definiram a escolha
Juliana Silva em seu apartamento novo em Campo Belo; expansão do bairro e estrutura do prédio definiram a escolha

A Barra Funda (zona oeste) e a Vila Andrade (zona sul) também estão começando a abrir mercado para as famílias e casais jovens.

Eles conseguem ainda oferecer empreendimentos maiores, com ampla oferta de lazer, a preços mais acessíveis.

“A Barra Funda está em pleno processo de transformação. Com a demanda em alta, o volume de serviços no bairro deve aumentar”, diz Bruno Vivanco, vice-presidente comercial da imobiliária Abyara Brasil Brokers.

O mesmo vale para a Vila Andrade, que pega carona na expansão do vizinho Morumbi.

“Em geral, os bairros em destaque são escolhidos por terem maior potencial construtivo e terrenos mais baratos”, diz Fabio Sousa, diretor da construtora Esser.

Segundo o CEO da construtora MaxCasa, José Paim, a demanda começa a mudar esse cenário: “Já está difícil comprar terrenos nesta região”.

O início da vigência do novo Plano Diretor, em 31 de julho, também deve influenciar.

Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo em 28 de Setembro de 2014

CASA DE CAMPO: UMA TACADA CERTEIRA

Casa grande em condomínio de golfistas

A paixão pelo golfe motivou o casal a construir num condomínio em que é possível praticar o esporte, no interior paulista.

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Mais do que um exercício de precisão e ousadia, o golfe significa, para os adeptos, o prazer de estar ao ar livre, bolando estratégias e lidando com os obstáculos que surgem no caminho. Ao enfrentar as mesmas dificuldades impostas pelo campo, os jogadores não se veem como adversários: a companhia é o que importa. Entusiasmados pelo esporte a ponto de contagiar filhos e netos, Katsuji e Shigueko Sako garantiram sua trupe. “Toda a família bate bola. Isso nos levou a procurar um condomínio com lugar para praticarmos juntos”, conta a senhora Shigueko. Assim, o casal conheceu alguns terrenos num empreendimento em Itupeva, no interior de São Paulo, e, com a ajuda do arquiteto Vasco Lopes, escolheu aquele que acolheria seu futuro endereço de lazer. “Optamos por um lote vizinho ao campo de golfe e com topografa muito conveniente, quase plana. A intenção foi erguer uma casa bastante integrada ao jardim, bem arejada e acolhedora”, explica Vasco. A construção térrea acomoda quatro suítes e área social que se estende ao deck, com spa e gazebo de relaxamento, exatamente na divisa com o tão adorado campo.

A morada ainda contemplou mais duas solicitações específicas. “Fazíamos questão de estacionar os carts [carrinhos de golfe] praticamente dentro de casa e que houvesse um espaço próximo a eles para armazenar nossos troféus”, detalha Shigueko. Considerações anotadas e incluídas no projeto arquitetônico – na fachada da rua, o muro curvo de alvenaria garante a privacidade e indica o acesso lateral de veículos à garagem. No mesmo elemento, a abertura de 4 m permite o vaivém dos carts, guardados numa espécie de sala vizinha à entrada principal e ao escritório, dedicado aos equipamentos e canecos dos praticantes. Já o segundo pedido tem a ver com outro “esporte” curtido pela família: comer. A planta previu generosa área para a churrasqueira. Integrada à cozinha por meio de portas de vidro temperado, que correm em caixilhos de madeira freijó, a ala gourmet também se conecta ao spa através de uma escada de piso cimentício e um gramado.

Pronta em dezembro de 2013, a residência abriu as portas aos visitantes pela primeira vez no Natal. Desde então, vive cheia. “Sempre que podemos, saímos da capital na quinta-feira para aproveitá-la ainda mais. Ela já sediou até o almoço de casamento de um dos filhos. Recebemos 150 convidados, e, além da noiva, a casa foi a atração. Também comemoramos aniversários dos netos aqui. E nossos amigos apelidaram carinhosamente este reduto de ‘a casinha especial da turma do golfe’”, diz a proprietária, com a alegria típica de quem deu uma tacada certeira.

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Matéria publicada pela revista Arquitetura e Construção em Junho de 2014.

O QUE É ARQUITETURA OPEN-SOURCE?

Conheça a arquitetura open-source, movimento que se articula mundialmente para democratizar o acesso a bons projetos.

Imagine entrar num site, baixar as plantas de certa moradia desenhada por um profissional de ponta e poder construí-la? Essa é a ideia do ainda embrionário conceito de arquitetura open-source, movimento que se articula mundialmente para democratizar o acesso a bons projetos – tema quente para nossa discussão sobre o que é O Melhor da Arquitetura.

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Foi preciso que Joana Pacheco, nascida em Lisboa, trabalhasse por sete anos em escritórios tradicionais de Portugal e também dos Estados Unidos para se fazer a pergunta um tanto incômoda: como a arquitetura pode ser mais democrática e economicamente viável? “Eu me dei conta das barreiras financeiras de acesso ao design. A oferta com qualidade é pobre. As pessoas não gostam dos tipos de projeto que podem comprar, mas não têm escolha”, a irma Joana, arquiteta que resolveu, então, criar uma empresa para suprir esse nicho, o site Paperhouses, com sede em Nova York. Sua percepção despertou com a crise de 2008, catalisada pela bolha imobiliária americana.

 

“A depressão consolidou meu ponto de vista: as condições da habitação para a classe média não estavam adequadas aos meios atuais.” Mas nem é preciso ir muito longe. Basta olhar ao redor para entender aonde Joana quer chegar. Independentemente do nível dos projetos, o valor das moradias não para de subir nas maiores cidades brasileiras. Entidade ligada à Universidade de São Paulo (USP), a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) elabora um índice mensal, o FipeZap, que acompanha o preço médio do m2 de apartamentos prontos de 16 municípios. Esse indicador cresceu 12,9% se compararmos março deste ano ao mesmo mês de 2013. Segundo a pesquisa, em São Paulo, o m2 chega a R$ 13 863, no bairro da Vila Nova Conceição. No Rio de Janeiro, atinge R$ 22 116, no Leblon. É nesse quadro que começamos a ouvi r a expressão “arquitetura open-source”. “Emprestado do universo digital, o termo está relacionado ao conhecimento aberto, ao creative commons, de licenças livres”, explica Ana Isabel de Sá, arquiteta e pesquisadora de espaço urbano e cultura digital

 

Na prática, a principal ideia por trás do conceito é a democratização. “Todo mundo deveria ter direito aos benefícios do bom design. O open-source permite oferecer os recursos para muitos”, afirma Michael Steiner, arquiteto do Architecture for Humanity, organização de ação global. Focada em soluções para áreas carentes, a entidade conta com a rede Open Architecture Network, em que profissionais e empreendedores compartilham, comunicam e administram métodos construtivos.

 

Não é de se estranhar, portanto, que os primeiros sinais do movimento tenham aparecido no âmbito das cidades, questionando as práticas tradicionais de planejamento urbano por meio de aplicativos e sistemas participativos em rede, nos quais a comunidade aponta problemas e se organiza para encontrar soluções. Ana Isabel cita como exemplo o Hybrid Space Lab, escritório alemão interdisciplinar: “Seus integrantes acreditam que esses tipos de plataforma substituirão gradualmente a lógica de design da era industrial, desde quando os criativos projetam para as massas”. Com tal premissa, bolaram o City Kit, espécie de jogo online em que os moradores de Hong Kong simulam virtualmente mudanças para seus bairros. “Apesar de funcionar como celeiro de ideias, algumas propostas sugeridas ali já foram reproduzidas na prática.”

 

Seguindo rastros como esse, Joana vislumbrou o Paperhouses, cujos passos iniciais ocorreram em 2012 (o lançamento oficial do site é neste mês). “Queríamos associar qualidade, com talentos do mundo todo, a uma consciência de custo, descentralizando a construção. Por outro lado, pareceu a nós que essa seria uma oportunidade de dar um real sentido ao ideal de arquitetura participativa. Assim, surgiu a noção do open-source – os projetos oferecidos não têm as restrições típicas de direito autoral e, por isso, podem ser utilizados como base para variações pelos usuários, partilhadas no link da comunidade de cada casa”, explica Joana.

 

Mas, afnal, como funciona? Escritórios top como o chileno Panorama, o húngaro sporaarchitects e o da mexicana Tatiana Bilbao foram convidados a elaborar casas de 50 a 200 m2. Exclusivas, são disponibilizadas gratuitamente no endereço online: você acessa o programa, as plantas kesquemáticas e as imagens exteriores, interiores e em 3D. No Brasil, o arquiteto escolhido foi Angelo Bucci, cuja proposta ainda está em etapa preliminar. “A iniciativa merece atenção pelo desafo. Vejo como uma janela para expandir nossos campos de diálogo”, analisa. Parece simples. No entanto, uma questão crucial se coloca, relacionada à adequação do desenho genérico às circunstâncias locais, desde o perfl do lote até os hábitos culturais. “Essa é a grande provação de qualquer proposta sem terreno. Trata-se apenas de uma matriz, que tem de ser adaptada do ponto de vista da estrutura, das instalações e, inclusive, das regras de edifcação do lugar. Para tal, o usuário deve assumir a responsabilidade da obra, contratando um arquiteto ou engenheiro, ou delegá- -la a uma das construtoras sugeridas”, detalha Joana. Ela se refere a uma série de empresas de cada país recrutadas pelo site (por aqui, essa é uma fase ainda em andamento).

 

O acordo prevê valores fixos. “Esses preços são sindicalizados, ou seja, tiram partido do número de registros por área. Dessa maneira, o interesse comum de certo grupo de pessoas na cidade de São Paulo, por exemplo, assegura um desconto coletivo por causa da produção em maior escala. Calculamos uma economia total de cerca de 30% em relação a uma obra tradicional.” Talvez aí more seu grande trunfo, uma vez que o valor do projeto em si não pode assumir a culpa pelo alto custo de uma moradia hoje, sobretudo nas metrópoles cujo metro quadrado e mão de obra são de custos exorbitantes. “Sua participação é mínima em relação a todos os itens”, defende Angelo Bucci. E, já que estamos falando de preços, por quanto sairia uma casa do Paperhouses? “No Brasil, até o processo estar concluído, estimo que entre R$ 125 mil e R$ 500 mil, de acordo com o tamanho”, prevê Joana

 

Para o arquiteto participante, além da divulgação midiática, envolver-se nesse modo de trabalho significa responder aos dilemas impostos pela complexa vida nas cidades. No Paperhouses, ele assume o risco de só receber caso seja firmado um contrato de consultoria para a construção. “No entanto, muitos veem aí uma nova forma de fazer arquitetura, que tem não somente virtudes sociais como também representa intelectualmente um desafio”, garante Joana.

 

Angelo reforça o viés cultural: “Só faço arquitetura nesse sentido, pois não acho que, individualmente, do ponto de vista comercial, essa proposta vá mudar minha atuação. Por isso, achei importante que o site não disponibilizasse os desenhos executivos, bastante caros para serem produzidos e claramente endereçados a profissionais e fornecedores específicos. Eles seriam um alto investimento nosso que, ao final, teriam pouca capacidade de universalização”.

 

O compromisso social é o principal foco de outro sistema open-source, o pioneiro WikiHouse. Idealizado em 2011 pelos designers ingleses Alastair Parvin e Nick Ierodiaconou, tinha um intento radical: viabilizar um método construtivo barato e compacto, passível de ser executado por qualquer pessoa. Para isso, os dois inventaram um modelo de casa cujo esquema você baixa no site, imprime as peças de madeira numa máquina 3D e monta. Fácil? Nem tanto, mas, desde que o conteúdo entrou no ar, cinco protótipos já apareceram pelo mundo, em países como Nova Zelândia e Estados Unidos. “Se formos sérios aoenfrentar as consequências da rápida urbanização e das mudanças climáticas, precisaremos desenvolver estruturas autônomas sustentáveis e colocá- las para uso comum”, diz Alastair. O site conta com um sócio no Brasil, o pesquisador Jimmy Greer, também inglês. “Achei que seria muito bom utilizar o WikiHouse no Rio de Janeiro como um laboratório dentro das favelas, agregando o conhecimento da comunidade às condições locais”, explica Jimmy, que se juntou ao empreendedor social carioca Anderson França, o Dinho. “Somos voluntários e, apesar de não termos um espaço oficial definido para instalar o escritório ou uma região fechada para atuar, já conseguimos o equipamento. A previsão é de que tudo esteja funcionando dentro de um mês”, promete Jimmy. Se der certo, o modelo “made in Rio” vai virar exemplo e ser partilhado no site. Como manda o open-source.

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Matéria publicada pela revista Arquitetura e Construção em Maio de 2014.

EMPRESA JAPONESA DÁ ADEUS À LINHA DE MONTAGEM

Na fábrica da empresa japonesa Roland DG Corp., produzir impressoras com milhares de peças é tão fácil quanto um brinquedo de montar.

Isto porque a Roland DG, uma pequena empresa com 966 empregados e vendas anuais de cerca de US$ 300 milhões, fabrica todos os seus produtos, desde impressoras de cartazes até máquinas para modelar coroas dentárias, usando um sistema avançado de produção conhecido como “D-shop”.

Por este método, os funcionários da fábrica, trabalhando em baias individuais, montam produtos do início ao fim, guiados pelas imagens em 3-D exibidas num computador e utilizando as peças fornecidas por prateleiras giratórias automáticas. Todo funcionário é capaz de montar qualquer variação dos cerca de 50 produtos da empresa.

A evolução da Roland DG, de quem a fabricante de pianos digitais Roland Corp. tem uma fatia de 40%, começou em 1998, quando ela se tornou uma das primeiras empresas do Japão a abandonar a linha de montagem em favor das baias individuais de trabalho, inspiradas nos quiosques japoneses que vendem macarrão. Com os pedidos chegando em lotes cada vez menores, a Roland DG decidiu que precisava de um sistema de produção em que apenas um funcionário pudesse construir qualquer um de seus diversos produtos.

Desde então, a empresa vem fazendo experimentos com a ajuda crescente da tecnologia e de manuais de instrução para atingir seu objetivo.

Recentemente, na fábrica da Roland DG na cidade de Hamamatsu, no centro do Japão, uma funcionária estava montando do zero uma impressora industrial que, no fim, ia ter mais que o dobro de seu tamanho e pesar mais de 400 quilos. Outro funcionário que acabou de entrar na empresa estava fazendo um protótipo de uma fresadora. E um terceiro fazia a máquina para coroas dentárias.

O monitor de um computador exibe instruções passo a passo da montagem em imagens 3-D: “Aperte o Parafuso A nestes oito lugares” ou “Fixe a Peça B utilizando o Suporte C”. Ao mesmo tempo, a prateleira rotatória gira para mostrar qual das dezenas de peças será empregada. Enquanto isso, uma chave de fenda digital verifica o número de voltas dadas nos parafusos e se eles estão bem apertados. Até que os parafusos tenham sido instalados de forma correta, as instruções na tela do computador não avançam para o próximo passo.

Os funcionários raramente ficam confusos, mas, quando isso acontece, eles apertam um botão e o gerente vem ajudar.

O sistema é tão simples que praticamente qualquer um pode montar produtos em qualquer lugar, dizem os gerentes. Quando os pedidos aumentam, a Roland DG procura trabalhadores de meio período. Depois de dois dias de treinamento, em que os operários praticam como conectar fios e apertar parafusos, as equipes começam a montar peças de impressoras, ou impressoras pequenas inteiras. “Podemos deslocar pessoas rapidamente para fazer produtos com maior demanda. É uma estrutura muito flexível”, diz Masaki Hanajima, gerente geral de produção.

Funcionários experientes são capazes de montar duas máquinas simultaneamente, ou realizar testes num produto acabado enquanto montam outro. “Nossa meta é dobrar a produtividade”, diz Hanajima. Ele afirma que a produtividade cresceu 60% desde o fim de 2010 nas fábricas japonesas da empresa.

A Roland DG afirma que os instrumentos digitais reduzem defeitos e ajudam a motivar os trabalhadores num mercado competitivo. O processo também contribuiu para manter a qualidade na fábrica da Roland DG na Tailândia, a primeira no exterior.

Como se não bastasse, o computador até incentiva os empregados no fim do dia, com a mensagem “Otsukaresama deshita”.

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Matéria publicada pelo Jornal valor Econômico em 04 de Junho de 2014 por Mayumi Negishi.

TRELIÇA VIRA EFEITO EM FACHADA

Uma estrutura de treliça vai compor a fachada do primeiro lançamento do ano da construtora Cyrela, em São Paulo.
Elementos vazados serão dispostos de maneira que quem estiver dentro enxergue para fora, mas não o inverso.
O Mïstï Morumbi terá quatro torres, somando 396 unidades em quatro opções de plantas (65 m², 92 m², 110 m² e 125 m²).
A fachada tem assinatura do escritório MCAA e o paisagismo, de Benedito Abbud.

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Matéria publicada no Jornal Folha de São Paulo em 01 de Junho de 2014.

QUANDO A CRISE APERTA, A LOJA VIRA A MÍDIA DA VEZ

A publicitária Camila Salek: “Com a concorrência maior e menos dinheiro para investir em mídia, é preciso fazer escolhas”
Os profissionais de “visual merchandising” costumam ser erroneamente confundidos com “aquelas pessoas que arrumam vitrines”. Embora elaborar uma boa vitrine para vender artigos de moda também esteja entre as suas atribuições, a sua expertise vai mais além: inclui tornar o ponto de venda uma extensão da marca e fazer isso ser revertido em vendas.
Com a entrada frequente de varejistas globais no mercado brasileiro de moda, o trabalho de “VM” nunca foi tão valorizado. “Isso vem ocorrendo de cinco anos pra cá”, afirma a publicitária Camila Salek, que há oito anos abriu a Vimer Experience Merchandising, em São Paulo. “Com a concorrência maior e menos dinheiro para investir em mídia, é preciso fazer escolhas e o ponto de venda é a bola da vez”, afirma.
Com especialização em “VM” pela Saint Martin School of London, Camila tem no portfólio trabalhos para Havaianas, C&A, The Beauty Box e Quem Disse Berenice? – as duas últimas, empresas do grupo da rede O Boticário. Acostumada a viajar para metrópoles como Nova York, Londres e Tóquio, Camila acredita que o mercado nacional está se profissionalizando, embora ainda esteja bem atrás desses centros, onde o varejo de moda é mais forte.
Nos grandes centros da moda mundial, há mais ousadia nos projetos. Em alguns casos, as lojas sequer têm vitrines: ela toda é um espaço de exibição dos produtos, que são distribuídos de forma a chamar a atenção, sem poluir ou confundir os consumidores.
Um exemplo de ‘ponto focal’ na nova loja da Dover Street Market, em Nova York
No Brasil, a prática mais comum é dispor de uma vitrine com os principais artigos à venda e, do lado de dentro, apostar nas boas e velhas araras e prateleiras. Mudanças no cenário, quando ocorrem, nem sempre seguem o “mood” da coleção – um erro na opinião dos especialistas. Uma loja de moda não é apenas um local de vendas, mas uma espécie de invólucro para um conceito de marca.
Mais importante, portanto, do que vestir os manequins da vitrine, são ações como o planejamento de merchandising da coleção. “Dessa forma, a butique pode dar suporte à coleção”, explica Camila. O trabalho envolve até a ajuda na edição de produtos, de forma que o consumidor visualize o que de fato interessa e fique estimulado a comprar. “Sem uma boa curadoria das peças, fica mais difícil passar a mensagem correta”, diz Camila.
Entre os conceitos mais eficientes de decoração de loja está o aproveitamento dos espaços internos para criar “pontos focais”, ou pontos de interesse, que funcionem como uma outra vitrine. Neles, manequins exibem roupas, acessórios e até objetos para a casa que sigam a mesma ideia. Aliás, ter objetos de decoração à venda, no mesmo espaço dos artigos de moda, é outra tendência forte do varejo de moda. A estratégia já é adotada por varejistas como a Dover Street Market e a Urban Outfitters, cujas lojas vendem de roupas a artigos de papelaria, utensílios domésticos e bijuterias. Algumas das butiques de ambas dispõem até de restaurante. Tudo isso junto, diz Camila, ajuda a “contar a história da marca” – e, em última instância, fidelizar o cliente.
Outra atribuição do profissional de “VM” é garantir que o ponto de venda não seja um “ET” dentro da linguagem visual e dos conceitos da marca. Ao contrário, ele precisa confirmar o discurso que a marca emprega em outras mídias, pois é no espaço de vendas que o consumidor vai poder experimentar esses conceitos verdadeiramente. E como ferramentas para “empacotar” todas essas mensagens, vale estimular outros sentidos, como a audição e o olfato – sem exageros, é claro.
O uso de algumas tecnologias também pode deixar o ponto de vista mais interessante. Algumas marcas de luxo, por exemplo, dispõem de provadores “inteligentes”, cujo som e a luz mudam conforme o tipo de roupa que o cliente experimenta – seja ela para o dia ou para a noite. “Há grifes cujas roupas possuem uma etiqueta capaz de reconhecer se o consumidor está usando uma peça da grife ao entrar na loja”, diz Camila. Com essa informação em mãos, o vendedor acessa o histórico de compras e as particularidades daquele consumidor, tudo isso para realizar uma venda mais pessoal e direcionada.
Essas e outras tecnologias têm vigorado nas grifes de luxo. No varejo “fast-fashion”, onde o preço baixo é um dos principais atributos, o que reina é o autoatendimento. A modalidade, diz Camila, é outra tendência do momento. “O ideal é deixar os produtos acessíveis ao consumidor e manter uma equipe de vendas apenas para dar suporte em caso de dúvidas ou problemas”, explica a publicitária. Mais livre, os consumidores se sentem à vontade. E mais à vontade, talvez se animem a abrir a carteira.

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Matéria publicada no jornal Valor Econômico em 06 de Maio de 2014 por Vanessa Barone.

ENTRE PAREDES DE PEDRA

No coração de uma das cidades mais antigas do mundo – Jaffa, cujos primeiros registros datam do século 18 a.C. –, a construção de 180 m² nunca revelou sua idade aos profissionais do escritório Pitsou Kedem Architects.

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“Não conseguimos determinar com precisão, mas ficou evidente durante a obra que ela tem mais de 300 anos”, afirma Omer Dagan, integrante do estúdio. O charme de morar sob domos sustentados em paredes de pedra foi o que atraiu os proprietários.

 

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Também havia aquela paisagem típica do porto: o Mar Mediterrâneo é visto pelas janelas da sala, da cozinha e do quarto principal. Esses ambientes foram recriados para atender ao uso atual, com intervenções de visual minimalista e ultracontemporâneo. “Surpreendentemente, o estilo limpo dialogou muito bem com os traços autênticos.

 

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A luz vinda de grandes aberturas destaca a textura das paredes, que têm de 0,70 a 1 m de espessura. Elementos como divisórias metálicas e armários de desenho reto deixam claro onde ficam as intervenções. A tensão de tal contraste valorizou a atmosfera única do imóvel, que ganhou espaços abertos e fluidos, além de acabamentos de aço inox e ferro”, diz a arquiteta.

 

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O mar fica à vista nas grandes aberturas. Foi a melhor forma de valorizar as paisagens típicas do porto.

 

Matéria publicada na revista Arquitetura & Construção em fevereiro de 2014