Um Riviera Moderno, Mas de Olho no Mito

“Vocês vão ser responsáveis por nos manter vivos. Estamos prometendo preço acessível. Precisamos controlar desperdício. Se tiver chorinho, drinque errado, já era. O Riviera é renomado por ser um lugar barato. Não quero que falem por aí que a gente reabriu um bar histórico como um pico de burguês. Não podemos trair a memória deste lugar. Vamos demorar no mínimo seis meses pra sair do vermelho. Tragam ideias bizarras. O dry martini e o bloody mary têm que ser perfeitos. Quero ver a clientela ‘instagramando’ os drinques. É o espírito do tempo, todos querem compartilhar o que consome, desde que seja original. Precisamos ser originais em tudo. Beleza?”

Este foi Facundo Guerra, “paulistano” nascido na Argentina há 39 anos, dando instruções a meia dúzia de barmen do Riviera, que reabre na quinta-feira da semana que vem. O bar, inaugurado em 1949 na esquina da avenida Paulista com a rua da Consolação no térreo do edifício Anchieta, em São Paulo, se tornou clássico por vários motivos. Dois estão homenageados em um aquário: Juvenal e Zé, garçons que reinaram décadas naquela esquina, rebatizam dois peixinhos dourados.

Juvenal imortalizou-se como o coadjuvante predileto da Rê Bordosa, famoso personagem de Angeli – um dos notórios frequentadores. Outros clientes famosos eram Chico Buarque, Claudio Tozzi, os irmãos Caruso, Laerte, Toquinho, Elis Regina (1945 – 1982), Washington Olivetto, além, evidentemente, de todo intelectual de esquerda que se prezasse na cidade – o delegado Sérgio Paranhos Fleury (1933-1979) costumava dar batida ali. Contribuíam para a frequência tanto o carisma dos barmen como os preços baixos praticados no bar. Daí a declaração de Guerra fazer mais sentido: afinal, seu sócio, Alex Atala, dirige um dos melhores restaurantes do mundo – e mais caros da cidade.

É uma curiosa engenharia entre a tradição de esquerda da esquina e de duas das marcas mais valorizadas da indústria do entretenimento do país. De um lado, uma tradição de boteco pé-sujo, que servia feijoada até as cinco da manhã e cujos garçons se notabilizavam por ouvir as lamúrias de uma clientela que pegava pesado no tríptico sexo, drogas e rock’n’roll.

De outro, uma joint venture entre marcas como D.O.M. (sexto melhor restaurante do mundo) e Dalva & Dito (de cardápio popular e preços estelares) e o grupo Vegas, em cujo guarda-chuva se aninham casas noturnas premiadas: Cine Joia, Clube Lions, Yacht, Z Carniceria e Volt. A joint venture faz uma esquina entre o ex-punk que virou o principal chef dos Jardins e o ex-engenheiro que virou empresário da noite do centro paulistano. Poucos sabem que este ex-engenheiro tem também um passado de esquerda.

Formado em engenharia de alimentos, Guerra também cursou jornalismo e ciência política, trabalhou na extinta America Online, criou a grife Theodora com a estilista Rita Wainer – e montou o Vegas, clube que transformou a região da rua Augusta.

Guerra prega respeito a seus funcionários. “O bar ficou famoso por causa dos garçons e dos frequentadores. Passo para os barmen [a orientação de] não abaixarem a cabeça para cliente mal-educado. O barman está no mesmo nível que o cliente. Aqui no Brasil existe essa relação de subserviência, leva-se o ‘Cliente tem sempre razão’ ao nível mais babaca. Não pode ser assim”, afirma. Outro item que chama atenção é uma faixa de LED sobre o palco – cujo letreiro eletrônico pedirá aos frequentadores para desligarem celulares durante os shows, no segundo andar da casa. “Tirar foto até entendo, mas detesto gente que fica falando durante o show.”

Fruto de um “devaneio”, o novo Riviera custou caro. Só na cozinha foram gastos R$ 500 mil. Mas Guerra jura desconhecer o investimento total. “Só não gastamos na decoração – os objetos de decoração e os livros de política eu trouxe da minha casa. Mas a brigada veio toda do D.O.M. e do Dalva & Ditto, portanto ganham bem. O aluguel é de R$ 25 mil. O projeto arquitetônico é de Marcio Kogan: o bar-balcão é curvo, foi feito à mão. O segundo andar é todo isolado acusticamente. Bati várias vezes em banco para pedir empréstimo. Estamos endividados até o nariz”, diz Guerra. “Mas Ok: Atala tem o D.O.M. e meu lucro eu tiro das outras casas. A grana não precisa ser a primeira razão de tudo na vida”, afirma.

O andar superior, para 130 pessoas, vai abrigar programação musical de quarta a sábado (com couverts entre R$ 20 e R$ 30) que inclui discotecagem de MPB, jazz e música experimental, além de shows da Riviera Jazz Band, especializada em John Coltrane e Dave Brubeck.

Riviera Bar – av. Paulista, 2.584, São Paulo, tel (11) 3231-3705

Matéria Publicada em Valor em 18/09/2013

Cozinha em Nova Fase

Revestimentos simples e marcenaria planejada dão um toque prático ao ambiente de 16 m²

Quando a filha única acenou que sairia de casa, a professora Doris Dana resolveu, enfim, investir nacozinha. A ideia era abri-la para a sala, tornando-a mais iluminada e prática. Acostumada a preparar quitutes saborosos, Doris desejava há tempos modernizar o espaço para receber os amigos em seu apartamento no Rio de Janeiro. Mas, por causa dos custos, acabava adiando a empreitada. “Vi que a obra precisaria ser planejada e chamei as arquitetas Elaine Fachetti e Anna Backheuser para elaborar um projeto”, conta. “Foi uma decisão sábia, porque elas deram várias sugestões de materiais bacanas e mais econômicos”, completa. O granito preto, eleito inicialmente para a bancada, por exemplo, deu lugar ao verde ubatuba, bem mais barato e com efeito parecido. No conjunto, uma cerâmica básica para o piso não fez feio. “A textura cimentícia valorizou a copa”, conclui Anna.Tempo de obra: 25 dias.

Matéria publicada em Arquitetura e Construção Setembro de 2013

Perfume de Outro Tempo

As memórias nunca foram tão importantes para a casa. “Há hoje um desejo de resgatar a própria história – e a dos lugares onde moramos. Daí o sucesso dos materiais retrô, releituras de épocas como os anos 50 e 60”, afirma a consultora de tendências Ruth Fingerhut. Inspire-se em cinco projetos de alma vintage e visual ultracontemporâneo.

Pastilha: da fachada para a sala. É imediata a nostalgia evocada por uma parede toda de pastilhas, revestimento considerado arrojado e muito usado no Brasil durante as décadas de 50 e 60. Dessa época, a sala deste apartamento ganhou recentemente as mesmas peças cerâmicas acinzentadas de 2 x 2 cm (Jatobá) que cobrem a fachada do prédio paulistano. “A ideia da reforma era trazer um pouco da arquitetura do edifício para dentro da casa, um procedimento típico do modernismo”, conta o arquiteto Tomás Zaidan, do Bistrô de Reformas. No piso, os tacos originais foram restaurados. Acima do móvel antigo, o bar espelhado tem desenho de Tomás.

Azulejo decorado: alegria na parede. Os árabes levaram a arte da azulejaria para a Espanha e, de lá, ela contagiou toda a Europa com seus arabescos e traços geométricos. Aqui no Brasil, herdamos dos portugueses o gosto de aplicá-la nas paredes – basta lembrar nossas melhores casas coloniais e seus painéis azuis e brancos. “Atualmente, vemos um resgate dos desenhos dos anos 60 e 70, dispostos em forma de patchwork, com vários padrões misturados”, comenta a arquiteta Maristela Faccioli, que assina, ao lado da designer de interiores Anne Caroline Ryckeboer, esta área de lazer de um apartamento. “As peças da Calu Fontes trazem colorido ao espaço em tons de cinza.”

Granilite: resistente e uniforme. Ao renovar sua casa, uma construção da década de 40, a arquiteta Alice Martins trocou a ardósia do piso da entrada por granilite na parte interna e fulgê na externa, revestimentos ainda muito vistos em halls e escadarias de prédios antigos. “Feitos de pedrinhas de mármore, granilha moída e cimento, ambos condizem com a idade do imóvel. A diferença é que o fulgê não recebe polimento”, diz Alice. Segundo Jorge Wiszniewiecki, da Casa Franceza (empresa que executou este projeto), tais materiais foram bastante utilizados dos anos 20 aos 40. “Passaram um tempo esquecidos, mas voltaram em plena forma”, afirma. Poltrona da Desmobilia.

Caquinho: simplicidade neutra. A memória da casa da mãe motivou o arquiteto Cícero Ferraz Cruz a reformar o chão de sua cozinha com caquinhos. “É um piso barato e antiderrapante. As cerâmicas de 15 x 15 cm são quebradas na obra, e os segredos estão no rejunte, o mais claro possível, e na instalação superartesanal”, detalha Cícero. Uma dica? “Compre peças com PEI [índice que mede a resistência] mais alto.” No Brasil, os caquinhos viram seu auge nos anos 50. “A moda pegou quando um operário da Cerâmica São Caetano reaproveitou em seu quintal o descarte da fábrica paulista. Logo, a classe média estava toda usando”, conta o engenheiro e escritor Manoel Henrique Campos Botelho

Elemento vazado: rendilhado de luz. A história do cobogó é um clássico da nossa construção. Foi criado no início do século 20 por três engenheiros pernambucanos inspirados pelas tramas vazadas mouras, os muxarabiês. Seu nome resulta da junção dos sobrenomes dos inventores: Coimbra, Boeckmann e Góis. De cimento, logo conquistou versões de louça, caso do modelo desenhado pela arquiteta Renata Pedrosa, do Sub Estúdio, e executado pela Elemento V. “Adoro essas peças para separar ambientes sem vedar a luz ou a ventilação. E elas ainda proporcionam certa privacidade, como neste banheiro integrado ao quarto”, diz Renata. Banheira da IDT.

Matéria publicada em Arquitetura & Construção setembro de 2013

Tempero Quente

Empresa carioca investe em armários para cozinha com parte interna e acessórios coloridos

Após 41 anos produzindo móveis e closets, a marca carioca Lacca estreou no universo das panelas e caçarolas com sabor especial. Na linha Pepe – o nome italiano remete às pimentas e também àinfluência da mostra Eurocina 2013 -, os compartimentos superiores vêm laqueados por dentro, realçando o que antes ficava escondido. A idea reaparece nos puxadores de aluminio, que, assim, transformam-se em divertidos frisos horizontais. O conjunto deste ambiente, com portas de vidro pintado e laminado com visual de madeira, sai pó R$ 46 mil (sem incluir as cubas e as bancadas)

Matéria publicada em  Arquitetura & Construção setembro de 2013

No Território do Arquiteto

Um hippie toca um choroso Ernesto Nazareth em sua flauta, enquanto os pensamentos do arquiteto Marcio Kogan flutuam pelo emaranhado eclético de uma feira de antiguidades. Entre vidros de cores e tamanhos variados, repousa uma caixinha de música. Seus passos avançam, mas a peça amarela de marchetaria italiana o chama de volta. A senhora ruiva quer R$ 120,00 pelo objeto. Peça em bom estado e a bailarina, veja só, dança “O Sole Mio”. Kogan paga R$ 100,00 e sai realizado. A epifania em forma de caixa de música. Quase uma maquete pronta. “Era a ideia que faltava para um projeto. A arquitetura totalmente inerte ou se movimentando como um corpo.”

O Marcio Kogan arquiteto encontrou na caixa a inspiração para o projeto da sede do Grupo Corpo, um concurso de arquitetura do qual sairia finalista. Como ele próprio define, uma obra totalmente feita de aço, com grandes espaços ocupados por ambientes em forma de contêineres livres e tetos escamoteáveis, onde tudo se abre e se fecha de forma inusitada.

O Marcio Kogan cineasta encontrou na caixa a inspiração para uma narrativa – ele costuma criar histórias para algumas de suas obras. A caixinha fora um presente de Pablo a Pilar, dançarina apaixonada por flamenco na sua última apresentação no Teatro Zorrilla, em 1947. “Pilar está sentada com seu velho roupão rosa em frente a uma penteadeira. Com uma lágrima escorrendo pelas profundas rugas de seu rosto, olha para a bailarina que retribui o olhar pelo espelho da caixinha de música.” Pilar morre em 1958, a caixinha viaja com a prima para as Ilhas Canárias, depois para Nova Jersey, vai até Hong Kong (onde Wong Chung tenta, em vão, fabricá-la em plástico por menos de US$ 1 com o chip da música “My Heart Will Go On”, hit de Céline Dion), até que em 2000 uma sacoleira brasileira a compra em Miami.

O Marcio Kogan colecionador… Esse acabou com o desassossego da bela caixinha, que agora descansa – sem muita paz, é verdade, porque vive caindo das mãos de Luci, encarregada da limpeza – na extensa bancada atrás de sua mesa de trabalho. Incrível como o presente de Pablo ainda consegue se destacar no meio de tantos objetos – perto de cem deles. Uns mais miúdos. Outros, nem tanto. A bonequinha vintage fica perto das imagens de santos (Kogan é judeu) que estão atrás da caixa de Band-Aid do Mickey. Mais à direita um 27 (número de sorte) grande e vermelho. No canto, o cenário feito com miniaturas revive a tomada de Berlim pelos aliados. A foto do pai, Aron Kogan; “O Silêncio”, de Ingmar Bergman; e “Meu Tio”, de Jacques Tati, estão ali, logo atrás do anãozinho Dunga. Presentes ou lembranças de viagens que se acomodam constantemente entre novas – e inusitadas – peças. “Deus está nos detalhes”, já teria dito o arquiteto alemão-americano Mies van der Rohe, referência para Kogan.

Tudo ali tem a sua história. Que Kogan não entrega assim, logo de cara, porque não é de falar sem ser cutucado. Tem um jeito acanhado que os primeiros minutos de conversa não conseguem disfarçar. Mas faz questão de nos ciceronear – está acompanhado da arquiteta Mariana Simas, mais falante – e apresentar cada canto do seu escritório. É que neste “À Mesa com o Valor” nosso convidado é o anfitrião. Em vez de um restaurante, almoçamos no Studio MK27, escritório do arquiteto que foi cineasta por cerca de dez anos e construiu uma obra arquitetônica que dialoga livremente entre as duas artes. “A forma de emocionar, de um jeito sutil, as proporções da tela alongada, o jeito de iluminar a obra são visões de quem trabalhou com cinema, embora seja tudo muito espontâneo”, conta o Kogan arquiteto, mesma barba e mesmos cabelos cacheados dos tempos de cineasta – embranquecidos respeitosamente pelo tempo.

Reconhecido pelos volumes de concreto que lembram caixotes, pelo design sem excessos e pela textura nas fachadas, Kogan se especializou na construção de casas. Embora também projete espaços comerciais e resorts. Referência de estilo e do traçado contemporâneo, suas casas são – sem força de expressão – cinematográficas. Uma casa de Kogan tem vida própria. Um cenário onde os donos têm o privilégio de poder pagar até R$ 8 mil o metro quadrado para viver o seu roteiro cotidiano. Seja na Casa Toblerone, na Casa Paraty, na Casa das Figueiras, na Casa Vilatuelda e mais uma porção de casas com nome e sobrenome. “Quando você passa de um ambiente para outro tem que ter uma outra emoção. Tem muito a ver com a construção do roteiro cinematográfico. Não pode ser monótono, chato e burocrático.”

Andar pelo seu escritório é um pouco assim. Atrás de um suposto armário surge uma biblioteca de materiais onde um filtro de ar-condicionado vai se transformar em um moderno corrimão. Kogan está no mesmo endereço há cerca de 30 anos. Engana-se quem espera encontrar ali os mesmos vãos livres, as imensas portas de vidro retráteis e a exuberância verde das casas que projeta. O estreito terreno é dividido em três andares – o térreo estava alugado para uma loja até o ano passado. Foi reformado e deu espaço para uma recepção, uma sala de reuniões, além de uma cozinha e uma área externa. Luci, que só conseguia servir sucos e café, ficou feliz da vida.

É do lado de fora, numa iluminada tarde de sol de inverno, que somos recebidos. A mesa de azulejos brasileiros está repleta de especialidades árabes, compradas em um restaurante próximo. O cheiro de esfirra quentinha apetece. Além de Mariana Simas, arquiteta que cuida da gestão e da comunicação do escritório, Diana Radomysler, coordenadora da área de projeto de interiores, que trabalha há 19 anos com Kogan, também nos acompanha. O Studio MK27 tem 22 arquitetos, que trabalham como coautores dos projetos de Kogan.

Enquanto repete o ritual de preparação do seu quibe cru – amassado com azeite, sal, cebolinha, cebola e bastante pimenta -, Kogan volta aos tempos de cinema. Como um estudante de arquitetura que não estava tão interessado assim em arquitetura, ele achou mais interessante gastar a criatividade nas telas. Numa viagem aos Estados Unidos, durante a faculdade de arquitetura no Mackenzie, comprou uma câmera Super 8 – na época um símbolo de protesto contra a ditadura. Era o que faltava. Tinha críticas e humor sobrando e um amigo disposto a encarar a empreitada. O amigo? O arquiteto Isay Weinfeld. Fizeram juntos 14 curtas num período de dez anos, alguns deles premiados.

Em 1988, filmaram o primeiro e único longa, “Fogo e Paixão”. Com baixo orçamento, cerca de US$ 700 mil, produziram o filme. Uma comédia que flerta o tempo todo com a arquitetura e conta a história de um grupo de pessoas em um tour de ônibus pela cidade de São Paulo. Numa época de profunda crise da indústria cinematográfica brasileira, o roteiro conseguiu atrair Fernanda Montenegro, Paulo Autran, Nair Bello, Tônia Carrero, Rita Lee e Regina Casé, em breves, mas hilárias, participações especiais.

A repercussão do filme foi boa. Quem não gostou tanto foi o próprio Kogan. “Assim que acabou, eu descobri que não ia mais ser cineasta”, conta. Gastou mais do que tinha se proposto, conheceu de perto a “máfia da distribuição”, aspas suas, e terminou incomodado com todo o processo. “Quando vai começar a produção, chegam umas 80 pessoas para trabalhar, sendo que 40 você vai amar, 20 vai odiar e odiar e 20 são indiferentes. É muita gente, uma relação estranha que eu não gostei. Aqui no escritório, somos como uma família.”

Na época, o escritório de arquitetura, ainda pequeno, funcionava em paralelo, mas não resistiu à ausência de Kogan. “Saí quebrado da história, fiquei seis meses sem conseguir aparecer. Quando eu volto, o escritório e a minha vida de arquiteto começam praticamente do zero”, relata, enquanto coloca gelo no copo e se serve de uma latinha de refrigerante. Os tempos de cineasta que precisava se firmar como arquiteto estão distantes, mas ainda perto o bastante da sua memória. “O começo é uma tortura, você não tem quase nada para mostrar, tem tudo para provar. E depois, quando já sabe que pode fazer um grande trabalho, não tem um grande cliente”, lembra-se. Tempos distantes.

Os primeiros projetos, como a Casa Goldfarb, foram feitos em parceria com Weinfeld. Mas nunca foram sócios. O último a quatro mãos foi o Hotel Fasano. “Quando os escritórios eram pequenos, dava certo. Depois que cresceram, ficou complicado administrar o trabalhar em conjunto e meio sem sentido também”, diz Kogan. E como é a relação de vocês hoje? “Boa.”

Ainda estamos saboreando o quibe cru e as saladas verdes. Kogan está na fase light e sente saudades do escargot à provençal que adorava preparar. Amante das culinárias francesa e italiana, depois que o colesterol desembestou a subir e vieram as inoportunas restrições gastronômicas, o prazer em cozinhar não é mais o mesmo. Perdeu a manteiga e a graça.

Enquanto coloca coalhada seca no pão árabe, Kogan diz que a Casa Gama Issa, em São Paulo, pode ser considerada um marco na sua trajetória. Foi construída em 2001, lembra Mariana, que faz as vezes da memória de Kogan, que não parece lá muito amigo de datas e calendários. A Gama Issa já tinha o onipresente formato de caixa, mas ainda predominava o branco – hoje suas obras foram aquecidas pelos painéis de madeira. “Até a Gama Issa, havia poucas residências familiares premiadas, foi uma mudança de patamar.”

De todos os seus projetos, porém, o de mais destaque é a Casa Paraty, terminada em 2009. Num terreno de 50 mil metros quadrados e uma praia particular, Kogan fez duas caixas de concreto armado, sobrepostas e deslocadas entre si. Eleita casa do ano pela prestigiada revista inglesa “Wallpaper” em 2010, a Paraty virou referência da casa brasileira moderna e sofisticada. E seu arquiteto, motivo de cobiça. Agora que não faltam grandes clientes, o dilema é outro. “Tem gente que quer uma casa igual à que você já fez e, obviamente, não vai fazer de novo.”

A vitrine funcionou. E o Studio MK27 tem hoje quase metade das suas obras no exterior. Assinou casas no Canadá, Chile, Dubai, Tel Aviv e Vietnã e, no momento, levanta uma casa em Lima. Também entraram na área hoteleira e estão fazendo um resort em Portugal e outro em Báli.

- Qual é a diferença de construir aqui e fora?

- A mão de obra aqui é muito melhor. Fora, é tudo industrializado. Aqui, a gente tem liberdade e disposição para criar. Lá, você pesquisa o catálogo e pronto. Quando tem algo muito bom lá fora e fica caro trazer, temos maleabilidade para fazer algo parecido de forma artesanal. Mas hoje fazemos as duas coisas, importamos e exportamos know-how.

Materializar o sonho de alguém que está do outro lado do mundo não é exatamente fácil. Na China, onde o escritório foi contratado para projetar um condomínio de casas de alto padrão em Xangai, um projeto deu totalmente errado. Por causa da topografia do terreno, as casas ficariam abaixo do nível da rua (quem andasse por ali não veria as construções), com tetos verdes (inspirados nas plantações de arroz), garagem coletiva no subsolo e detalhes em arquitetura vernacular.

Um, dois, três, quatro erros fatais. Depois de anos de privação do consumo, os chineses ricos fazem absoluta questão de exibir suas casas e seus carros e primam pela arquitetura globalizada – nada de tradição chinesa. E o teto verde, que remete a chapéu verde, este jamais. Como os militares iam para a guerra com os seus chapéus verdes, a associação com traição é imediata. Kogan, Diana e Mariana insistiram no projeto e terminaram despedidos. Em alto e bom chinês. “O processo foi muito interessante, porque mostrou a relação do arquiteto com o aspecto sociocultural”, avalia. “E ganhamos uma massagem nos pés que valeu o projeto”, diz, rindo. Kogan é de riso fácil, mas não solto, que a timidez não permite.

Agora, cada um se serve com esfirras e manaíche, o que deixa o nosso almoço um tanto informal e descontraído. A conversa, idem. Aos poucos, Kogan vai se abrindo e, enquanto joga mais uma pitada de pimenta no prato, rega nossa conversa com humor e uma ironia fina. A mesma dos filmes. A mesma da coleção atrás da mesa. A mesma da massagem aí de cima. A mesma que encerra os últimos passos da caixinha de música. Marcio Kogan é dois e é um só. Cineasta e arquiteto. Tímido e divertido.

Paulistano na fala e na alma – a cidade não só foi cenário do longa-metragem como é referência no gosto assumidamente cosmopolita. Prefere cidades que lembrem São Paulo, como Londres e Nova York. “São Paulo é feia, ruim, errada, mas talvez a combinação de todos esses aspectos negativos façam dela um lugar interessante.” E repete o discurso universal da política errada de mobilidade, baseada na cultura americana de “freeways” e pontes.

Conversa vai, conversa vem, e a conversa volta de novo no tempo. Kogan teve infância confortável, morou no Jardim Europa, numa casa inspiradora, projetada pelo pai, o engenheiro Aron Kogan. Sócio da construtora Arthur & Kogan, Aron construiu o Mirante do Vale, prédio mais alto de São Paulo, ajudou a construir o Hospital Albert Einstein e projetou o já demolido São Vito.

Mas Aron inovou mesmo na própria casa, toda eletrônica e mecanizada em plenos anos 60. O portão da garagem, as lâmpadas da casa e alguns equipamentos podiam ser acionados por uma válvula, ligada a um radiotransmissor que ocupava quase todo o porta-malas do Impala da família. A parafernália inventiva funcionava perfeitamente bem. Não fosse aquele inconveniente ônibus elétrico que circulava na avenida Europa, que vira e mexe dava interferência no sistema. Durante a madrugada, não raro, a casa se abria e começava a funcionar. “A arquitetura dessa casa era muito forte e certamente me influenciou”, conta Kogan, que reconheceu sua casa e sua história no filme “Meu Tio”, do francês Jacques Tati.

Aos 8 anos, o menino Kogan decidiu dar um presente ao pai. Caprichoso, fez uma colagem com fotos dos edifícios que ele havia construído. Não teve tempo de entregar o álbum. Aron fora assassinado em um roubo naquele mesmo dia. “Infelizmente, joguei fora num momento de tristeza, adoraria ter guardado”, conta, mágoa escapando entre as palavras.

Sem muitos detalhes, Kogan diz que viveu algum tempo em “preto e branco”. No texto sobre Pilar, a espanhola que ganhara a caixinha de música no dia que encerrava a sua carreira, escreveu: “A imensa angústia e solidão que tomam conta da sua vida poderiam ainda render a este narrador que conhece tão bem esse assunto algumas dezenas de linhas dessa história banal”. A timidez quase patológica – causa de “vexames homéricos” e brancos de infinitos dez minutos em aulas e palestras – Kogan credita ao trauma infantil. Hoje, ainda não se deixa virar pelo avesso, é verdade, mas consegue falar de si. “Já fui bem pior.”

A paixão pelo cinema brotou justamente quando viu retratada na tela aquela melancolia que lhe consumia havia tempos alma e coração. Era um dia de céu também em preto e branco, quando Kogan, “péssimo aluno” confesso, matava mais uma aula no colégio estadual Antônio Alves Cruz, em Pinheiros. Resolveu entrar no cinema. O escuro da sala o confronta com o denso e polêmico “O Silêncio”, do sueco Ingmar Bergman. “Eu devia ter uns 15 ou 16 anos e não conhecia Bergman, mas me identifiquei tão profundamente com o filme que teve um impacto muito grande na minha vida. Os meus sentimentos estavam todos refletidos ali. Me deu um clique e eu saí obcecado por cinema.”

Depois de mais de 20 anos afastado das câmeras, o Kogan cineasta reapareceu há 2. O clique, dessa vez, foi dado pela Bienal de Arquitetura de Veneza. O Studio MK27 foi convidado para representar o Brasil. O tema era “commom ground” e Kogan resolveu fazer o que chamou de “filme-instalação” – filmou 18 cenas dentro de uma das luxuosas casas que construiu em São Paulo.

Uma parede com pequenos visores dava ao visitante a exata sensação de ser um “voyeur”. Ele assistia ao sexo burocrático do casal, o banho do marido, a espera ansiosa da mulher pelo personal trainer, o filho entretido num videogame e a rotina dos empregados. A iniciativa foi elogiada pelo jornal britânico “The Guardian”, que usou os adjetivos “divertido” e “instigante”. “Felizmente, não há nenhum sinal do próprio arquiteto. Às vezes, a arquitetura é mais importante que o arquiteto.”

Já foram feitos outros três filmes e novas produções estão por vir. “Acabei gostando e resgatei isso.” Os filmes também apresentam o trabalho do estúdio nos concursos. “Nossas apresentações viraram um sucesso”, diz Diana. Quem cuida dos concursos e projetos especiais no escritório é o filho Gabriel, formado em arquitetura na Universidade de São Paulo e também envolvido na direção dos filmes. A área tem um papel fundamental para o escritório por representar uma diversificação em relação à predominância das casas. “Teve um momento que era quase 100% casa, mas nunca foi proposital”, afirma Kogan. Agora, em uma joint venture com o Teatro Alla Scala, em Milão, e a Royal Opera House, de Londres, estão fazendo um centro de produção para o Theatro Municipal do Rio de Janeiro que engloba o restauro de um edifício histórico na área do Porto Maravilha. Também ganharam um concurso para o retrofit de um prédio modernista em Barcelona.

O arquiteto não tem obras públicas no currículo. Porque não quis ou não surgiu oportunidade? “Eu gostaria, mas não surgiu. Quer dizer, teve uma longa época no Brasil que não deu oportunidade para mim e para toda uma geração de arquitetos. Todas as obras públicas, um lugar bom para começar, iam parar nas mãos do Niemeyer.”

Os pratos foram recolhidos e chega a sobremesa. Sorvete. O doce do chocolate e o azedo do limão se contrapõem, como o arquiteto que terminou a faculdade odiando o venerado Niemeyer, mas hoje tem um retrato dele no segundo andar do escritório. “Hoje sou fã, adoro o modernismo brasileiro, o escritório é seguidor desse trabalho. Depois de repensar todo esse movimento e trazer a uma nova luz contemporânea, com novas tecnologias e novos elementos é o que a gente faz, de fato. Mas, nos anos 70, não representava mais o que acontecia no mundo.”

Niemeyer está na parede e na lista de referências de Kogan, ao lado de Rino Levi, Lucio Costa e Lina Bo Bardi – que define como “a grande mulher da arquitetura brasileira”. Entre os estrangeiros, Mies van der Rohe, que foi professor da Bauhaus e fez o Pavilhão Barcelona. Hoje é a arquitetura japonesa que o seduz. “Eles têm uma linguagem estética extremamente contemporânea, que repensa os fundamentos básicos da arquitetura.”

- E a arquitetura do futuro, como você imagina?

- Há vários caminhos. Hoje já se fala em casas plotadas em 3D. Embora a palavra sustentabilidade esteja banalizada, horrível e usada para o marketing, a questão ambiental é muito importante. O Brasil e o mundo andam na direção da economia de recursos. A energia solar, que não se pagava há uns anos, hoje se paga. Os equipamentos vão se sofisticando e o mercado vai fazer a conta fechar. Há muitos materiais tecnológicos sendo criados. Um futuro próximo seria a consolidação de todos esses sentidos.

Já terminamos o café e Kogan me entrega seu cartão. Na frente, uma holografia da bonequinha vintage, que virou símbolo do escritório e está até nas placas das obras. A dele usa óculos redondos de aros grossos e negros. A de Diana tem um charmoso “cat eye” retrô. A boneca do cartão da Mariana usa um chapéu de Carmen Miranda. Como a caixa de Pilar, ela também foi arrematada numa loja de antiguidades. “É para tirar um pouco da seriedade de tudo”, resume Kogan, jeitão introvertido, enquanto, já nas minhas mãos, a boneca pisca como em sinal de aprovação.

Matéria publicada em Valor 20/09/2013

Brasileiro também quer mais design

Basta um passeio pelas grandes redes de material de construção para ver que o setor de louças e metais sanitários está mais sofisticado. Tecnologia e design não estão mais restritos aos produtos premium.

“Nos últimos anos vimos um aumento da demanda, que incentivou os fabricantes a ampliar a linha de produção e até construir novas fábricas”, diz Jorge Gonçalves, diretor-geral da varejista C&C. “O mercado está refletindo o interesse do consumidor, que quer ver design não só na cadeira da sala, mas também no desenho de torneiras e vasos sanitários”, diz a arquiteta Fernanda Marques.

A desaceleração da economia não desanimou as indústrias. No grupo espanhol Roca, o Brasil é o primeiro mercado. O grupo é dono das marcas Celite e Incepa, focadas nas classes B e C; das premium Laufen e Roca; e da popular Logasa. O faturamento no país cresceu de R$ 746,7 milhões, em 2011, a R$ 871,1 milhões no ano passado.

A empresa investiu, em 2012, € 35 mil em uma nova fábrica de louças e metais em Santa Luzia, perto de Belo Horizonte. O novo espaço atende as marcas Celite e Incepa e aumentou em 15% a capacidade produtiva. No primeiro trimestre de 2014 está prevista a inauguração da primeira fábrica exclusivamente de metais sanitários em Vitória de Santo Antão, Pernambuco, cujo investimento é de € 13,5 milhões.

A valorização do banheiro pelos brasileiros – tendência que aconteceu com a cozinha anos atrás – anima as empresas. “Banheiro é agora sala de banho. É quase um spa, um local intimista que transcende a higiene”, diz Raul Penteado, vice-presidente da unidade de negócios da Deca. No novo showroom da empresa, na avenida Brasil, em São Paulo, é possível encontrar produtos para todos os públicos. “Temos misturadores de R$ 100 a R$ 3 mil”, diz Raul.

A classe C, observa, tem uma compra aspiracional, mas mantém-se clássica. “Ele sabe que não vai trocar aquele produto tão cedo, portanto, escolhe algo mais tradicional. Mas ter qualidade e ser bonito é uma obrigação nossa e oferecemos a todos”.

Assim como em outros setores, o aumento do poder de compra das classes B e C também estimula a inovação. Alguém imaginaria uma banheira custando apenas R$ 499? Esse foi o lançamento da Celite para resolver uma necessidade do consumidor, que encontra apenas opções a partir de R$ 1.000. “A banheira tem dimensões menores e atende um desejo aspiracional do cliente”, diz Sérgio Melfi, diretor comercial da Roca. Segundo ele, há uns cinco anos o que mais contava para a nova classe média era o preço. “Hoje também se preocupam com o desenho”, diz. O que se vê são pias com cubas menores, já que os banheiros dos apartamentos são pequenos, mas já com alguma plasticidade.

Até mesmo a singela torneira virou objeto de estudo das empresas. Tradicional fabricante de metais sanitários, a Docol está bastante focada, nas últimas décadas, na criação de peças que aliam design e sustentabilidade. Um dos exemplos é a linha residencial Flex, lançada em 2012, a primeira torneira para uso doméstico que tem dois tipos de acionamento: sistema convencional para o fluxo contínuo da água e sistema automático que economiza água. “Antes a preocupação por economia era em ambientes como aeroportos, shoppings, estádios. Hoje as pessoas buscam produtos sustentáveis para suas residências”, diz Levi Garcia, diretor industrial da Docol, maior exportadora de metais sanitários da América Latina.

Profissionais de outras áreas do design estão usando sua expertise para criar chuveiros, torneiras e acessórios. É o caso do designer e empresário Cléber Luiz, que depois de trabalhar na Grendene e na indústria moveleira, migrou para o setor de metais e louças sanitárias. Seu processo de criação é similar ao de uma marca de moda. “A decoração do banheiro é algo cênico. Nós definimos as linhas por temas e aliamos o que é tendência no mercado”. Desse apanhado surgem coleções como a Underground, cujo acabamento artesanal dá um aspecto “surrado” à peça. Para complementar o apelo “fashion”, alguns itens dessa linha levam lona de caminhão.

A crescente demanda por design valorizou as equipes de criação das empresas. Na Deca, engenheiros, desenhistas industriais e arquitetos, juntamente com os departamentos de marketing e pesquisa, pensam no que incluir no banheiro do cliente. “E todos são estimulados, inclusive eu, a buscar inovação e prestar atenção em tendências. Foi o caso da linha de metais Gold, feita em ouro rosa, um material que vimos ser usado na joalheria”, completa Raul, da Deca.

Por uma questão óbvia de custo, são nos produtos de luxo que vemos mais investimento em tecnologia e design. Sob encomenda, a Deca vende um chuveiro batizado de Deca Spa, que fica embutido no teto e custa cerca de R$ 30 mil. Lançou também cubas e bacias em tom fosco, o que exige um cuidado extra na linha de produção por causa de “arranhões”.

Nesse segmento, é cada vez mais comum ter vasos sanitários e torneiras assinadas. A Fabrimar buscou um designer renomado para projetar sua linha de alto luxo. Guto Índio da Costa criou a coleção de metais sanitários Simetria. “Tem um conceito ‘clean’ e harmonioso para atender a demanda desses clientes”, diz Paulo Person, gerente de produtos da Fabrimar.

A importância do design para o grupo Roca se reflete no Roca Innovation Lab, “celeiro de ideias”, como eles mesmo definem, fundado em 2007, em Barcelona. A intenção é pesquisar novos conceitos, principalmente para a marca Roca. A equipe é multidisciplinar – especialistas em desenho, arquitetura, ergonomia, materiais. No Brasil há uma equipe de criação que adequa os produtos para a necessidade local.

A linha W + W, exposta no showroom da marca em São Paulo, é o principal exemplo deste “produto conceito” desenvolvido pelo Roca Innovation Lab. Tem a cuba e a bacia acopladas em uma mesma peça e um sistema que filtra a água do lavatório para ser reutilizada na caixa da descarga.

As marcas do grupo Roca contam com um portfólio de peças estreladas. Javier Mariscal, designer espanhol que criou o mascote da Olimpíada de Barcelona, desenhou uma linha de cubas batizada de Olimpic, lançada neste ano. O grupo Roca também representa os banheiros Armani. Mesmo a Incepa, uma marca considerada de “médio luxo”, tem suas peças com pedigree. A linha Boss, por exemplo, foi desenhada pelo italiano Antonio Bullo.

Em 2012, o setor de louças sanitárias faturou cerca de R$ 1 bilhão, um crescimento de 3,3% em relação a 2011, segundo a Asfamas, associação brasileira que reúne os fabricantes de materiais para saneamento. Segundo Luiz Claudio Ferreira Leite Pinto, diretor da Asfamas, o primeiro semestre de 2013 foi difícil, com faturamento estimado de R$ 500 milhões, mas há expectativa de uma pequena retomada neste segundo semestre.

O Sindicado da Indústria de Artefatos de Metais não Ferrosos no Estado de S Paulo prevê aumento de 3% a 3,5% da produção de metais sanitários (torneiras, chuveiros) neste ano, segundo Oduwaldo Álvaro, diretor do sindicato.

Matéria publicada em Valor 20/09/2013

BIOCOMBUSTÍVEL DOMÉSTICO

Fachada com microalgas geram energia em prédio alemão. Sistema de fotobiorreatores oferece o ambiente ideal para as algas, que sintetizam o gás carbônico produzido e produzem energia.

Ao construir este prédio residencial de cinco andares, em Hamburgo, as multinacionais Arup e Colt Group usaram um sistema pioneiro de fotobiorreatores, que oferecem o ambiente ideal para a fazenda de algas. Ali, alimentadas por gás carbônico, água, nutrientes e radiação solar, elas produzem combustíveis renováveis. O cultivo é feito dentro dos 129 painéis de vidro (2 cm de espessura) que cobrem os 200 m² da fachada. Com capacidade para 24 litros, cada um deles traz filamentos metálicos por onde chega o gás carbônico comprimido emitido pelo aquecedor central do edifício. Num processo acelerado pela ampla luminosidade, as algas condensam o gás e transformam-se numa biomassa, retirada e levada a uma usina de biogás dos arredores. Com a fermentação, ocorre a alteração da matéria para metano, direcionado à rede comum de gás, que também abastece o prédio.

Matéria Publicada em Arquitetura & Construção setembro de 2013

DESIGN RUSTICO: MÃOS À OBRA

O jeito de usar confere glamour a elementos brutos típicos de canteiros e oficinas, como pá, canos, telhas metálicas e até vergalhões

Não falta bom humor nem senso de improvisação a projetos com o aspecto inacabado, próprio das construções ainda sem os retoques finais. Desse universo de cimento, vergalhões, pás e telhas, saltam ideias para produtos e casas com viés ora provocativo, ora fashion. Os designers, a exemplo do paulistano Leo Capote, surpreendem. Depois de atuar por anos a foi na loja de parafusos do avô, ele agora assina móveis engenhosos, feitos de porcas, martelos e outras peças afins. As divertidas botas do superarquiteto francês Jean Nouvel, lançadas no Salão Internacional do Móvel de Milão deste ano, assemelham-se àquelas usadas pelos operários da construção civil. Já o arquiteto sueco Mattias Ståhlbom traçou uma luminária simples e moderninha: disponível numa cartela de 11 cores, é, basicamente, um soquete de luxo. Veja essas e outras criações.

Matéria publicada em Arquitetura & Construção setembro de 2013

This entry was posted in Design.

BOM GOSTO EXPLÍCITO AOS OLHOS E AO PALADAR

A Burger Lovers estreia em São Paulo com atributos para, literalmente, encher os olhos do público. Recém inaugurada no Shopping Metrô Tucuruvi, a marca segue a máxima de que “a primeira impressão é a que fica” para conquistar os consumidores à primeira vista. Com um layout moderno, a loja prima por diferenciais de qualidade desde seu projeto arquitetônico até o preparo de seus produtos, todos elaborados de forma artesanal.

Para o arquitetoDiego de Holanda Victoresse conceito de atendimento foi determinante para a escolha de DuPont™ Corian® na composição do ambiente. Processado pela Pro Art’s, o material de cores Glacier White e Hot, foram usados na bancada de atendimento e em todas as mesas do salão, inclusive nos detalhes que conversam com as cores da marca. “A proposta é que todo o ambiente reflita o conceito de prestação de serviços da Burger Lovers, ou seja, o bom gosto e primor aparentes no layout é o mesmo com que são preparados os pratos”, explica.

Características exclusivas de Corian® como qualidade, durabilidade e resistência a manchas são alguns fatores que motivaram a escolha do produto, segundo o arquiteto. “Fizemos vários testes com produtos impregnantes como ketchup, mostarda e maionese e ficamos impressionados com seu desempenho. Usar um material fácil limpeza e resistente a manchas é essencial no setor alimentício, constantemente fiscalizado pela Vigilância Sanitária”, afirma Diego de Holanda Victor.

Ele descreve como “rica” a experiência no uso do material, o que o leva a pensar em outros projetos a partir do uso de DuPont™ Corian®. “Foi um experimento muito bem-sucedido, por isso já estudamos a possibilidade de estender seu uso a outras lojas da rede”, finaliza.
Fonte: http://www2.dupont.com

TECNOLOGIAS ESPACIAIS INFLUENCIAM NOVOS PRODUTOS DE CONSUMO

Energia sem fio, sensoriamento remoto e comandos ativados por voz. Esses são apenas alguns exemplos de tecnologias desenvolvidas para viagens e explorações espaciais que acabaram sendo integradas a produtos do cotidiano.

Segundo o membro sênior do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE) e especialista em robôs no Laboratório de Física Aplicada da Universidade John Hopkins, Edward Tunstel, os avanços tecnológicos realizados para viagens e exploração espacial influenciam de forma dinâmica a concepção de novos produtos de consumo.

“Desde o programa Apollo, nos anos 1970, cidadãos comuns têm-se beneficiado das tecnologias espaciais, como os instrumentos e os aparelhos sem fio, detectores de fumaça, cronômetros a quartzo, a espuma ‘tempur’ para colchões e travesseiros e o GPS”, enumera.

Nas próximas telas, acompanhe projetos que integram diferentes tecnologias a eletrodomésticos e aos móveis.

Fonte Radar Mobile